Os Correios prepararam um novo programa de demissão voluntária que pode alcançar até 7 mil empregados e ficará aberto para adesões até setembro, segundo informação divulgada nesta sexta-feira (21) pela Gazeta do Povo. É o segundo corte do tipo em 2026 numa estatal que projeta prejuízo perto de R$ 10 bilhões no ano.
O plano é dirigido a quem trabalha em unidades que serão desativadas, entre elas centros de tratamento, armazenamento de cargas e agências. A empresa prevê fechar até mil pontos de atendimento deficitários, de um total próximo de 10 mil no país.
Em nota, a estatal afirmou que a medida “foi concebida para atender às adequações e particularidades decorrentes do processo de reestruturação da empresa”.
Quanto o funcionário recebe para sair
As indenizações variam de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil, conforme o tempo de casa e o salário do empregado. O pagamento é integral, em parcela única, e cai até o décimo dia do mês seguinte ao desligamento.
Sobre esse valor não incide Imposto de Renda nem recolhimento de FGTS, o que aumenta o que efetivamente entra na conta de quem adere.
- Alvo: até 7 mil empregados de unidades a serem desativadas
- Prazo de adesão: até setembro
- Indenização: de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil, em parcela única
- Tributação: sem Imposto de Renda e sem FGTS sobre a verba
- Agências: fechamento de até mil pontos deficitários
O rombo que motiva o corte
Os Correios fecharam o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 3,1 bilhões, alta de 82,35% sobre o mesmo período de 2025. A projeção da empresa para o ano cheio é de déficit próximo de R$ 10 bilhões.
O primeiro programa de saída voluntária do ano foi aberto em fevereiro e encerrado em março, com adesão de cerca de 3,1 mil trabalhadores. Naquela rodada havia meta de adesões; nesta, não. A indenização também deve ser menor, com teto ainda em definição.
A empresa vem de uma sequência de resultados negativos. Em 2025, o prejuízo foi de R$ 8,5 bilhões, o pior da história da estatal, pressionado pela queda no volume de encomendas internacionais e pelo custo da estrutura física espalhada pelo país.
O que muda para quem usa o serviço
O fechamento de até mil pontos de atendimento é a parte do plano que chega ao balcão. A empresa não divulgou quais unidades entram na lista nem o cronograma por estado, e é essa definição que vai dizer quantas cidades perderão agência própria.
O critério anunciado é econômico: entram na lista as unidades deficitárias. A estatal não informou se haverá substituição por outro formato de atendimento nas praças que perderem a agência própria.
Para o usuário do Distrito Federal, o impacto imediato depende de quais unidades da capital forem enquadradas como deficitárias. Até a publicação desta reportagem, a estatal não havia detalhado a distribuição regional dos fechamentos.
O SouBrasília já mostrou que os Correios passaram a entregar no Brasil compras feitas em sites do Paraguai, uma das apostas da empresa para recuperar receita no comércio eletrônico.








