sáb, 31 out

Ebola passa de 5 mil mortes no Congo e já infectou mais de 10 mil pessoas

Ministério da Saúde do Congo registra 5.026 mortes e 10.351 casos; surto de Bundibugyo atinge 8 províncias e não tem tratamento específico.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Profissional de saúde com macacão de proteção, máscara e óculos, em foto ilustrativa
Foto: Ron Lach/Pexels
Neste texto3 tópicos
  1. Onde o surto está e quem o causa
  2. Por que é difícil conter
  3. Existe vacina?

O surto de ebola na República Democrática do Congo passou de 5 mil mortes e já infectou mais de 10 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde do país, que divulgou os números neste sábado (31). São 5.026 mortes entre 10.351 infectados, uma letalidade próxima de 50%. É o segundo surto mais mortal da história da doença.

Os dados foram publicados pelo Jornal de Brasília. Na terça-feira (27), a Agência Brasil já havia noticiado, com base no relatório do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) congolês, 10.060 casos confirmados e 4.887 mortes até 25 de outubro.

Onde o surto está e quem o causa

A epidemia foi declarada em 15 de maio e é causada pelo vírus Bundibugyo, uma das espécies do ebola, ao lado da Zaire e da Sudão. Ela atinge oito das 26 províncias do Congo e 67 das 178 zonas de saúde. A maior concentração fica no leste: Ituri e Kivu do Norte somam 9.782 casos confirmados e 4.792 mortes.

O surto atravessou a fronteira. Em outubro, Quênia e Nigéria confirmaram casos. O Quênia registrou oito infecções e duas mortes, e o único paciente confirmado na Nigéria foi transferido para a Suíça. Uganda também já havia notificado casos. Com registros em três regiões africanas, é o surto de maior alcance geográfico já observado no continente, segundo o Jornal de Brasília.

IndicadorNúmeroFonte
Mortes5.026Ministério da Saúde do Congo, 31/10
Casos10.351Ministério da Saúde do Congo, 31/10
Recuperados2.788Ministério da Saúde do Congo, 31/10
Províncias atingidas8 de 26Ministério da Saúde do Congo, 31/10
Rastreio de contatos81,6%INSP, dados até 25/10

Por que é difícil conter

Um terço das pessoas que morreram não chegou a ser atendido em centros de tratamento. “São pessoas que nunca tivemos a oportunidade de tentar salvar, e essa é uma das nossas maiores preocupações neste surto”, disse o médico Patrick Otim, gerente de área de programas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), cerca de 80% dos novos casos estão fora das cadeias de contatos monitoradas pelas autoridades.

A resposta também esbarra em conflitos armados no leste do país, na resistência de parte da população às medidas de saúde e em greves de profissionais sem salário. Na sexta-feira (30), funcionários de um centro de tratamento em Tchomia, em Ituri, pararam para cobrar quatro meses de pagamentos atrasados.

Existe vacina?

A cepa Bundibugyo não tem tratamento específico. A OMS trabalha com duas vacinas candidatas, em ensaios de fase 1 que, até agora, se mostraram seguras, mas o desenvolvimento pode levar vários meses. Em 23 de outubro, a OMS anunciou outro ensaio clínico no Congo. O país também aplica desde o fim de agosto a vacina Ervebo, feita para a espécie Zaire, que mostrou resultados promissores contra a Bundibugyo em animais.

O ebola não se transmite pelo ar como a gripe ou a covid-19. A transmissão ocorre por contato direto com sangue ou outros fluidos de pessoa infectada, viva ou morta, ou com objetos contaminados. Morcegos frugívoros são considerados os hospedeiros naturais do vírus.

O pior surto da história continua sendo o da África Ocidental, entre 2014 e 2016, com cerca de 11 mil mortes e 28 mil infecções, segundo a Agência Brasil. O atual já superou o que atingiu a mesma região congolesa entre 2018 e 2020. Os próximos números oficiais saem nos relatórios do INSP e da OMS; o último, até 25 de outubro, está no texto da Agência Brasil. Para outra frente de saúde pública no DF, veja a vacina da dengue para jovens de 10 a 14 anos e o que a OMS disse sobre dengue e clima.

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