Vice de Celina declara R$ 46,7 milhões, o maior patrimônio do GDF

agosto 16, 2026
Motocicletas clássicas enfileiradas, em referência às motos de coleção declaradas na disputa

O candidato a vice-governador na chapa de Celina Leão (PP), o ex-chefe da Casa Civil Gustavo Rocha (Republicanos), declarou R$ 46,7 milhões em bens à Justiça Eleitoral, o maior patrimônio informado entre os nomes que disputam o Palácio do Buriti em 2026. Os dados constam do pedido de registro protocolado no sábado, 15, último dia do prazo fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A diferença dentro da própria chapa chama atenção. Celina Leão, que tenta a reeleição, declarou R$ 440 mil, valor cerca de cem vezes menor que o do companheiro de chapa. Em 2022, quando disputou o cargo de vice, ela havia informado R$ 299,1 mil.

O que Gustavo Rocha declarou

Segundo os dados enviados ao TSE e detalhados pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, a maior parcela do patrimônio de Gustavo Rocha está em aplicações financeiras de renda fixa, como CDB e RDB, somando R$ 26,8 milhões. Coleções de veículos aparecem em seguida na lista.

  • Aplicações de renda fixa (CDB e RDB): R$ 26,8 milhões
  • Motocicletas de coleção: R$ 6 milhões
  • Carros de coleção: R$ 1,6 milhão
  • Demais bens declarados: imóveis, ações, dinheiro em espécie, previdência privada, jet ski e relógios

Advogado de formação, Gustavo Rocha comandou a Casa Civil do GDF antes de deixar o cargo para viabilizar a candidatura, movimento exigido pela legislação eleitoral para ocupantes de cargos no Executivo que disputam o pleito. O nome dele foi confirmado como vice na convenção da federação União Progressista, em 2 de agosto, e oficializado pelo Republicanos.

Como ficam as chapas ao Buriti

A comparação entre as chapas registradas mostra um padrão que se repete na disputa distrital: o cabeça de chapa declara patrimônio modesto e o candidato a vice concentra a maior parte dos bens.

  • Celina Leão (PP): R$ 440 mil. Vice Gustavo Rocha (Republicanos): R$ 46,7 milhões
  • José Roberto Arruda (PSD): R$ 830,2 mil. Vice Luiz Pitiman (PSD): R$ 26,2 milhões
  • Paula Belmonte: R$ 10 milhões, conforme o registro apresentado ao TSE

A declaração de bens é obrigatória e integra o pedido de registro de candidatura. Nela, o candidato informa imóveis, veículos, embarcações, participações societárias, aplicações e saldos bancários pelos valores de aquisição, e não pelo preço de mercado. É por isso que imóveis antigos costumam aparecer com valores bem abaixo do que valeriam hoje, e a regra vale para todos os concorrentes.

Os valores também não são corrigidos pela inflação de uma eleição para outra, o que distorce comparações entre pleitos diferentes. Um patrimônio que aparece estável entre 2022 e 2026 encolheu, em poder de compra, no período.

O que acontece agora

Com o fim do prazo de registro, às 19h do sábado, começa a fase de impugnação. Nela, o Ministério Público Eleitoral, partidos, federações e coligações podem contestar candidaturas antes do julgamento pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). A análise leva em conta requisitos como filiação partidária, quitação eleitoral, prestação de contas e enquadramento na Lei da Ficha Limpa.

Divergências na declaração de bens não impedem, por si sós, o registro, mas podem virar objeto de representação e de checagem cruzada com a declaração de Imposto de Renda enviada à Receita Federal. As informações de todos os candidatos ficam disponíveis para consulta pública no sistema DivulgaCandContas, do TSE.

Como consultar o patrimônio dos candidatos

O DivulgaCandContas é aberto e não exige cadastro. A consulta é feita por eleição, unidade da Federação e cargo, e cada candidato tem uma ficha com dados pessoais, partido, número, situação do registro e a relação completa dos bens declarados, item por item, com o valor informado.

A mesma ficha reúne, mais adiante na campanha, a prestação de contas com doações recebidas e gastos declarados. É por ali que se acompanha quem financia cada candidatura, informação que passa a ser atualizada ao longo do período eleitoral.

Vale a comparação entre eleições. Um candidato que declarou determinado valor em 2022 e informa outro em 2026 mostra a variação do próprio patrimônio no intervalo, ainda que sem correção monetária. Crescimento expressivo sem origem declarada é o tipo de dado que costuma render representação no Ministério Público Eleitoral.

A disputa pelo Buriti tem sete candidatos. O primeiro turno ocorre em 4 de outubro, com segundo turno em 25 de outubro, se nenhum nome alcançar mais da metade dos votos válidos.

Leia também: Arruda declara R$ 830,2 mil ao TSE e vice da chapa, R$ 26,2 milhões.

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