Estudo aponta subdiagnóstico da doença renal crônica no Brasil

agosto 12, 2026
Profissional de saúde com luvas realiza coleta de sangue em paciente

Um estudo com mais de 14 mil pessoas mostrou que a doença renal crônica segue subdiagnosticada no Brasil porque o exame que completa a avaliação dos rins raramente é pedido. Menos de 5% dos participantes que realizaram exame de creatinina tiveram também a albuminúria solicitada, segundo o trabalho publicado no Brazilian Journal of Nephrology e divulgado nesta quarta-feira (12). Depois de uma campanha nacional de conscientização, o índice permaneceu abaixo de 7%.

A pesquisa foi conduzida pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná em parceria com a Universidade Estadual de Campinas, a Escola Bahiana de Medicina, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e o Arbor Research Collaborative for Health.

A doença renal crônica atinge mais de 20 milhões de brasileiros, cerca de 10% da população, e mais de 170 mil pessoas dependem de terapia renal substitutiva no país. A Organização Mundial da Saúde projeta que a doença será a quinta principal causa de morte no mundo até 2040.

Os dois exames que fecham o diagnóstico

O rastreamento da doença renal depende de dois exames simples e baratos, e o problema apontado pelo estudo é que quase sempre só um deles é pedido:

  • Creatinina no sangue: mede a capacidade de filtração dos rins. É o exame mais comum e costuma vir em check-ups de rotina
  • Albuminúria: mede a presença de proteína na urina. Detecta lesão renal em fase inicial, muitas vezes antes de a creatinina alterar

Sem o segundo exame, um paciente com rim já lesionado pode receber resultado dentro da normalidade e seguir sem acompanhamento. A doença renal crônica é silenciosa na maior parte da evolução e costuma dar sintoma quando a perda de função já é avançada.

Quem deve fazer o rastreamento

O estudo lista os fatores de risco que indicam avaliação periódica:

  • Diabetes
  • Hipertensão
  • Idade avançada
  • Obesidade, com índice de massa corporal acima de 30
  • Doença cardiovascular
  • Histórico familiar de doença renal crônica
  • Tabagismo
  • Uso de medicações que agridem os rins

Diabetes e hipertensão respondem pela maior parte dos casos que evoluem para diálise. Quem tem uma das duas condições e faz acompanhamento na atenção primária pode pedir ao médico a inclusão da albuminúria no mesmo pedido de exames em que já vai a creatinina.

A recomendação de rastrear os dois exames em conjunto não é nova na literatura médica. O que o estudo mede é a distância entre a recomendação e a prática do consultório, e o resultado indica que a campanha nacional avaliada pelos pesquisadores mudou pouco esse quadro.

Onde fazer no DF pela rede pública

Os dois exames são oferecidos pelo SUS e a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde de referência do endereço do paciente. A solicitação parte do médico da equipe de saúde da família, que também define a periodicidade do acompanhamento e encaminha para o nefrologista quando há alteração confirmada.

Quem já tem diagnóstico e precisa de hemodiálise é acompanhado pela rede especializada da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, com unidades próprias e serviços contratados. O encaminhamento é feito pela regulação, a partir do relatório do nefrologista.

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