A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu cinco pessoas na segunda fase da Operação Deep Bank, deflagrada a partir de 16 de setembro contra um grupo suspeito de aplicar o golpe do falso empréstimo consignado. As prisões ocorreram no Rio de Janeiro, em São José dos Campos e em Araraquara, no interior paulista.
A apuração é conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais e Financeiros, a Corf, e conta com apoio das polícias civis de São Paulo e do Rio de Janeiro. Um investigado segue foragido. O grupo responde por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Como o golpe abordava a vítima
Segundo a investigação, os suspeitos usavam técnicas de engenharia social para convencer as pessoas a contratar um novo empréstimo, com a justificativa de que a operação reduziria os juros de contratos anteriores. Na prática, a dívida aumentava e a redução prometida não se concretizava.
O alvo preferencial eram pessoas que já haviam sido vítimas de fraude em consignado, um perfil que a investigação descreve como mais suscetível a uma segunda abordagem. A coluna Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, informou que o esquema movimentou mais de R$ 30 milhões, número que não consta de nota oficial da corporação.
O que os canais oficiais não fazem
O consignado do INSS concentra parte relevante das fraudes desse tipo no país porque o desconto vem direto do benefício. Algumas práticas ajudam a identificar a abordagem criminosa:
- O INSS não liga para o beneficiário oferecendo empréstimo nem para pedir senha, código de acesso ou dados bancários;
- Não existe taxa antecipada para liberar crédito consignado, nem depósito prévio para “destravar” a operação;
- A contratação e o bloqueio de empréstimos podem ser consultados e feitos pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135;
- O bloqueio de novos consignados no Meu INSS impede que um contrato seja aberto sem autorização do titular.
No Distrito Federal, o registro de fraudes bancárias pode ser feito pela Delegacia Eletrônica, que passou a ter uma opção específica para golpes, sem necessidade de comparecimento presencial na maioria dos casos.
Uma investigação que saiu do DF
A Deep Bank é conduzida a partir de Brasília, mas alcançou três cidades de dois estados na fase mais recente. A apuração da Corf trata o grupo como uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre quem aborda a vítima, quem opera as contratações e quem movimenta os valores.
A operação se soma a outras ações recentes da polícia do DF contra fraudes financeiras. Todos os presos respondem como suspeitos, e a condição de culpado só se firma com condenação transitada em julgado.
O que fazer se você foi vítima
Quem identificar desconto indevido no benefício deve registrar a contestação no Meu INSS ou pelo 135, guardar os comprovantes e abrir ocorrência policial. O registro é o documento que sustenta o pedido de devolução dos valores e eventual ação judicial contra a instituição que liberou o crédito.
Perguntas frequentes
O que é o golpe do falso consignado?
O criminoso procura a vítima oferecendo um novo empréstimo com a promessa de reduzir os juros de contratos anteriores. A operação é contratada, a dívida cresce e a redução prometida não acontece.
Quantas pessoas foram presas na Deep Bank?
Cinco, na segunda fase da operação, a partir de 16 de setembro de 2026, no Rio de Janeiro, em São José dos Campos e em Araraquara. Um investigado seguia foragido.
O INSS liga oferecendo empréstimo?
Não. O INSS não faz ligação para oferecer crédito nem pede senha, código ou dados bancários por telefone. A contratação e o bloqueio de consignados são feitos pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135.






