Morre Manoel Dias, fundador do PDT e ex-ministro de Dilma, aos 88

agosto 23, 2026
O ministro do Trabalho e Emprego Manoel Dias concede entrevista diante de microfones

Morreu neste sábado (22), em Florianópolis, aos 88 anos, Manoel Dias, um dos fundadores do PDT e ministro do Trabalho e Emprego no governo Dilma Rousseff. Ele estava internado após piora do estado de saúde e havia sofrido um acidente vascular cerebral em 2025. A causa da morte não foi divulgada pela família.

Catarinense, Manoel Dias entrou na política em 1962, quando foi eleito vereador em Içara pelo PTB, o partido de Getúlio Vargas e João Goulart. O mandato durou pouco: com o golpe militar de 1964, foi cassado e preso. A trajetória seguinte é a de um quadro que atravessou os dois ciclos de fechamento do regime.

Em 1965, participou da fundação do MDB em Santa Catarina, a legenda que reuniu a oposição consentida durante a ditadura. Elegeu-se deputado estadual e cumpriu mandato entre 1967 e 1971, mas foi cassado outra vez, agora sob o Ato Institucional nº 5, com os direitos políticos suspensos por dez anos. Formou-se em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Do trabalhismo de Brizola ao Ministério do Trabalho

Com a Lei da Anistia, em 1979, e a reorganização partidária do início dos anos 1980, Manoel Dias atuou ao lado de Leonel Brizola na criação do PDT, o partido que se apresentou como herdeiro do trabalhismo do PTB. Nos anos 1990, foi diretor do Banerj durante o governo Brizola no Rio de Janeiro. Disputou o governo de Santa Catarina, a vice-governança e uma vaga de deputado estadual sem se eleger.

O ponto mais alto da carreira administrativa veio em março de 2013, quando assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego a convite da presidente Dilma Rousseff, dentro da cota do PDT na base de sustentação do governo. Permaneceu no cargo até 2 de outubro de 2015, quando deixou a pasta na reforma ministerial feita no auge da crise política que levaria ao impeachment no ano seguinte.

Foram dois anos e meio à frente de uma pasta que respondia então pela política de emprego, pela fiscalização do trabalho, pelo seguro-desemprego, pelo abono salarial e pelo registro sindical, atribuições que anos depois seriam redistribuídas em sucessivas reformas administrativas. O período coincidiu com a virada do ciclo econômico e com o começo da alta do desemprego que marcaria o segundo mandato de Dilma.

Sua indicação obedeceu à lógica de composição de base que organizava o Executivo à época: o Ministério do Trabalho era historicamente ocupado por indicação do PDT, e Manoel Dias sucedeu no cargo outro nome da mesma legenda.

Fora do governo, seguiu como secretário-geral nacional do PDT e presidiu a Fundação Leonel Brizola, braço de formação política da legenda.

Repercussão e velório

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, escreveu que “hoje nos despedimos do dirigente, fundador do PDT e quem tive a alegria de chamar de amigo Manoel Dias”. A Fundação Leonel Brizola registrou que foi “uma vida inteira dedicada ao trabalhismo, à democracia e à defesa dos trabalhadores”.

O velório está marcado para esta segunda-feira (24), das 10h às 15h, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, a mesma casa onde ele cumpriu o mandato de deputado estadual cassado pelo AI-5. Manoel Dias deixa mulher, dois filhos, noras e netos.

Uma biografia que atravessa quatro fases da política brasileira

A trajetória de Manoel Dias cobre quatro momentos distintos do país. O primeiro é o trabalhismo do PTB antes de 1964, quando se elegeu vereador. O segundo é o da cassação e da prisão, repetida em 1969 sob o AI-5, com dez anos de direitos políticos suspensos. O terceiro é o da reconstrução partidária após a anistia, com a criação do PDT ao lado de Brizola. O quarto é o do exercício de cargo federal, no Ministério do Trabalho entre 2013 e 2015.

A morte chega em ano eleitoral. O calendário de 2026 já está em campanha, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro e o segundo para 25 de outubro, e o PDT disputa a eleição sob a presidência nacional de Carlos Lupi, que assinou a nota de despedida.

A Fundação Leonel Brizola, que Manoel Dias presidiu, é a entidade responsável pela formação política e pela guarda do acervo histórico da legenda, atribuição que a lei dos partidos exige de todas as siglas com representação no Congresso.

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