qua, 30 set
DF e Entorno

Família acolhedora no DF: Aconchego abre a 4ª turma de capacitação gratuita

Formação gratuita prepara quem quer receber em casa criança afastada da família por decisão judicial. Abertura on-line em 19 de outubro, às 19h.

Por Redação Sou Brasília 5 min de leitura
Mão de adulto segurando a mão de uma criança, em close, ao ar livre
Foto: Ante Emmanuel/Pexels
Neste texto5 tópicos
  1. O que é o serviço Família Acolhedora
  2. Quem pode se candidatar
  3. Como são os seis encontros da turma 4
  4. O que vem depois da capacitação
  5. Como se inscrever

O Grupo Aconchego abre a 4ª turma de capacitação do serviço Família Acolhedora no Distrito Federal. A palestra de abertura acontece em 19 de outubro, às 19h, pelo Google Meet, e a participação é gratuita. Depois dela vêm cinco encontros presenciais.

A formação é o caminho obrigatório para quem quer receber em casa, por um período determinado, uma criança ou um adolescente afastado da família de origem por decisão judicial. Quem só quer entender como o serviço funciona também pode assistir à palestra.

O que é o serviço Família Acolhedora

É uma medida de proteção prevista no artigo 101 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Quando a Justiça afasta uma criança da família de origem, a lei manda tentar primeiro um lar temporário e só depois o abrigo institucional. A família acolhedora recebe essa criança em casa enquanto o processo corre.

No Distrito Federal, o serviço existe desde 2019 e é executado pelo Aconchego em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) e a Vara da Infância e da Juventude do TJDFT. A política virou lei distrital em 2021, com a Lei 6.794.

A diferença para a adoção é o que mais confunde quem procura o serviço. O acolhimento é provisório e trabalha pela volta da criança à família de origem. Só quando essa reintegração se mostra impossível é que a Justiça encaminha para adoção, e aí entra outra fila, com outro cadastro.

"O acolhimento familiar envolve muito mais do que a vontade de ajudar. É preciso compreender o funcionamento do serviço, os direitos da criança e do adolescente, o caráter temporário do acolhimento e os desafios que podem surgir ao longo dessa experiência", diz Juliana Miranda, do Grupo Aconchego.

Quem pode se candidatar

Qualquer pessoa ou casal pode se inscrever, e todas as configurações familiares são aceitas. Os critérios divulgados pelo TJDFT são estes:

  • ser maior de 18 anos e morar no Distrito Federal;
  • não ter intenção de adotar e não constar no Cadastro Nacional de Adoção;
  • ter disponibilidade afetiva, emocional e física para cuidar;
  • não ter antecedentes criminais;
  • ter a concordância de todos os moradores da casa.

A lei distrital acrescenta exigências próprias: idade mínima de 25 anos, moradia fixa no DF há mais de dois anos, comprovante de atividade remunerada de ao menos um integrante da família e certidão negativa de antecedentes de todos os maiores de 18 anos. Nenhuma criança em acolhimento pode ter parentesco com a família que a recebe.

Cartaz da capacitação turma 4 com as datas dos encontros e uma mulher segurando um bebê
O cartaz da turma 4 traz as seis datas, os horários e o local do primeiro encontro presencialArte: Divulgação/Grupo Aconchego

Como são os seis encontros da turma 4

A abertura é on-line. Os cinco encontros seguintes são presenciais, e o primeiro deles ocorre na sede do Aconchego, na Asa Sul. Os sábados são de manhã; as quartas, à noite.

EncontroDataHorárioFormato
Palestra de abertura19 de outubro, segunda19hOn-line, Google Meet
2º encontro24 de outubro, sábado9h às 12hPresencial, Aconchego Asa Sul
3º encontro4 de novembro, quarta19h às 22hPresencial
4º encontro7 de novembro, sábado9h às 12hPresencial
5º encontro14 de novembro, sábado9h às 12hPresencial
6º encontro18 de novembro, quarta19h às 22hPresencial

A palestra de abertura será conduzida por Leidiane, assistente social e técnica do serviço. O endereço dos encontros presenciais seguintes é informado pela equipe do Aconchego às famílias inscritas.

O que vem depois da capacitação

Terminar os encontros não habilita ninguém automaticamente. A família passa por entrevista com assistente social e psicólogo, recebe visita domiciliar e só então é avaliada pela equipe técnica. O estudo psicossocial previsto em lei ouve todos os moradores da casa.

Habilitada, a família fica à disposição da Vara da Infância. O acolhimento dura, em regra, até 18 meses, e a lei limita a recepção a uma criança ou adolescente por família, com exceção para grupos de irmãos. Durante o período, o Aconchego paga acompanhamento psicossocial e um auxílio financeiro de cerca de R$ 450 por mês, segundo o TJDFT. O artigo da lei distrital que tratava do subsídio foi vetado, e o pagamento corre pelo convênio do serviço.

A criança acolhida tem atendimento prioritário garantido nas redes públicas de saúde, educação e assistência social, e o direito de ficar com os irmãos na mesma casa sempre que for possível.

Gráfico de barras com 77 famílias habilitadas e 25 com criança acolhida no DF
Das 77 famílias habilitadas no DF, 25 estavam com criança em casa na contagem do TJDFTGráfico: Sou Brasília, com dados do TJDFT

Como se inscrever

  • Palestra de abertura: 19 de outubro, 19h, pelo Google Meet (link divulgado pelo Aconchego).
  • E-mail para inscrição: familiaacolhedora.aconchego@gmail.com, com nome completo e telefone.
  • Telefones: (61) 3963-5049 e (61) 99166-2649.
  • Instagram: @aconchegodf.
  • Custo: gratuito, em todas as etapas.

Quem não puder entrar na turma 4 pode deixar o contato registrado com a equipe: o Aconchego abre turmas novas ao longo do ano, e a fila de espera do serviço é maior que a de famílias disponíveis. Em Brasília, o Fórum da Infância também concentra campanhas ligadas a crianças acolhidas, como a rede Anjos do Amanhã, que completou 20 anos em setembro.

Outras mudanças recentes no Estatuto da Criança e do Adolescente também afetam o dia a dia de quem cuida, como a lei que transformou o contato com a natureza em direito da criança.

Informações repassadas à redação pela assessoria.

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