ter, 29 set
Economia

IGP-M sobe 1,57% e reajuste do aluguel em outubro vai a 3,34%

O índice que corrige a maior parte dos contratos de aluguel subiu 1,57% em setembro e acumula 3,34% em 12 meses, taxa que vale para os contratos com aniversário em outubro.

Por Redação Sou Brasília 5 min de leitura
Casal assina documento de contrato apoiado em uma mesa
Foto: Anastasia Shuraeva/Pexels
Neste texto6 tópicos
  1. Quanto sobe o aluguel com reajuste em outubro
  2. Por que o índice voltou a subir depois de quatro meses de alívio
  3. Como ficou o IGP-M mês a mês em 2026
  4. O reajuste é obrigatório?
  5. No DF, o preço pedido corre na frente do índice
  6. O que fazer se o valor cobrado não bater

O IGP-M subiu 1,57% em setembro, informou a Fundação Getulio Vargas nesta terça-feira, 29. O índice que corrige a maior parte dos contratos de aluguel no país acumula alta de 3,34% em 12 meses. É essa taxa que entra na conta de quem tem reajuste em outubro.

Em agosto o índice havia caído 0,22%. No ano, a alta é de 3,45%. Um ano atrás o quadro era mais brando: em setembro de 2025 o IGP-M subia 0,42% e acumulava 2,82% em 12 meses. "O resultado de setembro chama atenção menos pelo 1,57% do IGP-M isoladamente e mais pela mudança na composição da inflação", afirmou Matheus Dias, economista do FGV IBRE, na nota de divulgação do índice.

Quanto sobe o aluguel com reajuste em outubro

A conta é direta. O valor atual do aluguel é multiplicado por 1,0334, que corresponde aos 3,34% acumulados em 12 meses até setembro. A tabela abaixo mostra o resultado para as faixas mais comuns em Brasília.

Aluguel hojeValor reajustadoAumento por mêsAumento em 12 meses
R$ 1.000R$ 1.033,40R$ 33,40R$ 400,80
R$ 1.500R$ 1.550,10R$ 50,10R$ 601,20
R$ 2.000R$ 2.066,80R$ 66,80R$ 801,60
R$ 2.500R$ 2.583,50R$ 83,50R$ 1.002,00
R$ 3.000R$ 3.100,20R$ 100,20R$ 1.202,40
R$ 4.000R$ 4.133,60R$ 133,60R$ 1.603,20

O condomínio e o IPTU não entram nessa conta. O reajuste incide apenas sobre o valor do aluguel, salvo previsão diferente no contrato.

Por que o índice voltou a subir depois de quatro meses de alívio

O IGP-M é formado por três pedaços, com pesos diferentes. O maior deles é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do total. Ele subiu 2,08% em setembro, depois de recuar 0,34% em agosto.

Dentro do IPA, o estágio de matérias-primas brutas avançou 3,61%, com soja, milho e carne bovina no topo. Bens finais subiram 1,24% e bens intermediários, 0,81%. Todos os três haviam fechado agosto no campo negativo ou perto dele.

Gráfico de barras com a variação mensal do IGP-M em 2026, de janeiro a setembro
Quatro dos nove meses de 2026 fecharam com deflação; setembro foi a maior alta desde abrilGráfico: SouBrasília, com dados da FGV IBRE

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que pesa 30%, saiu de queda de 0,41% em agosto para alta de 0,50% em setembro. A virada veio da conta de luz: o grupo Habitação passou de -1,24% para 1,82% com o fim do efeito do Bônus de Itaipu. Alimentação também virou, de -0,67% para 0,51%.

O terceiro componente, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), subiu 0,25%, ante 0,85% em agosto. O grupo de mão de obra desacelerou de 1,56% para 0,37% e segurou o resultado.

Como ficou o IGP-M mês a mês em 2026

O ano teve quatro meses de deflação e cinco de alta. O pico foi abril, com 2,73%. A sequência negativa entre junho e agosto derrubou o acumulado de 12 meses e agora perdeu força.

  • Janeiro: +0,41%
  • Fevereiro: -0,73%
  • Março: +0,52%
  • Abril: +2,73%
  • Maio: +0,84%
  • Junho: -0,50%
  • Julho: -1,16%
  • Agosto: -0,22%
  • Setembro: +1,57%

Quem renovou contrato em agosto pegou a fase boa. Em julho, o IGP-M caiu 1,16% e reduziu o reajuste do mês seguinte. Essa janela se fechou.

O reajuste é obrigatório?

Não. A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/1991) deixa o valor do aluguel para a livre negociação entre as partes, no artigo 17. O artigo 18 vai além: locador e locatário podem fixar novo valor a qualquer momento, por acordo, e também alterar a forma de reajuste.

Na prática, o índice está escrito no contrato e o proprietário costuma aplicá-lo. Mas nada impede o inquilino de propor um percentual menor. O argumento fica mais forte quando o imóvel está alugado há anos e o valor já corrigido passou o que se pede em imóveis parecidos na mesma quadra.

Sem acordo, a lei prevê a ação revisional no artigo 19. Ela cabe depois de três anos de vigência do contrato ou do último acordo sobre o valor.

No DF, o preço pedido corre na frente do índice

O reajuste de 3,34% vale para contratos em andamento. Quem está procurando imóvel novo encontra outro patamar. O aluguel residencial em Águas Claras subiu 20,4% em 12 meses e liderou a alta entre as regiões do DF, segundo o índice FipeZAP.

A diferença explica por que muito inquilino prefere renovar e negociar do que trocar de endereço. Sair do contrato antigo significa entrar no preço de mercado de hoje, que não segue o IGP-M.

O que fazer se o valor cobrado não bater

  • Confira a cláusula de reajuste. Ela diz qual índice vale e em que mês o contrato faz aniversário.
  • Refaça a conta. O percentual correto é o acumulado em 12 meses até o mês anterior ao aniversário, não o do mês isolado.
  • Peça a memória de cálculo por escrito à imobiliária. O pedido por e-mail ou aplicativo de mensagem serve de prova.
  • Registre reclamação no Procon-DF se a cobrança usar índice diferente do contratado ou percentual acima do divulgado pela FGV.

A próxima divulgação do IGP-M sai no fim de outubro e vai definir o reajuste dos contratos com aniversário em novembro. As prévias do índice, o IGP-M do primeiro e do segundo decêndio, saem antes e dão uma indicação do resultado.

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