Juros do crédito livre às famílias chegam a 62,4% ao ano e endividamento vai a 50,1%
O BC informou que o crédito livre às famílias custa 62,4% ao ano e que o endividamento chegou a 50,1% da renda em agosto. Veja a tabela de taxas.

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A taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas chegou a 62,4% ao ano em setembro, alta de 0,6 ponto percentual sobre agosto e de 3,7 pontos em 12 meses, segundo a nota de estatísticas monetárias e de crédito que o Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira, 29. No mesmo documento, o endividamento das famílias aparece em 50,1% em agosto.
Os dados são nacionais: a nota do BC não separa o Distrito Federal. Servem de régua para quem toma empréstimo, parcela compra no cartão ou tem prestação de carro a pagar, e mostram o crédito ficando mais caro enquanto o estoque de dívida das famílias cresce.
Quanto custa o crédito hoje
| Indicador (setembro de 2026) | Taxa | Em 12 meses |
|---|---|---|
| Novas contratações, todas as modalidades | 32,4% ao ano | +0,9 ponto |
| Todo o crédito livre | 49,0% ao ano | +3,2 pontos |
| Livre, pessoas físicas | 62,4% ao ano | +3,7 pontos |
| Livre, empresas | 24,4% ao ano | +0,2 ponto |
| Spread bancário | 21,6 pontos | +1,0 ponto |
Crédito livre é aquele em que o banco e o cliente combinam a taxa. Na pessoa física, entram o cartão de crédito rotativo, o cheque especial, o crédito pessoal e o financiamento de veículos. Na nota, o BC afirma que o rotativo do cartão foi o destaque da alta no mês, com aumento de 6,8 pontos percentuais na taxa média da modalidade. O spread é a diferença entre o que o banco cobra do cliente e o que paga para captar dinheiro.
O que mudou na inadimplência
A inadimplência da carteira total do sistema financeiro ficou em 5,0% em setembro, estável no mês e 0,9 ponto acima de um ano antes. Nas famílias, o índice permaneceu em 6,0%, e nas empresas recuou 0,1 ponto, para 3,3%.
No crédito livre, o atraso das pessoas físicas é maior: 8,1%, com alta de 0,1 ponto no mês e de 1,2 ponto em 12 meses. No crédito direcionado, que reúne financiamento imobiliário e rural, a inadimplência das famílias é de 3,4%, com recuo de 0,2 ponto no mês.
Quanto da renda já está comprometida
O BC mede o endividamento como o saldo das dívidas das famílias com o sistema financeiro em relação à renda acumulada em 12 meses. Em agosto, o índice foi a 50,1%, com alta de 0,2 ponto no mês e de 1,2 ponto em um ano. O comprometimento de renda, que é a parcela da renda mensal que vai para juros e amortização, subiu 0,2 ponto em agosto e 1,4 ponto em 12 meses, e chegou a 29,0%.
O estoque total de crédito do sistema financeiro somou R$ 7,4 trilhões em setembro, com avanço de 0,4% no mês e de 8,6% em 12 meses. Às famílias foram R$ 4,7 trilhões, com alta de 9,9% em um ano. No crédito livre às famílias, a nota cita como determinantes o consignado, para beneficiários do INSS e trabalhadores do setor privado, e a compra de veículos. As concessões de crédito caíram 1,3% no mês, já sem os efeitos sazonais: recuaram 3,4% nas operações com empresas e subiram 0,6% nas com famílias.
Onde conferir o seu caso
A nota completa, com os gráficos, está na página de estatísticas monetárias e de crédito do Banco Central. Quem quiser ver as próprias dívidas no sistema financeiro pode consultar o Registrato, serviço gratuito do BC, em registrato.bcb.gov.br.
O SouBrasília mostrou ontem que o BC contabilizou 20,3 milhões de brasileiros em endividamento de risco, e já havia publicado a pesquisa da CNC sobre o endividamento de 82% das famílias, que usa outra metodologia.






