Poço Azul, Paranoá e Tororó concentram os afogamentos no DF

agosto 5, 2026
Amanhecer no Lago Paranoá, em Brasília, com a água calma e as luzes da orla ao fundo

O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) mapeou os pontos de banho que concentram o maior histórico de acidentes no DF e no Entorno, e a lista mistura áreas de acesso livre, cachoeiras dentro de parques e trechos de propriedades particulares. O levantamento foi divulgado nesta semana, no início do período em que o calor e a estiagem empurram o brasiliense para a água.

O Lago Paranoá é o ponto mais crítico. A corporação registrou 24 ocorrências de afogamento no espelho d’água entre janeiro e o início de dezembro de 2025, dez a mais que em todo o ano anterior. O número consolidou o lago como o principal cenário de acidentes aquáticos da capital, à frente das cachoeiras e dos rios que cortam as regiões administrativas.

Onde estão os pontos críticos

Segundo o mapeamento, seis locais concentram o histórico de ocorrências no DF e nos municípios goianos vizinhos:

  • Poço Azul, em Brazlândia: a profundidade aumenta de forma abrupta poucos metros depois da margem, e a água muito fria provoca choque térmico em quem entra correndo.
  • Lago Paranoá: os trechos próximos à Ponte JK e às barragens são os que mais aparecem nos registros, por causa da profundidade e da distância da margem.
  • Salto do Tororó, em Santa Maria: as pedras ao redor da queda d’água ficam lisas e provocam quedas antes mesmo do banho.
  • Rio Descoberto: tem pontos de correnteza forte e poços fundos em áreas que parecem rasas na superfície.
  • Salto do Itiquira, em Formosa (GO): cachoeira de grande volume no Entorno, com queda de dezenas de metros.
  • Chapada Imperial, em Planaltina (GO): conjunto de quedas em área de mata, com acesso por trilha.

O que provoca o acidente

A corporação aponta que a maioria dos casos não começa por imprudência isolada, e sim pela combinação de fatores do próprio ambiente com o comportamento do banhista. A variação súbita de profundidade é o item que mais aparece: o banhista caminha em segurança por metros e perde o pé sem aviso. Somam-se a isso as correntezas, as pedras escorregadias ao redor das quedas e a temperatura baixa da água em nascentes e poços de mata.

Do lado do comportamento, dois fatores se repetem nos registros: o consumo de bebida alcoólica antes de entrar na água e a superestimação do próprio preparo físico. Nadadores experientes aparecem em ocorrências tanto quanto iniciantes, porque a fadiga em água fria chega mais rápido do que em piscina.

O DF já teve casos com esse padrão neste ano. Em julho, um adolescente morreu afogado no Poção, na região do Paranoá, e no início de agosto os bombeiros atenderam uma ocorrência no lago de Corumbá IV, em Alexânia, no Entorno.

As orientações do CBMDF

A corporação resume a prevenção em cinco pontos:

  1. Não nadar sozinho, mesmo em local conhecido e de pouca profundidade aparente.
  2. Não entrar na água depois de consumir bebida alcoólica ou logo após uma refeição pesada.
  3. Verificar a profundidade antes de qualquer mergulho, sobretudo em poços e cachoeiras.
  4. Respeitar as placas de sinalização e as orientações dos guarda-vidas nos locais que têm o serviço.
  5. Em caso de emergência, acionar o 193 e não entrar na água para tentar o resgate sem equipamento.

A recomendação sobre o resgate improvisado é a que os bombeiros mais reforçam. Uma parcela relevante das vítimas em ocorrências com mais de uma pessoa é justamente quem entrou na água para socorrer alguém e não tinha condição de sustentar o próprio peso somado ao de quem se afogava. A orientação é jogar um objeto que flutue, manter contato visual com a vítima e esperar a equipe.

O que muda na temporada seca

O período de estiagem no DF aumenta a procura por cachoeiras e pelo lago, e ao mesmo tempo reduz o volume de água em alguns trechos, o que expõe pedras e muda a profundidade em relação ao que o frequentador conhecia. Rios que no início do ano tinham corredeiras largas passam a ter poços isolados, mais fundos que a área ao redor.

Nas áreas administradas, como parques ecológicos e propriedades com estrutura de visitação, a orientação é seguir os limites sinalizados e usar apenas os trechos liberados para banho. Em locais de acesso livre, onde não há guarda-vidas nem sinalização, a responsabilidade recai inteiramente sobre o banhista, e é neles que as ocorrências mais graves se concentram.

Quem for a cachoeira no Entorno deve considerar ainda o tempo de deslocamento das equipes. Em pontos como o Salto do Itiquira e a Chapada Imperial, o socorro depende de acesso por estrada de terra e trilha, e o intervalo entre o chamado e a chegada da guarnição é maior do que em uma ocorrência na orla do Paranoá.

Faz parte da rede de portais NYX · Distrito News — noticias do Distrito Federal