O Ministério da Justiça e Segurança Pública deflagrou a segunda fase da Operação Última Chamada, que fiscaliza lojas suspeitas de vender celulares sem origem comprovada. A ação começou em 16 de setembro de 2026 e reúne a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a Receita Federal, as receitas estaduais e o Procon.
Nesta etapa, o alvo deixou de ser apenas o aparelho roubado e passou a ser o ponto de venda. A Receita Federal informou que participa da operação em oito estados, com 67 servidores designados para fiscalizar 72 pontos de venda de aparelhos comercializados de forma irregular.
O que muda em relação à primeira fase
A edição de agosto se concentrou em recuperar aparelhos roubados ou furtados e em notificar quem estava com um celular registrado como objeto de crime. A segunda fase foca o elo comercial da cadeia: estabelecimentos que revendem aparelhos com pendência de origem, irregularidade fiscal ou problema de nota junto às receitas federal e estaduais.
Segundo a Receita Federal, em nota publicada em 17 de setembro, a primeira edição terminou com estes números:
- 9.989 celulares recuperados;
- 396 prisões em flagrante;
- 601 estabelecimentos comerciais fiscalizados;
- 51.604 notificações enviadas a pessoas que estavam com aparelhos identificados como objeto de crime.
Em balanço parcial divulgado em 19 de agosto, ainda com a operação em curso, o Ministério da Justiça contabilizava 6.052 aparelhos recuperados entre os dias 10 e 19 daquele mês, além de 97 prisões em flagrante, 227 estabelecimentos fiscalizados e mais de 100 inquéritos policiais abertos. Os dois números são oficiais e se referem a recortes diferentes de tempo.
Celular Seguro e consulta de IMEI: o que o usuário pode fazer
A operação se apoia em duas ferramentas que estão à disposição de quem teve o aparelho levado e de quem pretende comprar um celular usado. A primeira é o Celular Seguro, aplicativo federal em que a vítima aciona o bloqueio do aparelho e das contas bancárias por meio de pessoas de confiança previamente cadastradas. Segundo o Ministério da Justiça, o sistema registrou 626.633 cadastros de CPF entre janeiro e julho de 2026.
A segunda é o Banco Nacional de Celulares com Restrição, que permite conferir se um aparelho tem registro de roubo, furto ou perda antes da compra. A pasta informou que foram feitas 850.376 consultas de IMEI no mesmo período. O IMEI é o número de 15 dígitos que identifica o aparelho e aparece ao digitar *#06# no teclado do telefone.
Se você já foi vítima, a ordem prática das primeiras horas é esta:
- acionar o bloqueio pelo Celular Seguro ou pelo aplicativo do banco, para travar as contas antes do chip;
- pedir à operadora o bloqueio do IMEI, que inutiliza o aparelho em qualquer rede no país;
- registrar a ocorrência na delegacia eletrônica, porque é o boletim que alimenta a base de aparelhos com restrição;
- avisar contatos próximos, já que o golpe mais comum depois do roubo é o pedido de dinheiro por aplicativo de mensagem.
Quem quiser se preparar antes encontra o passo a passo do cadastro em Celular Seguro: como cadastrar o aparelho antes de ser roubado.
O indicador que o governo usa para medir o resultado
O Ministério da Justiça atribui à combinação entre bloqueio de IMEI e fiscalização do comércio a queda de 4,5% nos registros de roubo e furto de celular no primeiro trimestre de 2026, de 225.644 para 215.589 casos na comparação com o mesmo período do ano anterior. A lógica declarada é conhecida: sem comprador, o aparelho roubado perde valor e o crime perde o incentivo.
A operação tem caráter permanente, segundo o ministério, e novas fases devem ocorrer ao longo do ano. Para o consumidor, a consequência direta é que comprar celular em loja sem nota fiscal virou um risco duplo, o de perder o dinheiro e o de ficar com um aparelho que pode ser bloqueado a qualquer momento.
Perguntas frequentes
Como saber se um celular usado é roubado antes de comprar?
Consulte o IMEI do aparelho no Banco Nacional de Celulares com Restrição, do Ministério da Justiça. O IMEI aparece ao digitar *#06# no teclado do telefone. Se houver registro de roubo, furto ou perda, o aparelho pode ser bloqueado.
O que é a Operação Última Chamada?
É uma ação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, pela Senasp, em conjunto com Receita Federal, receitas estaduais e Procon, contra a cadeia de receptação e venda irregular de celulares. A primeira fase ocorreu em agosto de 2026 e a segunda começou em 16 de setembro.
O que fazer nas primeiras horas depois de ter o celular roubado?
Acionar o bloqueio pelo aplicativo Celular Seguro ou pelo app do banco, pedir à operadora o bloqueio do IMEI, registrar a ocorrência na delegacia eletrônica e avisar contatos próximos sobre o risco de golpe por aplicativo de mensagem.








