dom, 27 set
Economia

Maquila paraguaia: 165 das 339 empresas têm capital brasileiro, e o tributo sobre valor agregado é de 1%

Das 339 empresas sob o regime de maquila no Paraguai, 165 têm capital brasileiro, segundo a Cemap. O regime cobra 1% sobre o valor agregado e isenta Imposto de Renda, compra de máquina e importação de matéria-prima.

Por Redação Sou Brasília 5 min de leitura
Máquina industrial em operação numa linha de produção, com bobinas de fita branca e preta
Foto: Freek Wolsink/Pexels
Neste texto5 tópicos
  1. Quanto isso muda no preço do produto
  2. O que o regime de maquila oferece
  3. Quanto o setor exporta e quem compra
  4. Por que isso interessa a quem mora no DF
  5. O que acompanhar daqui para frente

Das 339 empresas que operam sob o regime de maquila no Paraguai, 165 têm capital brasileiro. O dado é da Câmara de Empresas Maquiladoras do Paraguai, a Cemap. Ele mede um movimento de quase duas décadas: a fábrica atravessa a fronteira e o produto volta.

A conta que explica a mudança está na carga. Na maquiladora, a empresa paga 1% de tributo sobre o valor agregado no país. Fica isenta de Imposto de Renda, inclusive sobre dividendos. Também não paga imposto na compra de máquina nem na importação de matéria-prima. Somados tributos e encargos trabalhistas, a conta média fica em 12%.

Quanto isso muda no preço do produto

Suelen Raizer é fundadora da Frontexa e diretora estratégica internacional da consultoria. Ela disse ao Poder360 que o produto final sai de 15% a 27% mais barato na média. Em alguns setores, a diferença chega a 60%. A mesma fonte estima a carga total brasileira em 80%.

O número pede um aviso. A Frontexa vende exatamente o serviço de levar indústria brasileira para o Paraguai. A estimativa é dela, não de órgão público. "Depende do setor, depende da indústria e depende de uma série de fatores. Se a empresa se enquadrar dentro da lei Maquila, essa possibilidade de ganho é bastante alta", afirmou Raizer.

A régua oficial brasileira é outra e mede coisa diferente. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação calculou em 41,1% do Produto Interno Bruto a carga tributária que o brasileiro paga em 2026. São 150 dias de trabalho por ano só para bancar imposto. Uma conta mede a economia inteira; a outra mede o custo de uma empresa.

Tabela comparando o que a empresa paga no regime de maquila e no regime comum do Paraguai
No regime de maquila o tributo sobre o valor agregado é de 1%; fora dele, o Paraguai cobra 10% de IVA e 10% de Imposto de RendaArte: SouBrasília

O que o regime de maquila oferece

A lei paraguaia que criou o regime é a 1.064, de 1997. Ela deixa a empresa instalada no país importar insumo sem imposto, industrializar e exportar. Sobre o valor agregado em território paraguaio incide o tributo único de 1%.

Quem não se enquadra na maquila cai no regime que os consultores chamam de "Triplo 10". São 10% de Imposto de Renda da empresa, 10% de Imposto de Renda da pessoa física e 10% de Imposto sobre Valor Agregado.

Há um detalhe que decide se o produto volta barato ao Brasil. Para obter o Certificado de Origem do Mercosul e entrar sem tarifa, a mercadoria precisa cumprir o mínimo de 40% de valor agregado regional. Abaixo disso, a peça é tratada como importação de fora do bloco.

Quanto o setor exporta e quem compra

Os números oficiais vêm do Conselho Nacional de Indústrias Maquiladoras de Exportação, o CNIME, ligado ao Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai. Diego Peirat, secretário executivo do conselho, informou em 14 de setembro que as exportações do regime somam US$ 1,01 bilhão no ano. A alta é de 26% sobre o mesmo período de 2025, e a meta de fechamento é US$ 1,5 bilhão.

Tabela com os números oficiais da maquila paraguaia em 2026
O regime exportou US$ 1,01 bilhão até setembro e emprega cerca de 39 mil pessoas no ParaguaiArte: SouBrasília, com dados do CNIME/MIC e da Cemap
  • Empresas no regime: 339 com programa aprovado e vigente, em levantamento de abril de 2026
  • Capital brasileiro: 165 empresas; a Cemap estima que cerca de 70% do capital instalado tem origem no Brasil
  • Empregos: perto de 39 mil postos diretos, com 1.923 vagas criadas no primeiro semestre
  • Recorde mensal: US$ 150 milhões exportados em agosto
  • Destino: 77% das exportações vão para o Mercosul, e o Brasil absorveu 62% no primeiro semestre
  • Projetos novos: 49 aprovados em 2026, em montagem, confecção, software e serviços

As duas contagens de empresas brasileiras não batem, e vale registrar. A Cemap fala em 165 companhias com participação de capital do Brasil entre as 339 do regime. A consultoria ouvida pelo Poder360 fala em mais de 230 empresas brasileiras que migraram desde 2007, o equivalente a 70% das estrangeiras instaladas. São critérios diferentes de contagem, e nenhuma das duas fontes detalha o método.

Jorge Bunchicoff, presidente da Cemap, descreveu o setor como "bastante diversificado". A concentração geográfica é alta. Segundo o CNIME, 92% das empresas com programa aprovado estão em Alto Paraná, Central, Capital e Amambay.

Por que isso interessa a quem mora no DF

Porque o produto volta. Autopeça, confecção, calçado e eletrônico montados do outro lado da fronteira chegam ao varejo brasileiro com custo de produção menor. Eles concorrem com a indústria instalada aqui. O Brasil é, ao mesmo tempo, o principal investidor e o principal comprador do regime.

O caminho inverso já apareceu no bolso do consumidor de Brasília. Desde agosto, os Correios entregam no Brasil compras feitas em sites paraguaios, com imposto de importação recolhido na hora da compra.

O governo paraguaio trabalha para acelerar a entrada de novas fábricas. O Ministério da Indústria e Comércio informa ter reduzido de 40 dias para nove o prazo de aprovação de um programa de maquila. A pasta cita ainda a Associação de Indústrias de Autopeças, para quem 80% das indústrias do setor obtêm autorização de exportação "em segundos" pelo sistema automático.

O que acompanhar daqui para frente

O CNIME divulga o balanço do regime mês a mês. O número a observar é o fechamento de 2026. Se a meta de US$ 1,5 bilhão for cumprida, o regime terá crescido cerca de 15% sobre os US$ 1,3 bilhão de 2025. O outro indicador é o saldo de projetos aprovados com capital brasileiro, publicado pelo Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai.

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