O dólar comercial recuou 0,23% no último pregão de junho e fechou a R$ 5,163, com o real se valorizando no encerramento do mês e do primeiro semestre. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, terminou o dia em queda de 0,68%, aos 172.024,12 pontos, na contramão do exterior.
O balanço do período mostra um semestre de dois tempos para o mercado de ações. Em junho, o Ibovespa caiu 1,01%, na terceira perda mensal seguida. No segundo trimestre, o recuo foi de 8,24%, movimento puxado pela deterioração do humor global e por incertezas internas. Ainda assim, graças ao início forte do ano, o índice fecha o primeiro semestre com valorização acumulada de 6,76%.
O comportamento do câmbio no fim do mês trouxe algum alívio. Depois de rondar a casa de R$ 5,20 em dias de maior aversão a risco, a moeda americana perdeu força no último pregão e devolveu parte das perdas do real.
Um semestre de dois tempos
O contraste entre o resultado do trimestre e o do semestre resume o ano até aqui na Bolsa. A alta acumulada em seis meses convive com três meses seguidos de queda, num sinal de que o otimismo do começo do ano deu lugar a um período mais cauteloso.
Veja os principais números do fechamento:
- Dólar comercial: R$ 5,163 (queda de 0,23% no dia)
- Ibovespa no dia: 172.024,12 pontos (queda de 0,68%)
- Ibovespa em junho: queda de 1,01%
- Ibovespa no 2º trimestre: queda de 8,24%
- Ibovespa no semestre: alta de 6,76%
Vários fatores explicam o movimento recente. No campo externo, oscilações nos juros das economias avançadas e o clima de tensão comercial mexeram com o apetite dos investidores por ativos de países emergentes. No plano interno, o debate fiscal e a trajetória dos juros seguem no centro das atenções, influenciando a rotação entre setores e o fluxo de capital estrangeiro.
Papéis de bancos e da Petrobras estiveram entre os mais movimentados nas últimas semanas, com desempenho descolado do restante do índice em alguns pregões. A concentração do Ibovespa em poucas ações de grande peso ajuda a explicar por que o índice às vezes anda na direção contrária das bolsas internacionais.
Para o segundo semestre, o mercado deve seguir atento à combinação entre inflação, juros e contas públicas. A prévia da inflação de junho veio abaixo do esperado, mas ainda acima da meta, e o resultado fiscal segue pressionado pela despesa. Esse conjunto define o pano de fundo para as decisões de política monetária e para o rumo do câmbio nos próximos meses.
No curto prazo, a queda do dólar no fechamento do semestre é uma boa notícia para o controle da inflação, já que uma moeda mais forte barateia importados e insumos. O desafio é saber se o movimento se sustenta diante de um ambiente global que segue instável.
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