ter, 3 nov

Consultório na Rua do DF faz 17.684 atendimentos e dispensa documento

Nove equipes da SES-DF atenderam 6.827 pessoas em situação de rua em 2026; Taguatinga lidera e não é preciso apresentar documento.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Profissional de saúde com colete do Consultório na Rua em calçada de comércio, com barraca de acampamento ao fundo
Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF
Neste texto3 tópicos
  1. Quem pode procurar e o que a equipe faz
  2. Onde o atendimento se concentra
  3. Como acionar o serviço

As nove equipes do Consultório na Rua da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) fizeram 17.684 atendimentos individuais em 2026. Quem vive na rua não precisa apresentar documento para ser atendido, segundo a SES-DF, que divulgou o balanço nesta terça-feira, 3.

O número se refere a 6.827 pacientes diferentes, contados entre 1º de janeiro e 22 de outubro. Na conta simples, cada pessoa voltou a ser atendida 2,6 vezes em média no período, o que mostra que o serviço acompanha o paciente e não se limita a uma consulta avulsa.

Quem pode procurar e o que a equipe faz

O público é a população em situação de rua. Segundo a SES-DF, os profissionais atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e também em territórios, abrigos e creches, de forma itinerante, às vezes em parceria com as ações das UBSs.

O rol de procedimentos informado pela secretaria:

  • consultas clínicas;
  • troca de curativos;
  • coleta de exames;
  • aplicação de medicamentos;
  • vacinação;
  • encaminhamento para serviços especializados da rede pública.

Cada equipe reúne médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, além de profissionais de nível médio. A SES-DF afirma que, pela condição de vulnerabilidade, a identidade não é exigida para o acesso às unidades da rede.

Onde o atendimento se concentra

A Região de Saúde Sudoeste, que inclui Águas Claras, Recanto das Emas, Samambaia, Taguatinga, Vicente Pires e Água Quente, registrou 5.941 atendimentos, o equivalente a cerca de um terço do total do Distrito Federal. Só a UBS 5 de Taguatinga responde por 4.746 deles, ou seja, quatro de cada cinco registros da região e mais de um quarto de tudo o que as equipes fizeram no DF.

A Região Central, formada por Plano Piloto, Cruzeiro, Sudoeste, Lago Norte, Lago Sul e Varjão, aparece em segundo, com 3.086 atendimentos. Somadas, as duas regiões ficam com pouco mais da metade das 17.684 ocorrências. Os dados da secretaria não detalham os números das demais regiões de saúde.

Homens receberam 12.018 atendimentos, 68% do total. A faixa de 35 a 54 anos concentrou 9.725 registros, mais da metade. Esses recortes dizem respeito a atendimentos, não a pessoas: um mesmo paciente pode aparecer várias vezes.

As equipes de Consultório na Rua existem em todo o país desde a Portaria 122 do Ministério da Saúde, de 25 de janeiro de 2011, que fixou as diretrizes de organização e funcionamento dessas equipes e criou um incentivo financeiro mensal para custeá-las. Em 2014, a Portaria 1.029 ampliou a lista de categorias profissionais que podem integrá-las. A norma prevê que a equipe use, quando preciso, a estrutura das UBSs do território, o que explica a concentração de atendimentos em unidades como a UBS 5 de Taguatinga.

A nota da SES-DF não informa quantas pessoas vivem hoje nas ruas do DF nem qual parcela delas foi alcançada pelas nove equipes. Sem esse denominador, os 6.827 pacientes mostram o volume do serviço, não a cobertura.

Como acionar o serviço

A nota da SES-DF não divulga telefone nem escala de horários, porque as equipes se deslocam. Quem precisa de atendimento, ou quer indicar alguém que vive na rua e está doente, pode procurar a UBS mais próxima, onde o acesso não depende de documento. A Ouvidoria do GDF recebe pedidos e reclamações pelo telefone 162.

O balanço entra num conjunto maior de ações da rede de assistência. O SouBrasília já noticiou a ação de acolhimento em 28 pontos do DF e a ação de acolhimento em Taguatinga, região que lidera os atendimentos do Consultório na Rua.

A íntegra do balanço está na página da Secretaria de Saúde do DF. A pasta não informou, até a publicação, se há previsão de novas equipes.

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