qui, 29 out

Governo Central tem superávit de R$ 4,8 bi em setembro, mas acumula déficit de R$ 90,2 bi no ano

O Tesouro informou superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro, ante déficit de R$ 14,4 bilhões um ano antes. De janeiro a setembro, o déficit é de R$ 90,2 bilhões.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Notas de 100 reais empilhadas sobre superfície azul, com uma delas à frente
Foto: Pexels
Neste texto3 tópicos
  1. De onde veio o dinheiro de setembro
  2. Para onde foi o gasto
  3. O ano ainda está no vermelho

O Governo Central fechou setembro com superávit primário de R$ 4,8 bilhões, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (29). Em setembro de 2025 o resultado tinha sido um déficit de R$ 14,4 bilhões, uma virada de R$ 19,2 bilhões em um ano. No acumulado de janeiro a setembro, porém, as contas seguem no vermelho: déficit de R$ 90,2 bilhões.

O Governo Central soma Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. O resultado primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros da dívida pública. Superávit significa que sobrou dinheiro antes de pagar juros; déficit, que faltou.

De onde veio o dinheiro de setembro

A receita líquida cresceu 13,6% acima da inflação na comparação com setembro de 2025, um acréscimo de R$ 24,6 bilhões. As despesas subiram bem menos, 2,4%, ou R$ 4,7 bilhões. Segundo o Tesouro, três fontes puxaram a arrecadação:

  • Petróleo e gás: as receitas de exploração de recursos naturais subiram R$ 5,7 bilhões em termos reais (alta de 71,9%), por causa da valorização internacional do petróleo, do aumento da produção e da comercialização de óleo e gás da União pela Pré-Sal Petróleo (PPSA).
  • Precatórios cancelados: o grupo das demais receitas não administradas avançou R$ 12,8 bilhões, em boa parte pela devolução à União de recursos de precatórios de exercícios anteriores cancelados pelo Judiciário. É uma entrada extraordinária, que não se repete todo mês.
  • Imposto de Renda: a arrecadação cresceu R$ 7,3 bilhões acima da inflação, puxada sobretudo pelo IR da pessoa jurídica. O imposto de exportação sobre óleo bruto rendeu mais R$ 2,9 bilhões no mês.

Quem acompanha o balanço da arrecadação federal de setembro já tinha visto o IR e o petróleo na frente. O relatório do Tesouro mostra o que sobrou depois que a despesa entra na conta.

Para onde foi o gasto

Do lado da despesa, os créditos extraordinários aumentaram R$ 9,9 bilhões. A maior parte, diz o Tesouro, serviu para reduzir os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio. Desse total, R$ 7,6 bilhões foram subvenções à produção e à importação de diesel e derivados, o mecanismo por trás da subvenção ao diesel renovada por 30 dias.

Os benefícios previdenciários cresceram R$ 2,1 bilhões acima da inflação. O Tesouro atribui a alta ao maior número de beneficiários do Regime Geral de Previdência Social e à política de valorização real do salário mínimo. Parte dessa pressão foi compensada por uma queda de R$ 8,4 bilhões, em termos reais, nas despesas discricionárias, aquelas que o governo pode adiar ou cortar, como investimentos e custeio.

Item (setembro, acima da inflação)Variação
Receita líquida+13,6% (R$ 24,6 bi)
Despesas+2,4% (R$ 4,7 bi)
Receitas de petróleo e recursos naturais+71,9% (R$ 5,7 bi)
Imposto de Renda+R$ 7,3 bi
Créditos extraordinários+R$ 9,9 bi
Benefícios previdenciários+R$ 2,1 bi
Despesas discricionárias-R$ 8,4 bi

O ano ainda está no vermelho

De janeiro a setembro, o Governo Central acumula déficit primário de R$ 90,2 bilhões, contra déficit de R$ 100,3 bilhões no mesmo período de 2025. A diferença a favor de 2026 é de R$ 10,1 bilhões, mesmo com o resultado ainda negativo. Boa parte da entrada de setembro veio de receitas que variam com o preço do petróleo e de uma devolução de precatórios que, pela própria natureza, não é recorrente.

A meta fiscal de 2026 prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias é de superávit primário de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos. Os juros da dívida pública ficam de fora desse número: o resultado nominal, que os inclui, é apurado e divulgado pelo Banco Central.

Os valores acima constam do relatório do Tesouro Nacional divulgado nesta quinta-feira (29) e foram reportados pela Agência Brasil. A tabela traz as variações reais, descontada a inflação, citadas pelo Tesouro.

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