ter, 27 out

Ataques cibernéticos a bancos batem recorde: BC registra 99 incidentes até setembro

Banco Central contou 99 incidentes cibernéticos até setembro, mais que os 76 de todo 2025; fraudes são 68,7%. Veja o que o relatório diz e o que fazer.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Edifício-sede do Banco Central do Brasil em Brasília sob céu azul
Foto: Banco Central do Brasil (CC BY 2.0, Wikimedia Commons)
Neste texto4 tópicos
  1. Quantos ataques o Banco Central contou
  2. Como os criminosos entram, segundo o BC
  3. O que o relatório diz sobre o impacto
  4. O que o morador do DF pode fazer diante de uma fraude

O sistema financeiro brasileiro registrou 99 incidentes cibernéticos até setembro de 2026, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) divulgado nesta terça-feira, 27, pelo Banco Central. O número já supera os 76 casos de todo o ano de 2025 e marca recorde, segundo o BC.

Quantos ataques o Banco Central contou

Em nove meses, as ocorrências cresceram cerca de 30% sobre o total do ano passado inteiro. Dos 99 episódios comunicados ao BC, 68 foram classificados como fraude, ou 68,7% do total. Em 2025 foram 39 fraudes, cerca de 51% dos incidentes. Só nesse tipo de ocorrência, o aumento é de aproximadamente 74%, com três meses ainda por contar.

A informação foi publicada pela Metrópoles e confirmada por O Globo, CNN Brasil e Valor Econômico, que citam o mesmo relatório.

Como os criminosos entram, segundo o BC

O relatório descreve um padrão de ataque que mostra conhecimento do funcionamento do sistema financeiro. Entre as estratégias listadas estão:

  • acesso indevido a sistemas das instituições;
  • uso de credenciais legítimas de funcionários e de prestadores de serviço;
  • exploração de falhas em APIs, as interfaces que permitem a troca de dados entre sistemas de empresas diferentes;
  • ataques a fornecedores de tecnologia terceirizados, cujo problema de segurança pode atingir várias instituições ligadas à mesma infraestrutura.

O BC atribui parte do aumento à digitalização dos serviços financeiros e à integração maior entre bancos, instituições de pagamento e fornecedores. Também afirma que sistemas de detecção mais fortes ajudam a identificar e comunicar mais episódios, o que eleva a contagem sem que isso signifique, por si só, mais ataques bem-sucedidos.

O que o relatório diz sobre o impacto

Segundo o Banco Central, os ataques não comprometeram o funcionamento do sistema financeiro nacional. O relatório reconhece, porém, que alguns episódios causaram perdas financeiras relevantes às instituições atingidas. A autoridade monetária informou que continuará acompanhando os incidentes e desenvolvendo medidas para reforçar a segurança cibernética e a capacidade de resposta dos bancos.

O REF trata de incidentes nas instituições, não de golpes contra o cliente individual. O documento não detalha quantos correntistas foram afetados nem em quais estados.

O que o morador do DF pode fazer diante de uma fraude

Quem identifica uma movimentação que não reconhece deve avisar o banco ou a instituição de pagamento imediatamente, pelo canal oficial do aplicativo, e guardar protocolo e comprovantes. Em seguida, vale registrar a ocorrência na Polícia Civil do DF: o boletim de ocorrência online da PCDF atende esse tipo de caso sem sair de casa. Se o banco não resolver, a reclamação pode ser levada ao próprio Banco Central.

O mesmo relatório trouxe outro dado que mexe com o bolso: o BC contou 20,3 milhões de brasileiros na categoria de endividados de risco em junho. Fonte: Relatório de Estabilidade Financeira, Banco Central do Brasil, outubro de 2026.

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