Vacina da dengue: 45 mil jovens de 10 a 14 anos no DF não tomaram a 2ª dose
A SES-DF registra 45 mil jovens de 10 a 14 anos com esquema incompleto contra a dengue; sorotipo 3 já é maioria das amostras analisadas.

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Dos 123,9 mil jovens de 10 a 14 anos que tomaram a primeira dose da vacina contra a dengue no Distrito Federal, 45 mil não voltaram para a segunda, segundo balanço da Secretaria de Saúde (SES-DF) divulgado nesta quinta-feira (29). Mais de um terço do grupo segue com o esquema incompleto.
Até outubro, a rede pública aplicou 208,9 mil doses nessa faixa etária: 123,9 mil de primeira e 78,9 mil de segunda. A conta que sobra é a dos 45 mil. A SES-DF afirma que uma dose isolada não basta para garantir proteção.
Por que o sorotipo 3 entrou na conversa?
Entre 2022 e 2024, o DF teve circulação predominante dos tipos 1 e 2. Em 2025 e 2026 o número de casos caiu, mas o sorotipo 3 passou a ganhar espaço. Das 113 amostras de pacientes analisadas geneticamente até 17 de outubro de 2026, 72 eram do tipo 3. No mesmo período de 2025, foram 79 em 177.
Os casos prováveis somam 3.696 neste ano, contra 10.303 até a mesma data de 2025. A diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-DF, Juliane Malta, lembra que quem já teve dengue pode ter de novo: "A infecção produz imunidade de longa duração apenas contra o sorotipo que causou a doença". A vacina cobre os quatro sorotipos.
O início das chuvas pesa na conta. A SES-DF cita o período chuvoso como época historicamente associada ao aumento de casos.
Onde tomar a segunda dose?
O DF tem mais de 130 salas de vacina em funcionamento, com estoque de validade até setembro de 2027. A vacina é indicada para quem tem de 10 a 14 anos. O intervalo entre as doses é de três meses, segundo o Programa Nacional de Imunizações, conforme mostramos na reportagem sobre os 3 milhões de adolescentes com esquema incompleto no país. A SES-DF detalhou o balanço na nota da Agência Saúde DF, sem listar os endereços das salas.
O que fazer em caso de sintomas?
A gerente de Vigilância das Doenças Transmissíveis, Aline Folle, diz que o tipo 3 provoca os mesmos sintomas dos demais: febre, dor de cabeça, cansaço, dor muscular e dor atrás dos olhos. O tratamento é hidratação e repouso. "É importante que as pessoas não tomem medicamentos por conta própria porque há remédios que podem agravar a situação", alerta.
A vacinação não dispensa o combate ao mosquito. A orientação da SES-DF é eliminar água parada em casa e em estabelecimentos, para impedir larvas do Aedes aegypti. O órgão mantém equipes de Vigilância Ambiental o ano todo, com armadilhas, combate a larvas e liberação de mosquitos com a bactéria Wolbachia, que ficam incapazes de transmitir o vírus. Sobre a vacinação em pontos extras no fim de semana, veja a cobertura de agosto.
Quem tem filho de 10 a 14 anos com uma dose só deve conferir no cartão a data da primeira aplicação e levar o adolescente a uma sala de vacina depois dos três meses de intervalo.






