qua, 21 out

Brinquedo com IA: pediatras listam 9 perguntas antes de comprar

A Sociedade Brasileira de Pediatria divulgou alerta sobre brinquedos com IA: o que checar antes da compra e como reclamar se houver problema.

Por Redação Sou Brasília 4 min de leitura
Robô de brinquedo branco sobre uma mesa escura com fundo azul e rosa
Foto: Pavel Danilyuk/Pexels
Neste texto4 tópicos
  1. Por que a SBP acendeu o alerta
  2. As nove perguntas para fazer antes de comprar
  3. O que o fabricante precisa informar
  4. O que fazer se houver problema

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nesta quarta-feira (21) um alerta sobre brinquedos com inteligência artificial e recomenda cautela na hora de comprar produtos que conversam com a criança, guardam o que ela diz e simulam amizade. Para a entidade, a pergunta antes da compra deve ir além do que o brinquedo faz: como funciona, o que coleta e o que acontece com esses dados.

O documento foi noticiado pela Agência Brasil e faz parte das orientações da SBP para famílias. As perguntas servem para quem vai comprar e para quem já tem o brinquedo em casa.

Por que a SBP acendeu o alerta

Segundo a entidade, sistemas de IA generativa reconhecem voz e imagem, recordam informações, adaptam respostas e mantêm conversas que não são inteiramente pré-programadas. Um brinquedo conectado pode ter microfone, câmera e acesso à internet, além de coletar dados e usar mecanismos de personalização e de engajamento.

Outro ponto do alerta é que a IA, mesmo usando linguagem afetiva, não é uma pessoa. A SBP cita uma revisão publicada na revista Pediatrics que aponta o risco de a criança passar a ver a IA como amiga ou cuidadora. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou para os chamados "AI companions", produtos que estimulam conversas em forma de relacionamento. Segundo o Unicef, "apesar da aparência inofensiva, são sistemas de IA que podem obter informações e causar prejuízos à saúde e dependência ao produto".

Os pediatras também dizem que os efeitos de longo prazo sobre a saúde mental e o comportamento ainda não foram suficientemente mapeados. Nas palavras do documento: "A incerteza científica não significa ausência de riscos".

As nove perguntas para fazer antes de comprar

A SBP propõe que a família responda a estas questões antes de levar o produto para casa:

  1. O que essa tecnologia acrescenta à brincadeira?
  2. A criança participa ativamente ou o brinquedo faz quase tudo por ela?
  3. O produto usa IA generativa e tem câmera, microfone ou conexão com a internet?
  4. A indicação de idade e a supervisão dos pais estão claras?
  5. O que acontece com os dados da criança?
  6. O brinquedo expõe a criança a perfilamento, publicidade, compras ou assinaturas?
  7. O produto simula amizade, afeto, cuidado ou apoio emocional?
  8. A criança vai entender, para a idade dela, que fala com uma IA e não com uma pessoa?
  9. Que lugar a experiência ocupa na rotina, em relação a sono, movimento, brincadeira livre, leitura e convivência familiar?

A entidade recomenda priorizar brinquedos sem recursos de IA generativa, conversa aberta, coleta de dados pessoais e simulação de afeto quando esses recursos não trazem benefício claro. A mesma orientação vale se o funcionamento e as proteções não forem transparentes.

O que o fabricante precisa informar

Pela SBP, as informações sobre o produto têm de estar acessíveis antes da compra: se há câmera ou microfone, se o produto precisa de internet, quais dados registra e para quê, onde são guardados, se são repassados a terceiros, se é possível apagá-los e quais recursos vêm ativados de fábrica. A recomendação é direta: "Se não estiverem acessíveis, a recomendação é não comprar".

O documento diz ainda que fornecedores são obrigados a informar pais, responsáveis, crianças e adolescentes sobre riscos e medidas de segurança, inclusive de privacidade e proteção de dados, mesmo depois da compra.

O que fazer se houver problema

Diante de coleta de dados não informada, conteúdo inadequado, falha de segurança ou dificuldade para exercer direitos, a SBP indica quatro caminhos:

  • pedir ao fornecedor informação, correção ou eliminação dos dados da criança;
  • desistir da compra em até sete dias do recebimento, quando ela foi feita fora de loja física;
  • usar os canais de notificação do próprio fornecedor;
  • reclamar no Procon, no consumidor.gov.br e na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

No DF, o guia do Procon-DF reúne canais de atendimento, endereços dos postos e o que o órgão não atende. Para a opinião dos brasileiros sobre tecnologia e crianças pequenas, veja a pesquisa Locomotiva sobre celular para crianças de até 3 anos, em que 82% se disseram contra.

O prazo de sete dias, segundo a SBP, conta a partir do recebimento do produto. Quem comprou brinquedo conectado pela internet ainda está dentro dele se a entrega foi nesta semana.

Mais em Saúde

Ver todas

Mais lidas da semana

últimos 7 dias
Enviar no WhatsApp