Acusados de matar empresária em cobrança de dívida são presos no DF
Casal apontado como responsável pela morte da empresária Rebeca Sousa, em Águas Lindas de Goiás, foi localizado em uma casa em Arniqueira, no Distrito Federal.

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Um homem e uma mulher apontados como responsáveis pela morte da empresária Rebeca Sousa, de 29 anos, foram presos na terça-feira, 11 de agosto, em uma casa em Arniqueira, no Distrito Federal. Breno César de Sousa Rodrigues e Maria Clara Noronha de Oliveira Miranda Carvalho foram localizados pelo Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) da Polícia Civil de Goiás, que apura o crime ocorrido em Águas Lindas de Goiás.
O homicídio aconteceu na noite de 3 de julho, na residência das vítimas. Segundo a investigação, os dois foram até a casa para cobrar uma dívida ligada a entorpecentes atribuída ao irmão da empresária. Durante a cobrança houve discussão, e Rebeca foi atingida por duas facadas, uma delas no peito. Ela morreu no local.
Segunda mulher foi ferida e conseguiu fugir
Outra mulher que estava na casa foi atingida na cabeça enquanto tentava escapar. Ela conseguiu se esconder e sobreviveu. O caso é apurado como homicídio consumado e tentativa de homicídio praticados no mesmo episódio.
Breno já tinha três mandados de prisão em aberto por outras tentativas de homicídio quando o crime ocorreu. Ele estava em liberdade condicional por um homicídio cometido em dezembro de 2024, no qual a vítima foi o próprio sogro. Os dois presos optaram por permanecer em silêncio na delegacia, direito assegurado a qualquer investigado.
A liberdade condicional é o benefício que permite ao condenado cumprir fora do presídio o restante da pena, sob condições fixadas pelo juiz, como comparecimento periódico em juízo e proibição de mudar de comarca sem autorização. O Código Penal determina a revogação obrigatória do benefício quando o beneficiário é condenado por crime doloso cometido durante o período de prova, com retorno ao regime fechado e perda do tempo já cumprido em liberdade.
Os mandados de prisão em aberto ficam registrados no Banco Nacional de Mandados de Prisão, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça e consultado por qualquer polícia do país em abordagem de rotina. É esse cadastro que permite a uma equipe de Goiás pedir apoio no Distrito Federal sem depender de nova ordem judicial.
Fuga terminou do outro lado da divisa
O trajeto do casal explica por que uma investigação de Goiás terminou em uma casa do Distrito Federal. Águas Lindas de Goiás fica a cerca de 50 quilômetros do centro de Brasília e integra a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF). O deslocamento entre os dois lados da divisa é diário para trabalho, saúde e comércio, e o mesmo fluxo serve a quem tenta se afastar do local de um crime.
Para o morador do DF, o dado prático é esse: procurado por homicídio em Goiás não significa procurado longe. A cooperação entre a Polícia Civil de Goiás e as forças de segurança do Distrito Federal é o que permite localizar suspeitos em endereços de regiões administrativas como Arniqueira, Samambaia, Ceilândia e Recanto das Emas.
Cobrança de dívida e violência doméstica ao alcance
A motivação registrada pela polícia, cobrança de dívida ligada a drogas, aparece com frequência em homicídios do Entorno. A vítima nesse tipo de caso costuma não ser a pessoa devedora, e sim alguém do círculo familiar que estava em casa no momento da cobrança. Foi o que ocorreu com Rebeca, atingida por uma dívida atribuída ao irmão.
Denúncias sobre ameaça, cobrança violenta e tráfico podem ser feitas de forma anônima. No Distrito Federal, o canal é o 197, da Polícia Civil do DF, que funciona 24 horas. Em Goiás, o número é o 197 da Polícia Civil goiana, e o 190 atende emergências nos dois lados da divisa.
Próximos passos do caso
Os dois presos ficam à disposição da Justiça de Goiás, onde o inquérito segue em andamento. Concluída a investigação, cabe ao Ministério Público goiano oferecer denúncia, e ao Judiciário decidir sobre a manutenção da prisão e sobre o recebimento da acusação.
Homicídio qualificado é crime doloso contra a vida e vai a júri popular, etapa que costuma levar meses após a denúncia. A defesa pode pedir revogação da prisão preventiva a qualquer momento do processo. Até que haja condenação com trânsito em julgado, os dois respondem como acusados, e a polícia trata as conclusões do inquérito como indicativos de autoria, não como sentença.





