Tratadora do canil do Senado morre apos ser atacada por cao

agosto 23, 2026
Torres do Congresso Nacional, em Brasilia, vistas de baixo contra o ceu azul

Morreu no sábado, 22, a tratadora de animais Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, atacada por um cão no canil do Senado Federal quatro dias antes. Ela estava internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base, em Brasília, e não resistiu aos ferimentos. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.

Vitória atuava no Serviço de Cinotecnia da Casa, setor que cuida dos cães usados no trabalho de segurança do Senado. O ataque ocorreu na terça-feira, 18, durante suas atividades profissionais, quando ela foi mordida no pescoço por um pastor-belga.

A mordida provocou parada cardiorrespiratória. Colegas de trabalho prestaram os primeiros socorros e acionaram o Corpo de Bombeiros. Ela chegou a passar por cirurgia de emergência e permaneceu internada em estado grave até a morte.

O que diz o Senado

Em nota, o Senado Federal lamentou a morte. “O Senado Federal lamenta o falecimento de Vitória Valle de Oliveira Pinha, que atuava como tratadora de animais no Serviço de Cinotecnia da Casa”, diz o texto, que também registra a “dedicação com que sempre desempenhou suas atividades”.

A nota não informa se foi aberta apuração interna sobre as circunstâncias do ataque nem qual o destino do animal envolvido. Também não há informação divulgada sobre o protocolo de manejo em vigor no canil no dia da ocorrência.

O que é o Serviço de Cinotecnia

O canil do Senado integra a estrutura da Polícia do Senado Federal. Os cães treinados no setor são empregados em rondas, em varreduras de ambientes e no apoio à segurança das dependências do Congresso Nacional, atividade que exige treinamento continuado e manejo diário por equipe especializada.

Pastores-belgas estão entre as raças mais usadas em serviços de segurança pública e privada no Brasil, ao lado do pastor-alemão, por causa da resistência física e da resposta ao adestramento. A variedade malinois é a mais empregada nessas funções. São animais de porte médio a grande, com mordida de força elevada, cujo manejo exige equipamento de proteção e rotina de contenção.

Acidentes com animais: o que fazer

Mordidas de cão exigem atendimento no mesmo dia, mesmo quando a lesão parece superficial. O ferimento no pescoço, como no caso registrado no Senado, é o de maior gravidade porque atinge região de grandes vasos e vias aéreas.

As orientações do Ministério da Saúde para o primeiro atendimento incluem:

  • lavar o ferimento com água corrente e sabão;
  • não suturar a lesão por conta própria;
  • procurar imediatamente hospital ou Unidade Básica de Saúde;
  • informar as características do animal, para avaliação de risco de raiva;
  • seguir o esquema de vacina ou soro indicado pela unidade.

No Distrito Federal, a rede pública mantém pontos de atendimento específicos para acidentes com animais que possam transmitir o vírus da raiva. A lista é divulgada pela Secretaria de Saúde do DF.

A avaliação em unidade de saúde é obrigatória mesmo quando o animal tem tutor conhecido e vacinação em dia. O protocolo prevê observação do animal por dez dias e, conforme a gravidade e a localização da lesão, aplicação de vacina, de soro antirrábico ou dos dois. Ferimentos na cabeça, no pescoço e nas mãos entram na faixa de maior risco porque a distância até o sistema nervoso central é menor.

A campanha antirrábica em curso no DF

O caso do Senado ocorre no mesmo mês em que o Distrito Federal reforçou a vacinação antirrábica de cães e gatos. A campanha já estava programada antes da confirmação de um caso de raiva em um cão no Lago Norte, o primeiro do tipo desde 2000 na população canina local. Em gatos, o último registro é de 2001.

No sábado, 22, a ação percorreu cerca de 160 pontos das áreas urbanas do DF, e há nova etapa confirmada para o dia 29. Durante a semana, os pontos fixos atendem de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. A vacina é gratuita e pode ser aplicada a partir dos três meses de idade, com reforço anual.

São duas situações distintas. A raiva é doença transmitida por vírus e tem prevenção por vacina; o acidente por mordida é ocorrência traumática, que exige atendimento cirúrgico imediato quando atinge região vital, como no caso registrado no canil.

Na semana passada, ainda durante a internação, havia sido divulgado que Vitória passara por cirurgia e seguia em estado grave. A morte foi confirmada quatro dias depois do ataque.

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