Governo define setores prioritários para crédito de R$ 15 bilhões via BNDES

abril 17, 2026
Governo define setores prioritários para crédito de R$ 15 bilhões via BNDES

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) os setores que terão prioridade no acesso ao crédito de R$ 15 bilhões criado para atenuar os impactos da guerra no Oriente Médio e das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A medida também apoia segmentos estratégicos com déficit na balança comercial, como indústria farmacêutica e tecnologia da informação.

Os detalhes foram apresentados pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, em coletiva no Palácio do Planalto. O plano será operacionalizado pelo BNDES e é a segunda etapa do Programa Brasil Soberano, lançado em 2025 para empresas exportadoras impactadas pelo tarifaço dos EUA.

“São R$ 15 bilhões para apoiar quem foi afetado pelo tarifaço americano, quem está tendo dificuldade para exportar para o Golfo Pérsico e aqueles setores estratégicos, especialmente aqueles que têm um déficit na balança comercial. Saúde, TI, químico, são os setores que têm um déficit maior na balança comercial”, afirmou Alckmin. As tarifas de 50% impostas por Donald Trump foram derrubadas pela Suprema Corte americana em outubro de 2025 e fixadas em 15% para todos os países.

Três grupos têm direito ao crédito, segundo Portaria Interministerial do MDIC. O primeiro reúne exportadores de bens industriais e fornecedores afetados pelas tarifas, com faturamento de exportação de 5% ou mais entre agosto de 2024 e julho de 2025. As mais atingidas são empresas do aço, cobre e alumínio (50% de tarifa), peças automotivas e móveis (25%).

O segundo grupo abrange setores estratégicos: têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, máquinas e equipamentos eletrônicos e de informática, borracha e minerais críticos. O terceiro inclui exportadores para o Golfo Pérsico, com vendas para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã.

As linhas financiam capital de giro, aquisição de bens de capital, ampliação produtiva e inovação tecnológica. As taxas vão de 0,94% ao mês (investimentos) a 1,28% (capital de giro) no BNDES direto; nas contratações indiretas, vão de 1,06% a 1,41%. Carências variam de 1 a 4 anos, com prazos de quitação entre 5 e 20 anos.