qua, 7 out
Saúde

Falta de banco de sêmen trava reprodução assistida no DF desde 2022

Único serviço público de reprodução assistida do DF está sem sêmen de doador há quatro anos. SES-DF diz que busca novo fornecedor, sem prazo.

Por Redação Sou Brasília 4 min de leitura
Profissional de laboratório com luvas ajusta microscópio
Neste texto4 tópicos
  1. Como funciona a fila do Hmib
  2. Quais são as alternativas hoje
  3. O que fazer para entrar no programa
  4. Perguntas frequentes

O serviço de reprodução humana assistida com sêmen de doador está suspenso no Hospital Materno Infantil de Brasília desde 2022, e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informa que não há previsão de retomada. O Hmib é a única unidade pública do DF que oferece o tratamento.

Em nota, a SES-DF afirmou que “o serviço de reprodução humana assistida com uso de sêmen de doador está temporariamente suspenso” e que “a pasta está adotando medidas administrativas e legais para viabilizar contratação de novo fornecedor”. A secretaria não informou prazo para a nova contratação nem estimativa do número de pessoas à espera.

A suspensão veio depois do fim do contrato com o banco de sêmen que abastecia a unidade. Sem material de doador, ficam de fora do tratamento no SUS os casais formados por duas mulheres, as mulheres solteiras que buscam a maternidade sozinhas e os casais em que há infertilidade masculina grave, situações em que o sêmen de doador é a única via.

Como funciona a fila do Hmib

O acesso ao programa de reprodução humana da rede pública do DF começa na atenção primária. O paciente passa por consulta na unidade básica de saúde de referência, é encaminhado para o nível intermediário e, só depois, chega à alta complexidade no Hmib, onde faz entrevista e a bateria de exames de sangue e de imagem que define a indicação do tratamento.

Dados oficiais da própria secretaria já apontaram espera média superior a 18 meses para o atendimento no programa. Nos casos que chegam à fertilização in vitro, o tempo relatado passa de três anos. Esses números são anteriores à suspensão atual e dizem respeito ao fluxo geral do serviço, não à fila específica de quem depende de doador.

Quais são as alternativas hoje

Sem o serviço público, restam três caminhos, todos com limitação:

  • Rede privada. Clínicas de reprodução assistida em Brasília cobram por ciclo de fertilização in vitro valores que, somados a medicação e exames, chegam à casa das dezenas de milhares de reais. A compra de amostra de sêmen em banco credenciado é cobrada à parte.
  • Doador conhecido. A Resolução 2.320/2022 do Conselho Federal de Medicina, que regula a reprodução assistida no país, exige anonimato entre doador e receptor em doações de gametas, com exceção da doação entre parentes de até quarto grau, permitida desde que não haja consanguinidade.
  • Via judicial. Pacientes têm recorrido à Defensoria Pública do DF e ao Ministério Público para pedir o custeio do tratamento. O MPDFT já ajuizou ação civil pública contra o governo local por causa da interrupção do programa.

O que fazer para entrar no programa

Quem quer iniciar o processo deve procurar a unidade básica de saúde do próprio endereço e pedir encaminhamento para a Unidade de Reprodução Humana do Hmib. O agendamento é feito pela regulação da SES-DF, e não há atendimento por procura espontânea no hospital. O tratamento pelo SUS tem critérios de idade e de indicação clínica, avaliados na consulta especializada.

Enquanto o contrato do banco de sêmen não é refeito, o encaminhamento segue valendo para os demais procedimentos da unidade, como investigação de infertilidade e tratamentos que usam gametas do próprio casal. A parte que depende de doador é a que está parada.

As informações divulgadas pela secretaria não especificam em que etapa está o processo de contratação do novo fornecedor nem se há dotação orçamentária reservada para isso em 2026.

Perguntas frequentes

O SUS cobre reprodução assistida? Sim. O tratamento faz parte da política de atenção integral em saúde reprodutiva, com oferta em unidades habilitadas. No DF, a referência pública é a Unidade de Reprodução Humana do Hmib.

Casal de duas mulheres pode fazer o tratamento? Pode. A Resolução 2.320/2022 do Conselho Federal de Medicina garante o acesso às técnicas de reprodução assistida a pessoas solteiras e a casais homoafetivos. O que falta hoje no serviço público do DF é o insumo, o sêmen de doador, e não a autorização.

Dá para levar um doador conhecido? Em regra, não. A resolução do CFM exige anonimato entre doador e receptor. A exceção é a doação entre parentes de até quarto grau, permitida quando não há risco de consanguinidade.

Quem procurar se o tratamento for negado? A Defensoria Pública do DF atende gratuitamente quem se enquadra nos critérios de renda. O Ministério Público do DF e Territórios também recebe representações sobre falhas na oferta de serviços de saúde da rede pública.

Existe idade limite? O programa público adota critérios clínicos e de idade definidos no protocolo do serviço, avaliados na consulta especializada. Esses critérios não são divulgados em tabela pública pela secretaria.

Leia também: hospitais e UPAs do DF: quando procurar cada um.

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