A arma antidrone usada pela Polícia Judicial do Supremo Tribunal Federal para abater um drone na Praça dos Três Poderes, nesta segunda-feira, 15, foi adquirida pelo tribunal depois dos ataques de 8 de janeiro de 2023, informou o Metrópoles. O equipamento derrubou um aparelho não autorizado que sobrevoava o entorno da Corte durante a sessão extraordinária sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
O STF não divulgou o valor do contrato nem a data exata da compra. Em nota, o tribunal afirmou que o uso do equipamento integra o conjunto de medidas de segurança adotadas desde então.
“O uso de arma antidrone integra o conjunto de medidas de segurança adotadas pelo Tribunal, que vem investindo na modernização de equipamentos e protocolos para proteção das instalações”, diz a nota do STF.
Como o equipamento funciona
Reportagens que cobriram a ação, entre elas as da NSC Total e da Folha de Pernambuco, identificaram o aparelho como um DroneGun Tactical. O equipamento tem formato de fuzil, exige operação com as duas mãos e reúne antenas direcionais, painel de controle e sensor óptico.
Ele não dispara projétil. O funcionamento é por radiofrequência: ao localizar o alvo, o dispositivo emite um sinal que corta a comunicação entre o drone e o controle remoto de origem. Sem esse elo, o aparelho é forçado a pousar ou a retornar ao ponto de decolagem, dependendo da programação de fábrica.
É a mesma família de tecnologia usada por administrações penitenciárias para barrar drones que tentam arremessar celulares e drogas dentro de presídios.
O que aconteceu na Praça dos Três Poderes
O drone foi detectado durante a sessão em que o Supremo discutia se abre apuração sobre a relação atribuída ao ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no caso do Banco Master. A equipe da Polícia Judicial do STF abateu o aparelho no entorno do prédio.
O tribunal não informou quem operava o drone nem se houve identificação do responsável. Não há registro de feridos.
A área já estava sob restrição naquele dia. A Praça dos Três Poderes foi fechada e a Esplanada teve bloqueio durante a sessão do STF, com esquema montado pelas forças de segurança do DF.
O que mudou na segurança do STF depois de 2023
Em 8 de janeiro de 2023, as sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal foram invadidas e depredadas. No prédio do STF, o plenário e o gabinete da Presidência ficaram entre os espaços atingidos, com destruição de mobiliário e de obras de arte do acervo do tribunal.
Desde então, a Corte passou a tratar a proteção das instalações como projeto permanente. A nota divulgada nesta segunda cita três frentes: tecnologias de detecção, sistemas de controle de acesso e identificação de objetos. A arma antidrone entra na primeira dessas frentes.
A operação do equipamento cabe à Polícia Judicial do STF, órgão de segurança institucional do próprio tribunal, responsável pelo policiamento das dependências, pela proteção dos ministros e pelo controle de quem circula no edifício.
Voo de drone em Brasília tem regra própria
Independentemente da segurança do Supremo, o espaço aéreo da região central de Brasília é controlado. A operação de drones no país segue norma da Agência Nacional de Aviação Civil e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, e voos em área de segurança institucional ou próximos a aeródromos dependem de autorização prévia.
Em datas de grande público, a restrição é reforçada por ato específico. Em agosto, por exemplo, o voo de drone foi proibido no desfile de 7 de Setembro e no ensaio de 29 de agosto, por determinação do Decea.
Quem voa sem autorização em área restrita responde nas esferas administrativa e, a depender do caso, criminal. Na prática, a Praça dos Três Poderes concentra as sedes dos três Poderes em poucas centenas de metros, o que faz do entorno uma das áreas mais sensíveis do país para operação de aeronave não tripulada.








