seg, 28 set
Saúde

Estudo aponta subdiagnóstico da doença renal crônica no Brasil

Pesquisa com mais de 14 mil pessoas mostra que menos de 5% de quem fez exame de creatinina teve também o teste de albuminúria, que completa o diagnóstico.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Profissional de saúde com luvas realiza coleta de sangue em paciente
Neste texto3 tópicos
  1. Os dois exames que fecham o diagnóstico
  2. Quem deve fazer o rastreamento
  3. Onde fazer no DF pela rede pública

Um estudo com mais de 14 mil pessoas mostrou que a doença renal crônica segue subdiagnosticada no Brasil porque o exame que completa a avaliação dos rins raramente é pedido. Menos de 5% dos participantes que realizaram exame de creatinina tiveram também a albuminúria solicitada, segundo o trabalho publicado no Brazilian Journal of Nephrology e divulgado nesta quarta-feira (12). Depois de uma campanha nacional de conscientização, o índice permaneceu abaixo de 7%.

A pesquisa foi conduzida pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná em parceria com a Universidade Estadual de Campinas, a Escola Bahiana de Medicina, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e o Arbor Research Collaborative for Health.

A doença renal crônica atinge mais de 20 milhões de brasileiros, cerca de 10% da população, e mais de 170 mil pessoas dependem de terapia renal substitutiva no país. A Organização Mundial da Saúde projeta que a doença será a quinta principal causa de morte no mundo até 2040.

Os dois exames que fecham o diagnóstico

O rastreamento da doença renal depende de dois exames simples e baratos, e o problema apontado pelo estudo é que quase sempre só um deles é pedido:

  • Creatinina no sangue: mede a capacidade de filtração dos rins. É o exame mais comum e costuma vir em check-ups de rotina
  • Albuminúria: mede a presença de proteína na urina. Detecta lesão renal em fase inicial, muitas vezes antes de a creatinina alterar

Sem o segundo exame, um paciente com rim já lesionado pode receber resultado dentro da normalidade e seguir sem acompanhamento. A doença renal crônica é silenciosa na maior parte da evolução e costuma dar sintoma quando a perda de função já é avançada.

Quem deve fazer o rastreamento

O estudo lista os fatores de risco que indicam avaliação periódica:

  • Diabetes
  • Hipertensão
  • Idade avançada
  • Obesidade, com índice de massa corporal acima de 30
  • Doença cardiovascular
  • Histórico familiar de doença renal crônica
  • Tabagismo
  • Uso de medicações que agridem os rins

Diabetes e hipertensão respondem pela maior parte dos casos que evoluem para diálise. Quem tem uma das duas condições e faz acompanhamento na atenção primária pode pedir ao médico a inclusão da albuminúria no mesmo pedido de exames em que já vai a creatinina.

A recomendação de rastrear os dois exames em conjunto não é nova na literatura médica. O que o estudo mede é a distância entre a recomendação e a prática do consultório, e o resultado indica que a campanha nacional avaliada pelos pesquisadores mudou pouco esse quadro.

Onde fazer no DF pela rede pública

Os dois exames são oferecidos pelo SUS e a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde de referência do endereço do paciente. A solicitação parte do médico da equipe de saúde da família, que também define a periodicidade do acompanhamento e encaminha para o nefrologista quando há alteração confirmada.

Quem já tem diagnóstico e precisa de hemodiálise é acompanhado pela rede especializada da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, com unidades próprias e serviços contratados. O encaminhamento é feito pela regulação, a partir do relatório do nefrologista.

Leia também: Rede de hemodiálise do DF cresce e amplia atendimento a pacientes renais.

Mais em Saúde

Ver todas

Mais lidas da semana

últimos 7 dias
Enviar no WhatsApp