Malária cai ao menor patamar em 47 anos com tafenoquina no SUS

agosto 17, 2026
Imagem macro de um mosquito pousado, com detalhes das asas e das patas

O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos, resultado que o Ministério da Saúde atribuiu à expansão do uso da tafenoquina na rede pública. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (17) pelo ministro Alexandre Padilha.

Foram 118.037 casos de transmissão local no país em 2025, queda de 15% em relação a 2024. As mortes caíram 30% no mesmo intervalo, de 56 para 39 óbitos, e os casos da forma grave da doença recuaram 30,7%.

“Chegamos à menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O que é a tafenoquina

A tafenoquina é usada em dose única para impedir que a malária volte a se manifestar semanas ou meses depois da infecção inicial. O esquema anterior exigia vários dias seguidos de comprimidos, e o abandono no meio do tratamento ajudava a explicar as recaídas.

O medicamento está disponível no SUS desde 2024 para pessoas a partir de 16 anos e com pelo menos 35 quilos. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam sido tratadas com o esquema, segundo o ministério.

Em março de 2026, o país passou a oferecer também a formulação pediátrica, indicada para crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos. O Brasil foi o primeiro país a incorporar essa apresentação, e 1.446 crianças e adolescentes já haviam sido tratados até junho.

O efeito nas terras indígenas

Os números mais expressivos aparecem nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, onde foram registrados 3.920 tratamentos, sendo 1.515 no DSEI Yanomami. No território Yanomami, as recaídas caíram 61,9% entre março e junho de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025.

Ainda no território Yanomami, os casos passaram de 17 mil para 7,6 mil entre janeiro e julho, recuo de 55% ante o ano anterior, e os óbitos caíram mais de 70%. Em 2025, a malária em terra indígena recuou mais de 40% no conjunto do país.

“Conseguimos felizmente interromper o verdadeiro genocídio que acontecia no povo Yanomami”, disse Padilha ao comentar os dados.

Onde a doença ainda se concentra

A transmissão de malária no Brasil está concentrada na Amazônia Legal, região que responde pela quase totalidade dos casos autóctones. Fora dela, o cenário é outro: os registros costumam ser importados, de pessoas que estiveram em área de risco e desenvolveram sintomas depois de voltar.

É o caso do Distrito Federal, destino e origem de viagens a trabalho para estados amazônicos. A orientação do Ministério da Saúde para quem esteve em área de transmissão é procurar atendimento diante de febre, calafrio, dor de cabeça e dor no corpo, informando ao serviço de saúde o deslocamento recente. O diagnóstico é feito por exame de sangue e o tratamento é gratuito na rede pública.

Sarampo no radar

No mesmo balanço, o ministério afirmou que a preocupação atual está na cobertura vacinal contra o sarampo, com reforço de campanhas em todo o país. No DF, a rede pública tem ampliado os pontos de imunização aos sábados, incluindo mutirões com mais de 50 unidades abertas para atualização de caderneta.

O que vem pela frente

A continuidade da queda depende de manter o abastecimento do medicamento nas unidades da Amazônia e o diagnóstico rápido em áreas de garimpo e de difícil acesso, onde o intervalo entre o primeiro sintoma e o exame ainda é maior. Nessas regiões, a dose única reduz a dependência de acompanhamento diário, que é justamente o ponto mais frágil da rede.

Os dados de 2026 fechados só serão consolidados no início do ano que vem, quando o ministério divulga o balanço anual da vigilância epidemiológica da malária.

Perguntas frequentes

Como a malária é transmitida? Pela picada da fêmea do mosquito do gênero Anopheles infectada. Não há transmissão de pessoa para pessoa pelo contato comum.

Quais são os sintomas? Febre, calafrio, dor de cabeça, dor no corpo e mal-estar são os sinais mais frequentes. O quadro costuma aparecer dias ou semanas depois da picada, o que faz muita gente não associar o sintoma à viagem.

O tratamento é pago? Não. O diagnóstico e os medicamentos, inclusive a tafenoquina, são oferecidos gratuitamente pelo SUS.

Quem esteve na Amazônia deve fazer exame mesmo sem sintoma? A orientação do Ministério da Saúde é procurar o serviço de saúde diante de febre após o retorno, informando o destino da viagem. O exame é indicado a partir da avaliação clínica.

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