ter, 29 set
Trabalho

Greve da Caixa acaba com reajuste de INPC mais 0,6% e volta imediata ao trabalho

A Seção de Dissídios Coletivos do TST considerou a greve não abusiva, fixou reajuste de 100% do INPC mais 0,6% por dois anos e determinou o retorno imediato dos empregados. Os dias parados serão compensados em até 180 dias.

Por Redação Sou Brasília 5 min de leitura
Cédulas de real brasileiras de 2, 5, 10, 20, 50, 100 e 200 abertas em leque sobre fundo branco
Foto: Ivo Brasil/Pexels
Neste texto6 tópicos
  1. Por que o TST não considerou a greve abusiva
  2. De quanto é o reajuste e o que mais sobe junto
  3. Os dias parados vão ser descontados do salário?
  4. O que muda no Saúde Caixa
  5. O que mais entrou na decisão
  6. Quando as agências voltam ao normal

O TST julgou nesta terça-feira a greve dos empregados da Caixa Econômica Federal e a considerou não abusiva. O tribunal fixou reajuste de 100% do INPC mais 0,6% e determinou o retorno imediato ao trabalho.

A decisão saiu na Seção Especializada em Dissídios Coletivos e encerra a paralisação que durava desde 10 de setembro. Ela tem validade de dois anos, com efeitos a partir de 1º de setembro de 2026 e vigência até 31 de agosto de 2028. O processo é o dissídio coletivo DCG-1000975-72.2026.5.00.0000, relatado pelo ministro Maurício Godinho Delgado.

Por que o TST não considerou a greve abusiva

A Caixa levou o caso ao tribunal em 23 de setembro. O banco pedia que a Justiça declarasse a ilegalidade do movimento, sob o argumento de que a atividade bancária é essencial. O pedido foi rejeitado.

Na sessão desta terça, o relator registrou dois pontos. O primeiro é que a ordem judicial dada na semana passada foi cumprida pelas entidades sindicais. O segundo é que não houve excessos ou desvios generalizados capazes de contaminar o movimento inteiro.

O ministro reconheceu que ocorreram conflitos pontuais durante a paralisação. Para ele, esses episódios isolados não bastavam para invalidar a greve como um todo. Em 25 de setembro, o mesmo relator já havia limitado o alcance do pedido do banco quando mandou manter 60% do pessoal por agência sob multa diária, e não os 80% que a empresa queria.

De quanto é o reajuste e o que mais sobe junto

O índice vale para o salário e também para uma lista de benefícios. O TST aplicou o mesmo percentual a cinco rubricas do acordo coletivo, o que na prática corrige o pacote inteiro pela mesma régua.

O que foi decididoValor
Reajuste salarial100% do INPC mais 0,6%
Auxílio-refeição e auxílio-alimentaçãoMesmo índice do salário
Auxílio-cesta alimentaçãoMesmo índice do salário
Auxílio-creche e auxílio-babáMesmo índice do salário
Indenização por assalto ou sinistroMesmo índice do salário
Vigência da decisão1º/9/2026 a 31/8/2028

Vale reparar no desenho do prazo. Ao fixar dois anos de vigência, o tribunal tirou a categoria da mesa de negociação em 2027 e empurrou a próxima campanha salarial da Caixa para o segundo semestre de 2028.

Linha do tempo com os quatro marcos da greve da Caixa, de 10 a 29 de setembro de 2026
Os quatro marcos da paralisação, do início ao julgamento do dissídio coletivo no TSTArte: SouBrasília

Os dias parados vão ser descontados do salário?

Não. O TST decidiu que os dias de paralisação não serão descontados. Eles serão compensados em até 180 dias, prazo que começa a correr com o fim da greve.

É a parte da decisão que mexe direto no contracheque de quem aderiu ao movimento. O modo de compensar cabe à empresa e às entidades sindicais acertarem dentro desse prazo.

O que muda no Saúde Caixa

O plano de saúde dos empregados era o ponto mais travado da negociação. A Caixa queria mudar o modelo de custeio e apresentou um relatório técnico apontando dificuldade de sustentação financeira. Os sindicatos defendiam o custeio solidário e pediam perícia oficial.

O relator observou que o relatório foi produzido dentro da própria empresa e teve premissas e conclusões contestadas pelas entidades. Também registrou que a urgência da greve impediu a realização de uma perícia atuarial independente no curso do processo.

Diante disso, o tribunal manteve as regras da norma coletiva anterior e as incorporou à decisão. Os valores do plano sobem pelo mesmo índice do reajuste salarial. A mensalidade do titular segue em 3,5% da remuneração.

Continuam valendo, nos termos antigos, a mensalidade adicional de dependentes, o teto de renda dos beneficiários indiretos, a coparticipação em consulta de pronto-socorro e o teto de coparticipação. A proposta que os bancários rejeitaram em assembleia, quando 102 bases disseram não e 30 disseram sim, tinha justamente o Saúde Caixa como pedra no caminho.

O que mais entrou na decisão

A sentença normativa incorporou diversas cláusulas econômicas e sociais dos acordos coletivos de 2024/2026 firmados pela Caixa com a Contraf e a Contec. A lista é longa e cobre o dia a dia do emprego.

  • Jornada de trabalho e horas extras
  • Licença-paternidade e licença por adoção
  • Estabilidade e saúde do trabalhador
  • Diversidade, inclusão e igualdade salarial
  • Teletrabalho
  • Prevenção e combate à violência e ao assédio
  • Negociação permanente

Quando as agências voltam ao normal

O retorno é imediato, segundo a decisão do colegiado. Na prática, o atendimento presencial volta à escala cheia assim que as unidades recompuserem o quadro, sem o piso de 60% que valia durante a paralisação.

Quem ficou com pendência acumulada nas últimas três semanas deve procurar a agência com o protocolo em mãos. Pagamentos de benefícios sociais, financiamento habitacional e FGTS foram os serviços mais afetados no período.

O próximo passo agora está com a Caixa e com as confederações: definir como os dias parados serão compensados dentro dos 180 dias e publicar o cálculo do INPC aplicado ao salário de setembro. Acompanhe o andamento do processo pela consulta pública do TST com o número do dissídio.

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