A Opep+ confirmou no domingo (2) o aumento de 188 mil barris por dia na cota de produção de petróleo a partir de setembro. A decisão saiu de uma reunião virtual entre os sete principais países que fazem os cortes voluntários do grupo e mantém o ritmo de reabertura da oferta iniciado no ano passado.
O acréscimo foi repartido de forma desigual. Arábia Saudita e Rússia ficaram com 62 mil barris diários cada uma, as duas maiores fatias. O Iraque recebeu 26 mil, o Kuwait 16 mil, o Cazaquistão 10 mil, a Argélia 6 mil e Omã 5 mil barris por dia.
O que a decisão continua
O movimento faz parte da estratégia gradual de desmontar os cortes voluntários anunciados em abril de 2023, quando o grupo restringiu a oferta para sustentar o preço do barril diante de uma demanda global incerta. Desde então, a Opep+ vem devolvendo volume ao mercado em parcelas mensais, sempre condicionadas à avaliação de estoques e preços.
- Volume adicional: 188 mil barris por dia a partir de setembro;
- Arábia Saudita e Rússia: 62 mil barris diários cada;
- Iraque: 26 mil; Kuwait: 16 mil;
- Cazaquistão: 10 mil; Argélia: 6 mil; Omã: 5 mil;
- Próxima reunião: 6 de setembro de 2026.
Por que o efeito no posto não é automático
Um aumento de cota não significa mais óleo circulando na mesma proporção. Parte dos países do grupo já produz abaixo do teto autorizado por limitação de capacidade, e o volume anunciado é pequeno diante do consumo mundial diário. O preço do barril responde mais à percepção de risco de fornecimento do que ao número da cota.
É aí que entra o contrapeso desta rodada. As restrições ao tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz seguem limitando o escoamento de parte da produção do Golfo, o que anula na prática uma fatia do volume adicional. Enquanto essa rota não normaliza, a oferta efetiva no mercado fica abaixo do que a soma das cotas sugere.
No Brasil, o repasse ao consumidor depende ainda de duas etapas. A Petrobras define os próprios reajustes na refinaria conforme a política de preços da companhia, e distribuidoras e postos aplicam as margens até a bomba. Entre a decisão da Opep+ e a mudança no painel do posto podem passar semanas, quando ela chega.
Quem decide e como a cota é repartida
A reunião que fixou o volume de setembro não reuniu os 22 países da aliança. Ela envolveu apenas os sete que assumiram cortes voluntários adicionais: Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã. São esses países que vêm devolvendo produção ao mercado desde que o grupo decidiu reverter a restrição.
A divisão respeita o peso de cada um no acordo original. Por isso Arábia Saudita e Rússia, que fizeram os maiores cortes, recebem também as maiores parcelas de volta. O encontro é virtual e costuma durar pouco, porque o número já vem alinhado entre os dois maiores produtores antes da reunião formal.
O que o motorista do DF deve observar
Para quem abastece em Brasília, o indicador mais próximo do bolso não é o comunicado da Opep+, e sim o comportamento do Brent nas semanas seguintes e a eventual mudança do preço na refinaria. Movimentos de poucos centavos no litro costumam refletir tributos e margem local, não a cota de produção do cartel.
O Distrito Federal não tem refinaria e é abastecido por caminhão-tanque a partir de bases de distribuição, o que soma custo logístico ao preço final. Essa parcela não muda quando a Opep+ ajusta a cota, e é uma das razões pelas quais o litro no DF raramente acompanha na mesma velocidade a variação do barril no mercado internacional.
A próxima reunião do grupo está marcada para 6 de setembro, quando os países voltam a avaliar se mantêm o ritmo de reabertura da oferta. Veja como a queda do Brent chegou ao preço da gasolina em rodadas anteriores.
Perguntas frequentes
Quanto a Opep+ vai aumentar a produção em setembro?
188 mil barris por dia, divididos entre Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.
A gasolina vai cair por causa da decisão?
Não há relação automática. O preço na bomba depende do Brent, da política de preços da Petrobras, de tributos e das margens de distribuidoras e postos.
Quando é a próxima reunião do grupo?
Em 6 de setembro de 2026, quando os países voltam a avaliar o ritmo de reabertura da oferta.








