Consumo de energia nas casas deve crescer 3% ao ano até 2035

julho 18, 2026
Pessoa aciona ar-condicionado com controle remoto em sala residencial

O consumo de energia elétrica nas residências brasileiras deve crescer 3% ao ano até 2035, aponta o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e aprovado pelo Ministério de Minas e Energia no dia 2 de julho, por portaria publicada no Diário Oficial da União.

Com esse ritmo, o setor residencial chega a 254 TWh em 2035. O país terá cerca de 91 milhões de unidades consumidoras ligadas à rede, com consumo médio próximo de 182 kWh por mês no fim da década, segundo o estudo.

O documento orienta a expansão de usinas, linhas de transmissão e demais investimentos do setor elétrico nos próximos dez anos. A previsão de aportes no horizonte do plano soma R$ 3,5 trilhões.

Ar-condicionado puxa a alta

O principal motor do aumento dentro de casa é o ar-condicionado. A EPE aponta o aparelho como o maior responsável pelo consumo de eletricidade nos domicílios ao longo da década, reflexo do calor mais intenso e do barateamento dos equipamentos.

A conta não cresce só pelo número de novas ligações, que avança em ritmo mais lento, de 0,9% ao ano. O que muda de verdade é o consumo de cada família, cada vez mais equipada com climatização, eletrodomésticos e eletrônicos.

Esse padrão cria um desafio para o sistema: os picos de demanda se concentram no verão e no fim da tarde, justamente quando a geração solar perde força. O plano prevê que a carga total do Sistema Interligado Nacional alcance cerca de 115 GW médios em 2035.

Números do PDE 2035

  • Consumo total de eletricidade: 939 TWh em 2035, alta média de 3,3% ao ano
  • Setor residencial: 254 TWh em 2035, crescimento de 3% ao ano
  • Unidades consumidoras: 91 milhões, avanço de 0,9% ao ano
  • Consumo final de energia (todas as fontes): alta de 1,8% ao ano
  • Capacidade instalada de geração: salto de 255 GW para cerca de 367 GW
  • Investimentos previstos: R$ 3,5 trilhões no período

As fontes renováveis devem responder por 51% da oferta interna de energia em 2035 e por mais de 85% da geração de eletricidade, com destaque para solar, eólica e hidrelétricas.

“O plano projeta a expansão da oferta de energia com forte protagonismo das fontes renováveis”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao classificar o documento como instrumento para orientar investimentos no setor.

O que isso significa para o bolso

Mais consumo por família significa conta mais alta no fim do mês, mesmo sem reajuste de tarifa. Um ar-condicionado de 12.000 BTUs ligado algumas horas por noite consegue dobrar o gasto de um domicílio pequeno.

Do lado do sistema, a necessidade de expandir geração e transmissão pressiona os custos que chegam ao consumidor via tarifa. A aposta em renováveis tende a segurar parte dessa pressão, mas exige investimento pesado em redes e em flexibilidade para atender os picos de verão.

Famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico contam com a gratuidade de até 80 kWh mensais da nova Tarifa Social. Quem se enquadra pode conferir as regras na matéria do SouBrasília sobre a conta de luz zerada.

O PDE 2035 agora passa a balizar os leilões de energia e as decisões de investimento do setor. A EPE atualiza o plano todos os anos, com horizonte móvel de dez anos.

Perguntas frequentes

O que é o PDE 2035?

É o Plano Decenal de Expansão de Energia, estudo da EPE aprovado pelo Ministério de Minas e Energia que orienta a expansão do setor energético brasileiro até 2035.

Quanto o consumo residencial de energia vai crescer?

A projeção é de crescimento de 3% ao ano, chegando a 254 TWh em 2035, com consumo médio de 182 kWh mensais por unidade no fim da década.

Qual aparelho mais pesa na conta de luz das casas?

Segundo a EPE, o ar-condicionado será o principal responsável pelo consumo de eletricidade nos domicílios brasileiros na próxima década.

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