qui, 29 out

Dívida Pública Federal sobe 0,97% em setembro e chega a R$ 9,38 trilhões

Estoque da dívida federal foi de R$ 9,293 trilhões para R$ 9,383 trilhões em setembro; R$ 89,29 bilhões de juros pesaram mais que a emissão líquida.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Cédulas de real de 2 a 200 dispostas em leque sobre fundo branco
Foto: Ivo Brasil/Pexels
Neste texto3 tópicos
  1. Por que a dívida subiu se o governo emitiu pouco?
  2. Como ficou a composição da dívida?
  3. Quanto o Tesouro tem de reserva?

A Dívida Pública Federal (DPF) fechou setembro em R$ 9,383 trilhões, alta de 0,97% sobre os R$ 9,293 trilhões de agosto, segundo o Tesouro Nacional. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (29) e reportados pela Agência Brasil.

O estoque subiu mesmo com o governo emitindo pouco: em setembro, o Tesouro lançou R$ 3,78 bilhões em títulos a mais do que resgatou. Quem puxou a conta para cima foram os juros incorporados à dívida, que somaram R$ 89,29 bilhões no mês, com a Selic em 13,75% ao ano.

Por que a dívida subiu se o governo emitiu pouco?

O Tesouro reconhece, mês a mês, a correção dos títulos e soma esse valor ao estoque. Em setembro, o governo colocou R$ 189,44 bilhões em títulos da dívida interna e resgatou R$ 185,66 bilhões, em boa parte papéis atrelados à Selic que venceram no período. A emissão líquida de R$ 3,78 bilhões é baixa para os padrões históricos e não bastou para compensar os R$ 89,29 bilhões de juros apropriados.

A dívida interna em títulos (DPMFi) avançou 1,04%, de R$ 8,944 trilhões para R$ 9,037 trilhões. A dívida externa (DPFe) fez o caminho oposto: caiu 0,82%, de R$ 348,26 bilhões para R$ 345,41 bilhões, com o dólar estável no mês e o pagamento de cerca de R$ 3 bilhões.

O estoque cruzou a marca de R$ 9 trilhões em maio, como o SouBrasília mostrou na cobertura da dívida pública federal de maio. O número de setembro ainda está abaixo da meta do ano: o Plano Anual de Financiamento, revisado em agosto, prevê que a DPF termine 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

Como ficou a composição da dívida?

Tipo de títuloAgostoSetembro
Vinculados à Selic52,74%51,60%
Corrigidos pela inflação23,22%23,59%
Prefixados20,31%21,14%
Vinculados ao câmbio3,74%3,67%

A fatia da Selic recuou porque houve forte vencimento desses papéis no mês. Pelo PAF, ela deve encerrar o ano entre 49% e 53%; os prefixados, entre 20% e 24%.

O prazo médio da dívida ficou estável em 4,1 anos, o tempo que o governo leva, em média, para refinanciar o estoque. Nos próximos 12 meses vencem R$ 1,87 trilhão em títulos federais.

Quanto o Tesouro tem de reserva?

O colchão da dívida, reserva usada em momentos de turbulência ou de vencimentos concentrados, subiu de R$ 1,208 trilhão em agosto para R$ 1,273 trilhão em setembro. Esse valor cobre 7,71 meses de vencimentos.

Entre os detentores da dívida interna, as instituições financeiras têm 31,33% do estoque, os fundos de investimento 22,93% e os fundos de pensão 22,41%. Os estrangeiros ficaram com 9,58%, abaixo dos 9,91% de agosto. A Agência Brasil atribui a queda à tensão nos mercados em setembro, com a guerra no Oriente Médio.

Segundo a Agência Brasil, os títulos atrelados à Selic atraem compradores por causa dos juros altos definidos pelo Copom. A comparação com o déficit do ano está na matéria sobre o resultado do Governo Central em setembro.

Os dados de agosto, usados como base de comparação, coincidem com o que o Tesouro divulgou em 28 de setembro: R$ 9,293 trilhões, com R$ 348,26 bilhões na dívida externa. O Tesouro publica o relatório mensal completo no portal Tesouro Transparente.

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