Greve dos Correios acaba com reajuste de 4,09% e mutirão de fim de semana para o atraso
Seção de Dissídios Coletivos do TST fixou reajuste de 4,09%, manteve a data-base de 1º de agosto e mandou a categoria voltar ao trabalho nesta sexta.

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A Seção Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho decidiu nesta quinta-feira (24) que a greve dos Correios não foi abusiva, fixou reajuste de 4,09% para a categoria e mandou os trabalhadores voltarem ao serviço a partir desta sexta-feira (25).
No julgamento do dissídio, registrado sob o número DCG-1000919-39.2026.5.00.0000, o tribunal negou o pedido da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos para declarar a paralisação abusiva. "Como reconhecer abusividade nesse caso? Primeiro, a dimensão territorial do país. Segundo, que o número de agências do país é um número enorme", afirmou o presidente da Corte, ministro Vieira de Mello Filho, ao fim da sessão.
- Greve começou em 10 de setembro e termina com volta ao trabalho nesta sexta (25).
- Reajuste de 4,09% retroativo a 1º de agosto, data-base mantida.
- Dias parados não serão descontados: serão compensados em mutirões de fim de semana.
- Os Correios deixam de ser mantenedores do plano de saúde e passam a pagar subsídio.
O que o TST decidiu, ponto a ponto
| Ponto | O que ficou decidido |
|---|---|
| Abusividade | Greve considerada não abusiva, por maioria |
| Volta ao trabalho | Retorno imediato, a partir de 25 de setembro |
| Data-base | Mantida em 1º de agosto de 2026 |
| Reajuste | 4,09% sobre os salários da data-base, com efeito nas demais parcelas salariais |
| Dias parados | Sem desconto; compensação em mutirões de fim de semana |
| Plano de saúde | ECT deixa de ser mantenedora e passa a dar subsídio ao Benefício de Assistência à Saúde, de adesão facultativa |

A relatora do caso, desembargadora convocada Maria de Nazaré Rocha, entendeu que houve negociação real antes da paralisação. Empresa e trabalhadores trocaram propostas e contrapropostas, e as conversas foram acompanhadas pela Vice-Presidência do TST em procedimento de mediação. Para ela, a tentativa de acordo foi direta e pacífica, mas terminou sem consenso nos pontos que as duas partes consideravam relevantes.
No ponto da abusividade ficaram vencidos a ministra Maria Cristina Peduzzi e os ministros Ives Gandra Martins Filho e Guilherme Caputo Bastos. Os Correios sustentavam que a campanha salarial ainda estava em curso quando a categoria parou e acusavam o movimento de descumprir a liminar que obrigava a manter 80% do efetivo nas operações durante a greve.
O que muda no salário e nos benefícios
O reajuste de 4,09% incide sobre os valores praticados na data-base de 1º de agosto de 2026 e se espalha pelas demais parcelas de natureza salarial. A decisão também atualizou quatro benefícios pelo mesmo índice: o auxílio para empregados e dependentes com deficiência, o reembolso-creche, o reembolso-babá, o vale-refeição e alimentação e o vale-transporte.
O ponto mais sensível do acordo, e o que travou a negociação desde o começo, foi o plano de saúde. Pela decisão, a estatal não será mais a empresa mantenedora. Os Correios passam a oferecer um subsídio empresarial dentro do Benefício de Assistência à Saúde, cuja adesão é facultativa e segue as regras do regulamento próprio. Até que o novo modelo entre em operação, continua valendo o Plano Correios Saúde II.
Quando a encomenda parada volta a andar
A decisão autorizou, em caráter excepcional, que os dias parados sejam compensados com mutirões de trabalho em fins de semana, em vez de descontados do salário. A relatora justificou a exceção com o argumento apresentado pela própria empresa: a carga acumulada na rede, o descumprimento dos prazos contratados e o afunilamento na distribuição de encomendas exigem, nas palavras da ECT, "esforço extraordinário durante período prolongado para regularizar o serviço".
Na prática, isso significa que a fila de objetos represados começa a ser escoada com turnos extras de sábado e domingo, sem prazo fixado pelo tribunal. A relatora citou ainda o período eleitoral e a proximidade das eleições gerais entre os motivos para normalizar o atendimento com urgência. Quem espera carta ou encomenda pode acompanhar a situação pelo código de rastreamento no site e no aplicativo dos Correios; o prazo contratado só volta a valer quando o objeto entra de novo no fluxo normal de distribuição.
Como a greve chegou até aqui
A paralisação nacional começou em 10 de setembro, depois que a campanha salarial terminou sem acordo, segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações. Já no início do movimento o TST determinou a manutenção de 80% do efetivo nas operações, medida que manteve parte das agências funcionando e limitou o estrago na entrega. Ainda assim, quem postou objeto nas duas primeiras semanas viu o prazo de entrega estourar sem previsão.
O julgamento do dissídio havia começado na segunda-feira (21) e foi suspenso, o que prolongou a paralisação por mais três dias. Depois do anúncio da decisão, os sindicatos da categoria informaram que se reuniriam para definir o retorno às atividades.
Os Correios operam em todo o território nacional e a estatal fechou 2025 com prejuízo recorde. Em agosto a empresa abriu um plano de demissão voluntária para até 7 mil empregados. O próximo passo do calendário trabalhista é a implantação do novo modelo de assistência à saúde, que precisa ser regulamentado antes de substituir o plano atual.






