dom, 11 out
Saúde

Anvisa autoriza testes em humanos da Vivaxin, primeira vacina contra a malária vivax

Anvisa liberou a fase 1 da Vivaxin, da UFMG: 48 voluntários em Belo Horizonte, três doses e um ano de acompanhamento. A vacina ainda não está disponível.

Por Redação Sou Brasília 4 min de leitura
Mão de luva azul segura frasco de vacina ao lado de outros frascos transparentes
Foto: Pexels
Neste texto5 tópicos
  1. O que a Anvisa autorizou
  2. Como será a fase 1 da Vivaxin
  3. Por que uma vacina contra o vivax faz diferença
  4. O que vem depois
  5. Perguntas rápidas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou na quarta-feira (7) o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina brasileira contra a malária causada pelo Plasmodium vivax, o tipo mais comum no país. A fase 1 terá 48 voluntários saudáveis em Belo Horizonte e, por enquanto, não libera venda nem uso pela população.

O que a Anvisa autorizou

A decisão vale apenas para o estudo científico. A fase 1 mede, em primeiro lugar, a segurança do imunizante: quais reações aparecem, com que frequência e com que intensidade. Em seguida, avalia se o organismo produz defesas contra o parasita. Se a capacidade de prevenir a infecção será comprovada, só as etapas seguintes dirão.

A vacina foi desenvolvida pelo CTVacinas, grupo de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em colaboração com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório farmacêutico Cristália. Segundo as reportagens publicadas desde quinta-feira (8), não existe imunizante aprovado contra o P. vivax em nenhum lugar do mundo.

Mosquito em close sobre uma folha verde
A malária é transmitida pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero AnophelesFoto: Pexels

Como será a fase 1 da Vivaxin

O protocolo registrado prevê 48 participantes de 18 a 59 anos, todos sem infecção prévia por malária. O estudo será feito no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.

  • Grupos: os voluntários são divididos em dois. Um recebe a Vivaxin, o outro recebe placebo, e ninguém sabe em qual está.
  • Doses: três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas.
  • Dosagens: serão testadas três quantidades diferentes, para identificar a mais segura e potencialmente mais eficaz.
  • Acompanhamento: cerca de um ano, com exames e avaliações clínicas periódicas.

A tecnologia consiste em produzir em laboratório uma proteína com variantes de uma proteína da superfície do parasita. Ao apresentar esse fragmento ao sistema imunológico, a vacina estimula a produção de anticorpos sem expor a pessoa à doença.

Por que uma vacina contra o vivax faz diferença

As duas vacinas recomendadas hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a RTS,S/AS01 e a R21/Matrix-M, combatem apenas o Plasmodium falciparum, tipo mais grave e mais comum na África. Nenhuma delas protege contra o vivax, que respondeu por 63,1% das infecções estimadas nas Américas em 2024, segundo a OMS.

No Brasil, o Ministério da Saúde registrou cerca de 118 mil casos de malária em 2025. Aproximadamente 85% foram do tipo vivax e 99% ocorreram na região amazônica. A doença causou 39 mortes no país no ano passado.

De acordo com a UFMG, a malária vivax também pode levar à morte e provocar anemia grave, problemas respiratórios e ruptura do baço. O parasita ainda pode ficar dormente no fígado por meses e causar novos episódios sem nova picada, o que complica o controle e o tratamento. Os sintomas mais comuns são febre, calafrios e dor de cabeça. A transmissão ocorre pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Anopheles.

O que vem depois

Os resultados da fase 1 definem se a Vivaxin avança para a fase 2, com mais voluntários. A eficácia contra a doença depende de pesquisas futuras, e é nas fases 2 e 3 que ela será medida, ao mesmo tempo em que a segurança continua monitorada. Não há prazo divulgado para o início do recrutamento nem para os resultados.

O país mantém um Plano Nacional de Eliminação da Malária, com meta de interromper a transmissão local até 2035. Para o CTVacinas, uma vacina contra o vivax, se comprovar segurança e eficácia, poderá ser mais uma ferramenta de controle da doença.

Perguntas rápidas

A Vivaxin já está disponível? Não. A autorização permite só o estudo clínico de fase 1.

Quem pode participar? Pessoas saudáveis de 18 a 59 anos que nunca tiveram malária. As informações de recrutamento devem ser buscadas com a UFMG.

Quando haverá vacina no SUS? Não há previsão. Antes, o imunizante precisa concluir as fases 2 e 3 e obter registro da Anvisa.

Para entender o avanço da doença no país, veja também nossa matéria sobre a menor taxa de malária em 47 anos e o tratamento com tafenoquina no SUS.

Fontes: Anvisa (autorização de 7 de outubro), UFMG/CTVacinas, Ministério da Saúde, OMS, conforme reportagens do Diário do Grande ABC, SBT News e Estado de Minas.

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