Parto normal ou cesariana: médica do HRSM explica quando cada um é indicado
Obstetra do Hospital Regional de Santa Maria lista as indicações de cesariana e explica como a gestante chega ao pré-natal de alto risco pelo SUS no DF.

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A ginecologista e obstetra Rafaella Torres, do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), diz que não há fórmula pronta para escolher entre parto normal e cesariana. A decisão depende da saúde da mãe e do bebê, da evolução da gestação e da avaliação médica no momento do parto. A orientação foi divulgada pela Agência Brasília nesta segunda-feira (2).
O HRSM é referência em atendimento obstétrico a gestantes de alto risco e é administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Segundo a médica, o cuidado começa bem antes do parto, com o pré-natal.
O que a médica diz que pesa na decisão
“A escolha é individualizada e leva em consideração diversos fatores, como hipertensão, diabetes, localização da placenta, idade gestacional, desenvolvimento fetal, gravidez gemelar e a progressão do trabalho de parto”, explica Rafaella Torres. Ela acrescenta que os desejos da futura mãe também entram na conta, desde que não haja contraindicação.
Para mulheres sem complicações, o parto vaginal costuma ser a via recomendada. A recuperação é mais rápida, e o risco de infecção, de sangramento e de complicações em gestações futuras é menor.
Quando a cesariana é a indicação
A cesariana entra quando o parto vaginal oferece mais risco para a mãe ou para o bebê. A tabela resume as situações que o hospital citou.
| Situação | O que significa |
|---|---|
| Placenta prévia | A placenta fica à frente do canal de parto |
| Ruptura uterina | Rompimento do útero, situação que o hospital lista entre as indicações de cesariana |
| Prolapso do cordão umbilical | O cordão desce pelo canal de parto antes do bebê |
| Sofrimento fetal persistente | Sinais de comprometimento do bebê que não cedem |
| Doenças maternas graves | O quadro da mãe torna o parto vaginal mais arriscado |
| Posições fetais específicas | Posições que dificultam ou impedem o nascimento por via vaginal |
A cirurgia também pode ser necessária quando o trabalho de parto não evolui como deveria ou quando surgem sinais de comprometimento do bebê.
A obstetra faz um alerta sobre o uso sem necessidade clínica. “A cesariana é uma cirurgia de grande porte e salva inúmeras vidas quando corretamente indicada. O problema ocorre quando ela é realizada sem necessidade clínica, pois isso aumenta o risco de hemorragias, infecções, tromboses e complicações em futuras gestações”, diz.
Como chegar ao pré-natal de alto risco pelo SUS
O ambulatório do HRSM recebe todos os dias dezenas de mulheres encaminhadas para o pré-natal de alto risco. O caminho segue a regulação da rede pública do DF:
- A gestante procura a unidade básica de saúde (UBS) da sua região, que faz a avaliação inicial.
- A UBS encaminha para consultas e exames específicos.
- A solicitação é inserida no Sistema de Regulação (Sisreg), da Secretaria de Saúde (SES-DF), que organiza o atendimento.
Fora das consultas marcadas, o pronto-socorro do Centro Obstétrico (CO) do hospital atende urgências ginecológicas. Para entender como a regulação funciona em outro hospital da rede, veja como o paciente chega ao Hospital de Base pelo Sisreg. Na própria UBS, o teste de sífilis é gratuito e faz parte do pré-natal.
O relato de quem faz o acompanhamento
Fernanda Vieira, grávida do quarto filho, está com 34 semanas e é acompanhada como gestante de alto risco por causa de obesidade, diabetes e hipertensão crônica. “Nas minhas outras três gestações não tive nenhuma complicação. Desta vez, percebo ainda mais como o acompanhamento médico foi importante para identificar as condições que exigem mais cuidados. Nunca deixei de comparecer às consultas e isso me traz tranquilidade”, relata.
Quem está grávida e ainda não iniciou o acompanhamento deve começar pela UBS mais próxima de casa: é lá que se decide se o caso segue para o pré-natal de alto risco no HRSM.






