Greve dos Correios: entrega continua com 80% do efetivo por ordem do TST
A greve dos Correios continua, mas o TST obriga a manter 80% do efetivo, sob multa de R$ 100 mil por dia. Veja o que fazer se a sua encomenda atrasar.

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A greve dos Correios continua nesta quarta-feira (23), e a encomenda segue circulando. O Tribunal Superior do Trabalho obriga a empresa a manter 80% do efetivo em atividade em cada unidade, sob multa diária de R$ 100 mil. O que estica é o prazo, não a entrega.
O julgamento do dissídio coletivo que decide o fim da paralisação foi aberto na segunda-feira (21), suspenso logo no início e remarcado para quinta-feira (24), às 15h30. Até lá, a regra dos 80% vale e a greve, iniciada em 10 de setembro, não tem data para acabar.
O que muda para quem espera encomenda
Nada muda por causa do adiamento. A decisão liminar que já vale segue valendo: o TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em atividade em cada unidade, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. A regra alcança unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e administrativas.

Os Correios afirmam que mantêm os serviços em funcionamento e acionaram o plano de continuidade de negócios, com remanejamento de veículos, mutirões e mobilização de pessoal administrativo para apoiar a operação. Na prática, prazo maior é o cenário provável, não a interrupção da entrega.
- Rastreamento: site e aplicativo dos Correios, com o código da postagem.
- Atendimento por telefone: 4003-8210 e 0800-881-8210.
- Outros canais: chat e Fale Conosco no portal da empresa.
- Prazo: aguarde a entrega no endereço de destino antes de abrir reclamação.
O detalhamento dos efeitos sobre carta, encomenda e prazo está em greve dos Correios: o que acontece com a sua entrega.
Por que o julgamento do TST foi adiado
A suspensão veio de questão de ordem levantada pelo presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos juntou ao processo, na sexta-feira (18), documentos pedindo que a Justiça declare a greve abusiva, e as federações de trabalhadores não tiveram prazo para responder.
"Estaríamos em desapreço ao devido processo legal, porque estaríamos fundamentando uma decisão em documentos não examinados pela parte contrária", afirmou o ministro, segundo registro da Agência Brasil.
As federações ganharam 48 horas para se manifestar. O pedido de abusividade ainda não foi apreciado pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos, que é quem vai julgar o caso.
O impasse é o plano de saúde
O principal ponto de conflito não é o salário. Há convergência sobre o reajuste de 4,35%, retroativo a 1º de agosto, equivalente à reposição do INPC. O que trava é o CorreiosSaúde: a estatal quer deixar de ser mantenedora e passar a patrocinadora do plano, mudança que, para a categoria, abre caminho para aumento de mensalidade cobrada de funcionários, aposentados e dependentes.
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares, a Findect, reconheceu avanços na correção salarial, mas considerou insuficientes as garantias sobre o plano de saúde. A greve começou em 10 de setembro, por tempo indeterminado, depois que a campanha salarial terminou sem acordo.
Também estão na pauta de reivindicações:
- retorno do adicional de 70% sobre as férias;
- retomada do pagamento de 200% sobre repouso ou feriado trabalhado;
- manutenção das gratificações que a empresa quer extinguir, como a de motoristas, a de quebra de caixa e o vale extra de fim de ano;
- regras do ponto eletrônico.
A greve chega no pior momento financeiro da estatal
A paralisação se soma a um ano de reestruturação dura na empresa. Os Correios fecharam 2025 com prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões, o maior da história da estatal.

Em agosto, a direção abriu um plano de demissão voluntária para até 7 mil empregados e anunciou o fechamento de cerca de mil agências. É nesse contexto de corte que a empresa levou o caso ao TST em vez de seguir negociando.
O que acontece no dia 24
O dissídio é o instrumento pelo qual a Justiça do Trabalho decide as cláusulas do acordo coletivo quando empresa e sindicatos não chegam a consenso. Na quinta, a SDC vai analisar o pedido de abusividade e, no mérito, fixar reajuste e cláusulas que valem para toda a categoria, inclusive nos pontos rejeitados na mesa.
A sessão é pública e transmitida pelos canais oficiais do TST. Enquanto não houver decisão, quem espera encomenda deve acompanhar o rastreamento e contar com prazo esticado.
Perguntas frequentes
A greve dos Correios parou a entrega?
Não. O TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em cada unidade, sob multa diária de R$ 100 mil, e os Correios acionaram o plano de continuidade de negócios. O efeito esperado é atraso no prazo, não interrupção.
Quando é o julgamento do dissídio dos Correios?
Na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, às 15h30, no Tribunal Superior do Trabalho. A sessão de segunda-feira (21) foi aberta e suspensa.
Por que o julgamento foi adiado?
Os Correios juntaram ao processo, na sexta-feira (18), documentos pedindo que a greve seja declarada abusiva. O presidente do TST suspendeu a sessão e deu 48 horas para as federações responderem.
Como acompanhar a minha encomenda durante a greve?
Pelo rastreamento no site ou no aplicativo dos Correios, com o código da postagem. O atendimento por telefone é 4003-8210 e 0800-881-8210.






