ter, 3 nov

Parto normal ou cesariana: médica do HRSM explica quando cada um é indicado

Obstetra do Hospital Regional de Santa Maria lista as indicações de cesariana e explica como a gestante chega ao pré-natal de alto risco pelo SUS no DF.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Gestante em corredor do Hospital Regional de Santa Maria, no DF, com as mãos sobre a barriga
Foto: Divulgação/IgesDF
Neste texto4 tópicos
  1. O que a médica diz que pesa na decisão
  2. Quando a cesariana é a indicação
  3. Como chegar ao pré-natal de alto risco pelo SUS
  4. O relato de quem faz o acompanhamento

A ginecologista e obstetra Rafaella Torres, do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), diz que não há fórmula pronta para escolher entre parto normal e cesariana. A decisão depende da saúde da mãe e do bebê, da evolução da gestação e da avaliação médica no momento do parto. A orientação foi divulgada pela Agência Brasília nesta segunda-feira (2).

O HRSM é referência em atendimento obstétrico a gestantes de alto risco e é administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Segundo a médica, o cuidado começa bem antes do parto, com o pré-natal.

O que a médica diz que pesa na decisão

“A escolha é individualizada e leva em consideração diversos fatores, como hipertensão, diabetes, localização da placenta, idade gestacional, desenvolvimento fetal, gravidez gemelar e a progressão do trabalho de parto”, explica Rafaella Torres. Ela acrescenta que os desejos da futura mãe também entram na conta, desde que não haja contraindicação.

Para mulheres sem complicações, o parto vaginal costuma ser a via recomendada. A recuperação é mais rápida, e o risco de infecção, de sangramento e de complicações em gestações futuras é menor.

Quando a cesariana é a indicação

A cesariana entra quando o parto vaginal oferece mais risco para a mãe ou para o bebê. A tabela resume as situações que o hospital citou.

SituaçãoO que significa
Placenta préviaA placenta fica à frente do canal de parto
Ruptura uterinaRompimento do útero, situação que o hospital lista entre as indicações de cesariana
Prolapso do cordão umbilicalO cordão desce pelo canal de parto antes do bebê
Sofrimento fetal persistenteSinais de comprometimento do bebê que não cedem
Doenças maternas gravesO quadro da mãe torna o parto vaginal mais arriscado
Posições fetais específicasPosições que dificultam ou impedem o nascimento por via vaginal

A cirurgia também pode ser necessária quando o trabalho de parto não evolui como deveria ou quando surgem sinais de comprometimento do bebê.

A obstetra faz um alerta sobre o uso sem necessidade clínica. “A cesariana é uma cirurgia de grande porte e salva inúmeras vidas quando corretamente indicada. O problema ocorre quando ela é realizada sem necessidade clínica, pois isso aumenta o risco de hemorragias, infecções, tromboses e complicações em futuras gestações”, diz.

Como chegar ao pré-natal de alto risco pelo SUS

O ambulatório do HRSM recebe todos os dias dezenas de mulheres encaminhadas para o pré-natal de alto risco. O caminho segue a regulação da rede pública do DF:

  1. A gestante procura a unidade básica de saúde (UBS) da sua região, que faz a avaliação inicial.
  2. A UBS encaminha para consultas e exames específicos.
  3. A solicitação é inserida no Sistema de Regulação (Sisreg), da Secretaria de Saúde (SES-DF), que organiza o atendimento.

Fora das consultas marcadas, o pronto-socorro do Centro Obstétrico (CO) do hospital atende urgências ginecológicas. Para entender como a regulação funciona em outro hospital da rede, veja como o paciente chega ao Hospital de Base pelo Sisreg. Na própria UBS, o teste de sífilis é gratuito e faz parte do pré-natal.

O relato de quem faz o acompanhamento

Fernanda Vieira, grávida do quarto filho, está com 34 semanas e é acompanhada como gestante de alto risco por causa de obesidade, diabetes e hipertensão crônica. “Nas minhas outras três gestações não tive nenhuma complicação. Desta vez, percebo ainda mais como o acompanhamento médico foi importante para identificar as condições que exigem mais cuidados. Nunca deixei de comparecer às consultas e isso me traz tranquilidade”, relata.

Quem está grávida e ainda não iniciou o acompanhamento deve começar pela UBS mais próxima de casa: é lá que se decide se o caso segue para o pré-natal de alto risco no HRSM.

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