Júri na Bahia condena a 28 anos o 3º réu pela morte de Mãe Bernadete
Josevan Dionísio dos Santos pegou 28 anos em regime fechado no júri de Salvador. É o terceiro condenado pela morte da líder quilombola, baleada 25 vezes.

Neste texto3 tópicos
O Tribunal do Júri de Salvador condenou Josevan Dionísio dos Santos a 28 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete. A sessão foi na terça-feira (13), no Fórum Ruy Barbosa. Ele é o terceiro condenado pelo crime.
A informação foi divulgada pela Agência Brasil e confirmada pela CNN Brasil.
O que a acusação atribuiu a Josevan
Segundo a acusação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público da Bahia, Josevan entrou na casa armado junto com Arielson da Conceição Santos. Os netos de Mãe Bernadete foram mandados para outro cômodo e os celulares da família foram recolhidos.
Quando a líder quilombola recusou o pedido para se sentar, Josevan teria dado o primeiro tiro. Ela foi atingida por 25 disparos. De acordo com a CNN Brasil, os investigadores chegaram a ele por depoimentos de testemunhas e pelo rastreamento dos aparelhos levados da casa.
A CNN Brasil informou que tentava contato com a defesa e não tinha obtido resposta até a publicação.
Como o caso chegou ao terceiro júri
O crime aconteceu em 17 de agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Em julho de 2024, o Ministério Público da Bahia informou que denunciou cinco homens por homicídio qualificado, por motivo torpe, de modo cruel e sem chance de defesa da vítima. Josevan e Ydney Carlos dos Santos de Jesus estavam foragidos na época, e por isso a ação contra eles foi desmembrada.
Para o MP, Mãe Bernadete foi morta por se opor ao avanço do tráfico de drogas na comunidade e à construção irregular de um ponto de venda do grupo em área de preservação ambiental.
Em abril deste ano, o júri condenou os dois primeiros réus. Arielson recebeu 40 anos, 5 meses e 22 dias de reclusão, e Marílio dos Santos, 29 anos e 9 meses. Nós acompanhamos a retomada daquele julgamento em Salvador. Segundo a Agência Brasil, outros dois réus ainda serão julgados.
Quem era Mãe Bernadete
Ialorixá e liderança da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), ela foi secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho. Denunciava ameaças de morte havia anos e, desde 2017, cobrava justiça pelo assassinato do filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo. Segundo a Agência Brasil, esse crime ainda não foi esclarecido.
Os dois júris de abril e o de outubro ocorreram em Salvador, para onde o caso foi levado a fim de garantir um julgamento imparcial. Como o Distrito Federal também tem júris de homicídio em Brasília, o rito é o mesmo: sete jurados decidem em plenário.
Restam réus sem data confirmada de julgamento, segundo a Agência Brasil.





