sex, 6 nov

Governo central fecha junho com déficit primário de R$ 48,178 bilhões

O resultado de junho ficou pior que a projeção do mercado e levou o rombo do ano a R$ 92,227 bilhões. As despesas cresceram 12,3% em termos reais no acumulado de 2026.

Por Denver Moura 3 min de leitura
Fachada do Palácio do Planalto vista da via, com ônibus do transporte público em primeiro plano
Neste texto5 tópicos
  1. Como junho se compara
  2. Despesa cresce mais que receita no ano
  3. Por que isso chega ao bolso
  4. O que vem pela frente
  5. Perguntas frequentes

O governo central registrou déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, informou o Tesouro Nacional na quinta-feira, 30. O número ficou pior que a mediana das projeções do mercado, que apontava rombo de R$ 47,20 bilhões, e levou o resultado acumulado de 2026 a um déficit de R$ 92,227 bilhões.

O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento de juros da dívida pública. O recorte do governo central reúne as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central, e é o indicador mais acompanhado para avaliar se a meta fiscal do ano será cumprida.

Como junho se compara

O déficit de junho foi menor que o de maio, quando o rombo chegou a R$ 53,257 bilhões. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, porém, houve piora: em junho de 2025, o déficit primário do governo central tinha sido de R$ 44,216 bilhões.

Junho é historicamente um mês de resultado negativo, porque concentra despesas sem a contrapartida de arrecadação de tributos com recolhimento concentrado em outros períodos. A leitura relevante é a tendência do acumulado, e ela mostra despesa crescendo mais rápido que receita.

Despesa cresce mais que receita no ano

Em junho, as despesas do governo central subiram 9% na comparação com o mesmo mês de 2025, já descontada a inflação. As receitas totais avançaram 10,2% em termos reais no mesmo recorte. No mês isolado, portanto, a receita cresceu mais.

O quadro se inverte quando se olha o ano inteiro:

  • despesas acumuladas até junho: alta real de 12,3%;
  • receitas totais acumuladas até junho: alta real de 5,2%.

A diferença de sete pontos percentuais entre os dois lados da conta é o que explica o déficit de R$ 92,227 bilhões no semestre. Enquanto a arrecadação avança em ritmo próximo ao da atividade econômica, o gasto obrigatório cresce puxado por Previdência, benefícios sociais e despesas indexadas ao salário mínimo e à inflação.

Por que isso chega ao bolso

Déficit primário significa que o governo gastou mais do que arrecadou antes mesmo de pagar juros. A diferença é coberta com emissão de dívida, e dívida maior pressiona a taxa de juros exigida pelo mercado para financiar o Tesouro.

Esse encadeamento chega ao consumidor por três vias. A primeira é o custo do crédito: juro básico mais alto encarece financiamento imobiliário, crédito pessoal e capital de giro das empresas. A segunda é o câmbio, que reage à percepção de risco fiscal e afeta o preço de combustíveis e importados. A terceira é a própria capacidade de investimento público, já que a despesa obrigatória avança sobre o espaço que sobraria para obras e serviços.

Do lado da arrecadação, a Receita Federal vem registrando recordes mensais, o que reforça o diagnóstico de que o desequilíbrio está mais concentrado no gasto do que na receita.

O que vem pela frente

Os dados do segundo semestre costumam ser melhores que os do primeiro, porque concentram arrecadação de tributos sobre lucro e recolhimentos anuais. O Tesouro divulga o resultado de julho no fim de agosto. O Banco Central, por sua vez, publica o resultado do setor público consolidado, que inclui estados, municípios e estatais, e costuma sair poucos dias depois do dado do governo central.

Perguntas frequentes

Qual foi o déficit primário do governo central em junho de 2026?

R$ 48,178 bilhões, segundo o Tesouro Nacional. O resultado ficou pior que a mediana das projeções do mercado, de R$ 47,20 bilhões.

Quanto o governo central já acumula de déficit em 2026?

R$ 92,227 bilhões no acumulado do ano até junho.

O que é déficit primário?

É a diferença negativa entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública. O recorte do governo central reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central.

As despesas cresceram mais que as receitas em 2026?

Sim. No acumulado até junho, as despesas subiram 12,3% em termos reais e as receitas totais, 5,2%.

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