Vacina da dengue: 3 milhões de adolescentes ainda não tomaram a segunda dose
O PNI aponta 3 milhões de adolescentes com esquema incompleto contra a dengue. A segunda dose vem três meses depois da primeira.

Neste texto3 tópicos
Mais de 3 milhões de adolescentes tomaram a primeira dose da vacina contra a dengue e ainda não voltaram ao posto para a segunda, segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti. A proteção completa só vem depois da segunda dose, aplicada três meses após a primeira.
O balanço foi apresentado na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, no Rio de Janeiro, na semana passada, e divulgado pela Agência Brasil nesta segunda-feira (26). O recorte é nacional: a reportagem não traz números por estado, e por isso não dá para dizer quantos dos 3 milhões moram no Distrito Federal.
Quantas doses já foram aplicadas?
De acordo com Gatti, o país aplicou mais de 11,8 milhões de doses da vacina Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda: 7,6 milhões como primeira dose e 4,2 milhões como segunda. A diferença entre as duas colunas é o tamanho da fila de quem ficou pela metade. Além disso, quase 4 milhões de doses já enviadas aos municípios continuam sem uso.
O público-alvo do SUS são crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Gatti explicou que, quando a vacina entrou no SUS, os estudos de segurança eram mais sólidos para a faixa de 4 a 16 anos, e é dentro dela que o risco de dengue grave é maior entre 10 e 14. Ampliar a idade é "uma possibilidade, até um desejo", disse, mas depende de questões operacionais, orçamentárias e de segurança.

Quando tomar a segunda dose?
O intervalo é de três meses. A tabela abaixo é uma conta nossa, feita sobre esse prazo, para quem não lembra a data da primeira aplicação. A data exata está na caderneta de vacinação ou no registro do posto.
| Primeira dose em | Segunda dose a partir de |
|---|---|
| 27 de julho | 27 de outubro |
| 27 de agosto | 27 de novembro |
| 27 de setembro | 27 de dezembro |
| 27 de outubro | 27 de janeiro de 2027 |
Gatti defende vacinar no período intersazonal, quando a dengue é menos frequente, "para que a pessoa entre na sazonalidade protegida". Ele lembrou que o verão costuma trazer mais casos e que a temporada pode ser mais intensa por causa do El Niño. Adolescentes, segundo o diretor, têm pouca percepção de risco, o que torna a adesão mais difícil.
No Distrito Federal, a vacina contra a dengue chegou à Rede de Frio em 8 de fevereiro de 2024 e, segundo a Agência Brasília na época, a aplicação para jovens de 10 a 14 anos começou no dia seguinte, em 37 pontos. Para saber onde tomar a segunda dose hoje, o caminho é a UBS mais próxima, com a caderneta e um documento do adolescente. O calendário geral de imunização das crianças está no guia de vacinação infantil no DF.
E a vacina do Butantan?
A aplicação da vacina produzida pelo Instituto Butantan segue suspensa. O Ministério da Saúde interrompeu o uso em junho, depois de três casos de dengue grave após a vacinação, com dois óbitos, entre mais de 500 mil vacinados. Gatti afirmou que ainda não está confirmado que a vacina causou a doença e que a coincidência no tempo foi tratada como sinal de segurança. "Isso não cancela a vacina", disse, mas são necessários estudos complementares. A meta anterior era vacinar de 40 a 60 milhões de pessoas por ano com o imunizante nacional.
Quanto ao abastecimento da Qdenga, o diretor afirmou que o fornecimento ao público-alvo está garantido: além das doses de 2024 e 2025, há contrato para 9 milhões de doses neste ano e outras 9 milhões em 2027. Sobre a situação da doença na região, veja o boletim da dengue no DF em 2026. As orientações gerais estão no site do Ministério da Saúde.






