O Brasil registra forte queda nos casos de dengue em 2026. Segundo o Ministério da Saúde, a redução chega a 75% na comparação com o mesmo período do ano passado, um resultado que consolida a tendência de arrefecimento da doença depois de anos de epidemia.
Os números dão a dimensão da mudança. No intervalo entre janeiro e a segunda semana de abril, foram notificados 227,5 mil casos prováveis, contra 916,4 mil registrados no mesmo período de 2025. A queda vem depois de um ciclo dramático: o total de casos chegou a 6,6 milhões no pico de 2024 e recuou para 1,7 milhão em 2025.
O que explica a redução
A pasta credita o resultado ao fortalecimento de ações coordenadas com estados e municípios. Entre as estratégias em uso estão:
- Ampliação das ovitrampas, armadilhas de monitoramento do Aedes aegypti, presentes em 1,6 mil municípios
- Uso de insetos estéreis irradiados para reduzir a reprodução do mosquito
- Expansão do método Wolbachia, bactéria que impede o mosquito de transmitir o vírus, prevista para 72 municípios prioritários
Em 2026, o país passou a ofertar a vacina nacional de dose única contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em três municípios-piloto, para a faixa de 12 a 59 anos. Profissionais de saúde também foram vacinados, somando mais de 300 mil doses aplicadas.
A vacina de dose única é considerada uma virada logística. Esquemas anteriores exigiam duas aplicações com intervalo de meses, o que reduzia a cobertura porque muita gente não voltava para a segunda dose. Com uma aplicação só, a expectativa é proteger mais gente em menos tempo e com menor custo operacional.
Os especialistas alertam, porém, que a queda não significa fim do problema. O Aedes aegypti transmite também zika e chikungunya, e a circulação do mosquito varia conforme chuva e temperatura. Por isso, a orientação de eliminar criadouros e água parada segue valendo mesmo em anos de baixa incidência.
O desafio agora é manter o resultado no próximo verão, período de maior transmissão. A combinação de vacinação, controle biológico e vigilância tende a definir se o Brasil consegue sair do ciclo de grandes epidemias que marcou os últimos anos. Veja também [as orientações para prevenir arboviroses em casa](/brasil/prevencao-dengue-aedes-aegypti).
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