sáb, 31 out

Mercado projeta inflação de 5,3% em 2027 após a reeleição de Lula, aponta pesquisa da BGC

Pesquisa da BGC Liquidez com cerca de 30 analistas projeta IPCA de 5,3% em 2027, contra 4,34% no Focus anterior ao segundo turno.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Torres de vidro da sede do Banco Central do Brasil em Brasília ao entardecer
Foto: Paulo Rená/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
Neste texto3 tópicos
  1. Por que a BGC enxerga mais inflação em 2027?
  2. O que mais pesa no cenário
  3. O que vem a seguir para os juros

Os analistas de mercado passaram a projetar inflação de 5,3% para 2027 depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, segundo pesquisa da corretora BGC Liquidez divulgada neste sábado (31). Antes da votação, o boletim Focus, do Banco Central, apontava 4,34% para o mesmo ano.

O levantamento ouviu cerca de 30 participantes do mercado, entre gestores e mesas de tesouraria de bancos. A mediana, que descarta os valores muito altos e muito baixos, ficou em 5,3% para o IPCA de 2027 e em 4,3% para o fim de 2028. No Focus anterior ao segundo turno, as medianas eram 4,34% e 3,75%. A meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que põe o teto em 4,5%.

As informações foram publicadas pela Folhapress e reproduzidas pelo Jornal de Brasília. A BGC não divulgou o relatório completo; os números acima são os que a reportagem apresenta.

Por que a BGC enxerga mais inflação em 2027?

O economista de inflação e commodities da corretora, Carlos Thadeu, ligou o salto a dois fatores: a ausência de uma âncora fiscal, diante da avaliação de que o governo vai gastar mais, e a alta do dólar. A moeda americana saiu de R$ 4,99 no fechamento de 23 de outubro para R$ 5,44 no fechamento desta sexta-feira (30), como mostra o balanço da semana pós-eleição publicado aqui.

"O mercado estava disposto a dar o benefício da dúvida para o Flávio Bolsonaro, com a expectativa de cortes de gastos e Selic mais baixa. Com a reeleição do Lula, essa precificação foi devolvida", disse Thadeu, segundo a Folhapress.

Pelas contas do economista, a maior pressão sobre o IPCA de 2027 vem dos preços administrados, em especial os combustíveis. O preço da gasolina e do diesel acompanha o mercado internacional, e o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, de modo que um real mais fraco encarece o combustível dentro do país. Sem os riscos fiscais, disse ele, o câmbio de equilíbrio ficaria perto de R$ 4,50 ou abaixo disso.

Thadeu citou ainda a aprovação do fim da escala 6x1 como fonte de pressão. Na estimativa dele, passar para a escala 5x2 exige pelo menos 10% a mais de mão de obra. O dado é uma estimativa do próprio economista, não um cálculo oficial.

O que mais pesa no cenário

Segundo a pesquisa, 11% dos participantes enxergam inflação acima de 6% em dezembro de 2027. A preocupação central dos economistas, de acordo com a reportagem, é o quadro fiscal: a Folha de S.Paulo mostrou que o ajuste necessário é de ao menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos, com a dívida bruta perto de 83% do PIB, o maior nível em cinco anos. O governo prevê déficit de R$ 67,3 bilhões neste ano, ou 0,5% do PIB.

A BGC costuma antecipar em cerca de duas semanas o resultado do Focus, porque seus entrevistados revisam as projeções mais rápido. O Banco Central divulga o próximo Focus na terça-feira (3), conforme a Folhapress. O boletim de 26 de outubro, detalhado nesta página, foi coletado até 23 de outubro, antes do resultado das urnas.

O que vem a seguir para os juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne em 3 e 4 de novembro, com a Selic em 13,75% ao ano, segundo o calendário do Banco Central. A decisão sai na quarta-feira (4). A projeção de inflação de 2027 é um dos dados que o comitê leva em conta ao decidir se mantém ou corta a taxa; a página sobre a Selic reúne a decisão de setembro.

Para quem tem dívida atrelada ao IPCA ou contratos reajustados pelo índice, como aluguéis em geral corrigidos por IGP-M ou IPCA, a projeção ainda é uma estimativa de analistas, e não um número oficial. O dado definitivo de cada mês sai do IBGE.

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