Neoenergia vai investir R$ 3,1 bilhões na rede elétrica do DF até 2030

agosto 6, 2026
Torre de transmissão de energia elétrica com cabos sob céu azul

A Neoenergia Brasília anunciou um plano de investimento de R$ 3,1 bilhões na rede elétrica do Distrito Federal entre 2026 e 2030. O valor é 118% maior que o aplicado no ciclo anterior e deve alcançar mais de 1,3 milhão de clientes na capital.

O anúncio foi divulgado nesta quarta-feira (5). A concessionária atende todo o território do DF, e o plano diretor apresentado detalha onde o dinheiro entra até o fim da década.

Cinco subestações e 132 km de linhas

O núcleo do plano está na expansão da capacidade de atendimento, item que determina se a rede aguenta o crescimento de bairros e a carga de dias de calor, quando o consumo dispara.

  • Construção e ampliação de cinco subestações
  • 132 quilômetros de novas linhas de alta tensão
  • Reforço da infraestrutura em diferentes regiões administrativas
  • Digitalização da rede, com equipamentos de manobra remota

A primeira entrega do novo ciclo já está em operação. A subestação do Guará II recebeu R$ 32 milhões, acrescentou 66,6 MVA ao sistema e beneficia cerca de 180 mil moradores da região. O detalhamento da obra está em nova subestação no Guará II entra em operação e atende 180 mil pessoas.

Interrupções caíram 36% em quatro anos

A empresa apresentou junto com o plano os indicadores de qualidade do período anterior, medidos pelos parâmetros que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) usa para fiscalizar as distribuidoras.

Entre 2021 e 2025, o tempo de interrupção do fornecimento caiu 36% no DF, e o número de ocorrências recuou 43%. São os dois indicadores que aparecem na conta de luz do consumidor sob as siglas DEC e FEC, que medem, respectivamente, quanto tempo a energia ficou fora e quantas vezes isso aconteceu no ano.

O plano é 118% maior que o ciclo anterior e prevê alcance de mais de 1,3 milhão de clientes no Distrito Federal.

400 novos profissionais até 2030

O pacote inclui contratação e formação de mão de obra. A concessionária prevê capacitar 400 novos profissionais até 2030 pela Escola de Eletricistas e ampliar em até 40% o quadro técnico, com meta de 45% de participação feminina nas novas turmas.

A formação de eletricista de rede é uma das poucas portas de entrada com salário acima da média para quem não tem ensino superior no DF. O curso é gratuito e a contratação costuma ocorrer entre os concluintes das turmas.

Para o consumidor, o retorno esperado do investimento aparece em dois pontos concretos. O primeiro é a redução de apagões localizados em bairros que hoje operam no limite da capacidade. O segundo é o tempo de religamento após temporais, período em que a rede de distribuição concentra a maior parte das falhas.

O DF terminou o primeiro semestre com aumento no furto de cabos, ocorrência que também derruba a energia em trechos inteiros e não entra na conta de falha da rede. A concessionária tem pedido que os casos sejam comunicados assim que identificados, para acelerar a reposição.

O que o consumidor pode cobrar

Investimento anunciado não muda a conta no mês seguinte, mas altera o que o cliente pode exigir quando a energia falha. A distribuidora tem prazos definidos pela Aneel para religar o fornecimento e para responder a pedidos de ressarcimento por aparelho queimado.

  • Falta de energia: registre a ocorrência pelo call center ou pelo aplicativo da distribuidora e guarde o número do protocolo
  • Aparelho queimado: o pedido de ressarcimento deve ser feito em até 90 dias, com a nota fiscal ou laudo de assistência técnica
  • Sem resposta: a reclamação pode ser levada à ouvidoria da concessionária e, depois, à Aneel
  • Furto de cabos e postes danificados: o registro acelera a substituição do trecho afetado

A conta de agosto segue na bandeira amarela, que acrescenta valor por cada 100 quilowatts-hora consumidos. A bandeira é definida mensalmente pela Aneel conforme o custo de geração no país e independe da distribuidora local.

A pressão sobre a rede é maior nas regiões administrativas que mais receberam prédios e comércios na última década, caso de Águas Claras, Samambaia e Ceilândia. Nessas áreas, a carga sobe junto com cada novo empreendimento, e a capacidade instalada precisa acompanhar o ritmo para evitar desligamentos em dias de pico de consumo.

A informação sobre o plano quinquenal foi divulgada pela Neoenergia Brasília e publicada pelo Correio Braziliense e pela Agência iNFRA nesta quarta-feira (5).

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