dom, 8 nov

Greve dos Correios: entrega continua com 80% do efetivo por ordem do TST

A greve dos Correios continua, mas o TST obriga a manter 80% do efetivo, sob multa de R$ 100 mil por dia. Veja o que fazer se a sua encomenda atrasar.

Por Denver Moura atualizada em 5 min de leitura
Armario de autoatendimento dos Correios para retirada de encomendas em agencia
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Neste texto6 tópicos
  1. O que muda para quem espera encomenda
  2. Por que o julgamento do TST foi adiado
  3. O impasse é o plano de saúde
  4. A greve chega no pior momento financeiro da estatal
  5. O que acontece no dia 24
  6. Perguntas frequentes

A greve dos Correios continua nesta quarta-feira (23), e a encomenda segue circulando. O Tribunal Superior do Trabalho obriga a empresa a manter 80% do efetivo em atividade em cada unidade, sob multa diária de R$ 100 mil. O que estica é o prazo, não a entrega.

O julgamento do dissídio coletivo que decide o fim da paralisação foi aberto na segunda-feira (21), suspenso logo no início e remarcado para quinta-feira (24), às 15h30. Até lá, a regra dos 80% vale e a greve, iniciada em 10 de setembro, não tem data para acabar.

O que muda para quem espera encomenda

Nada muda por causa do adiamento. A decisão liminar que já vale segue valendo: o TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em atividade em cada unidade, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. A regra alcança unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e administrativas.

Quadro com os três números da decisão do TST: 80% do efetivo, R$ 100 mil de multa diária e cinco tipos de unidade alcançados
A decisão liminar do TST continua valendo enquanto o dissídio não é julgadoArte: Sou Brasília

Os Correios afirmam que mantêm os serviços em funcionamento e acionaram o plano de continuidade de negócios, com remanejamento de veículos, mutirões e mobilização de pessoal administrativo para apoiar a operação. Na prática, prazo maior é o cenário provável, não a interrupção da entrega.

  • Rastreamento: site e aplicativo dos Correios, com o código da postagem.
  • Atendimento por telefone: 4003-8210 e 0800-881-8210.
  • Outros canais: chat e Fale Conosco no portal da empresa.
  • Prazo: aguarde a entrega no endereço de destino antes de abrir reclamação.

O detalhamento dos efeitos sobre carta, encomenda e prazo está em greve dos Correios: o que acontece com a sua entrega.

Por que o julgamento do TST foi adiado

A suspensão veio de questão de ordem levantada pelo presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos juntou ao processo, na sexta-feira (18), documentos pedindo que a Justiça declare a greve abusiva, e as federações de trabalhadores não tiveram prazo para responder.

"Estaríamos em desapreço ao devido processo legal, porque estaríamos fundamentando uma decisão em documentos não examinados pela parte contrária", afirmou o ministro, segundo registro da Agência Brasil.

As federações ganharam 48 horas para se manifestar. O pedido de abusividade ainda não foi apreciado pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos, que é quem vai julgar o caso.

O impasse é o plano de saúde

O principal ponto de conflito não é o salário. Há convergência sobre o reajuste de 4,35%, retroativo a 1º de agosto, equivalente à reposição do INPC. O que trava é o CorreiosSaúde: a estatal quer deixar de ser mantenedora e passar a patrocinadora do plano, mudança que, para a categoria, abre caminho para aumento de mensalidade cobrada de funcionários, aposentados e dependentes.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares, a Findect, reconheceu avanços na correção salarial, mas considerou insuficientes as garantias sobre o plano de saúde. A greve começou em 10 de setembro, por tempo indeterminado, depois que a campanha salarial terminou sem acordo.

Também estão na pauta de reivindicações:

  • retorno do adicional de 70% sobre as férias;
  • retomada do pagamento de 200% sobre repouso ou feriado trabalhado;
  • manutenção das gratificações que a empresa quer extinguir, como a de motoristas, a de quebra de caixa e o vale extra de fim de ano;
  • regras do ponto eletrônico.

A greve chega no pior momento financeiro da estatal

A paralisação se soma a um ano de reestruturação dura na empresa. Os Correios fecharam 2025 com prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões, o maior da história da estatal.

Guichês vazios de uma agência dos Correios vistos da rua, com pessoas passando na calçada
Salão de atendimento da Agência Central dos Correios em Belo Horizonte, ao fim do expediente: a greve é nacional e começou em 10 de setembroFoto: Rafael Lemieszek/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Em agosto, a direção abriu um plano de demissão voluntária para até 7 mil empregados e anunciou o fechamento de cerca de mil agências. É nesse contexto de corte que a empresa levou o caso ao TST em vez de seguir negociando.

O que acontece no dia 24

O dissídio é o instrumento pelo qual a Justiça do Trabalho decide as cláusulas do acordo coletivo quando empresa e sindicatos não chegam a consenso. Na quinta, a SDC vai analisar o pedido de abusividade e, no mérito, fixar reajuste e cláusulas que valem para toda a categoria, inclusive nos pontos rejeitados na mesa.

A sessão é pública e transmitida pelos canais oficiais do TST. Enquanto não houver decisão, quem espera encomenda deve acompanhar o rastreamento e contar com prazo esticado.

Perguntas frequentes

A greve dos Correios parou a entrega?

Não. O TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em cada unidade, sob multa diária de R$ 100 mil, e os Correios acionaram o plano de continuidade de negócios. O efeito esperado é atraso no prazo, não interrupção.

Quando é o julgamento do dissídio dos Correios?

Na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, às 15h30, no Tribunal Superior do Trabalho. A sessão de segunda-feira (21) foi aberta e suspensa.

Por que o julgamento foi adiado?

Os Correios juntaram ao processo, na sexta-feira (18), documentos pedindo que a greve seja declarada abusiva. O presidente do TST suspendeu a sessão e deu 48 horas para as federações responderem.

Como acompanhar a minha encomenda durante a greve?

Pelo rastreamento no site ou no aplicativo dos Correios, com o código da postagem. O atendimento por telefone é 4003-8210 e 0800-881-8210.

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