qua, 14 out
Economia

Confiança da indústria sobe a 46,2 pontos em outubro, mas segue abaixo de 50 há 22 meses

O Icei subiu 1,3 ponto em outubro, para 46,2, puxado pelas expectativas. Já a avaliação das condições atuais é a pior desde julho de 2020, aponta a CNI.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Mãos de um soldador trabalhando com eletrodo em uma chapa de aço, com faíscas e fumaça (foto ilustrativa)
Foto: Swastik Arora/Pexels
Neste texto4 tópicos
  1. O que melhorou e o que piorou no índice
  2. Como isso se compara a julho
  3. O que os números da indústria mostram no mesmo período
  4. E no Distrito Federal?

A confiança do empresário da indústria subiu em outubro, mas continua no campo do pessimismo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) avançou 1,3 ponto e chegou a 46,2 pontos, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (14). Abaixo de 50, o índice mostra falta de confiança, e o setor completa 22 meses seguidos nessa faixa. Os dados são da Agência Brasil.

O que melhorou e o que piorou no índice

O Icei junta duas leituras, e elas foram em direções opostas em outubro:

  • Índice de Expectativas (próximos seis meses): subiu 2,1 pontos, para 49,3. É o que puxou o resultado e chega perto da linha dos 50.
  • Índice de Condições Atuais: recuou 0,2 ponto, para 40. É o menor valor desde julho de 2020, em plena pandemia.

Ou seja, o empresário acha que o futuro será menos ruim, mas avalia o presente como o pior em seis anos. A queda no quesito condições veio sobretudo da avaliação negativa que cada empresário faz da situação da própria empresa.

Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o patamar baixo tem várias causas. "Alguns elementos já vêm de algum tempo, como a queda da demanda por produtos industriais, mas outros, mais recentes, agravaram o quadro", afirmou em nota. A CNI também apontou os custos elevados e a incerteza no cenário internacional.

Como isso se compara a julho

O SouBrasília noticiou em julho que a confiança da indústria havia caído a 44,4 pontos, com expectativas em 45,8 e condições atuais em 41,6. Entre aquela leitura e a de outubro, as expectativas ganharam 3,5 pontos e as condições atuais perderam 1,6. O índice de setembro, calculado a partir da alta de 1,3 ponto divulgada agora, ficou em 44,9.

A pesquisa foi feita de 1º a 7 de outubro com 1.103 empresas industriais: 456 pequenas, 414 médias e 233 grandes.

O que os números da indústria mostram no mesmo período

A percepção do empresário aparece também nos indicadores da própria CNI. O faturamento da indústria de transformação caiu 3,5% em agosto, depois de recuar 2,2% em julho. No acumulado de janeiro a agosto, a retração é de 0,2%. As horas trabalhadas na produção diminuíram 1% no mês, e a utilização da capacidade instalada passou de 77,5% para 76,9%.

No mercado de trabalho da indústria, o quadro é de estabilidade. O emprego ficou estável em agosto, mas acumula queda de 0,5% no ano. A massa salarial subiu 0,5% no mês e 0,9% no ano, e o rendimento médio avançou 0,5% e 1,5%, respectivamente.

O crédito é outro ponto de pressão. Em pesquisa divulgada pela CNI em 9 de outubro, 76% das empresas que tiveram dificuldade para financiar operações de curto e médio prazo citaram os juros altos como entrave. Entre as que buscaram crédito, 24,7% não conseguiram contratar, contra 20% em 2025.

E no Distrito Federal?

Os números da CNI são nacionais e a nota não detalha o resultado por estado. No DF, o destaque recente da atividade veio de outro setor: o SouBrasília mostrou que os serviços no DF cresceram 9,1% no ano, a maior alta do país, segundo o IBGE.

A CNI divulga o Icei todo mês. A leitura de novembro vai mostrar se a melhora das expectativas se mantém ou se o pessimismo com as condições atuais, hoje em 40 pontos, volta a puxar o índice para baixo.

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