Projeto tira gastos com infraestrutura escolar do teto de despesas

agosto 3, 2026
Fileiras de carteiras escolares de madeira vazias em sala de aula, com folhas de papel sobre os tampos

Um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados retira as despesas do Programa Nacional de Infraestrutura Escolar (Pnie) do limite de gastos da União. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 265/25 altera a Lei Complementar 200, de 30 de agosto de 2023, que criou o arcabouço fiscal, e foi apresentado pela comissão especial que analisou o Plano Nacional de Educação para o decênio 2024-2034.

Pelo texto, os valores gastos no âmbito do Pnie deixam de ser computados na base de cálculo e nos limites individualizados das despesas primárias do Poder Executivo federal. Na prática, obras e reformas de escolas passariam a não disputar espaço com as demais despesas dentro do teto.

O argumento fiscal da proposta

A justificativa apresentada com o projeto trata a mudança como uma questão de neutralidade contábil, e não de ampliação de gasto.

Buscamos garantir a neutralidade do Pnie para fins de apuração do resultado primário da União, com vistas ao cumprimento das metas fiscais previstas anualmente na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

A comissão especial do PNE, autora da proposta, foi presidida pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). O programa de infraestrutura escolar é um dos instrumentos previstos no novo plano decenal para atacar o déficit de prédios, salas, quadras e laboratórios na rede pública.

Como a regra funciona hoje

O arcabouço fiscal em vigor desde 2023 estabelece que a despesa primária do governo federal só pode crescer dentro de uma banda vinculada à variação da receita, com piso e teto de crescimento real. Toda despesa que entra nesse cálculo compete com as outras.

  • Situação atual: o gasto com infraestrutura escolar entra no limite e concorre com as demais despesas do Executivo.
  • Com o projeto: o Pnie fica fora da base de cálculo e dos limites individualizados.
  • Efeito sobre a meta: a despesa deixa de pesar na apuração do resultado primário.
  • Instrumento legal: alteração da Lei Complementar 200/2023, que exige aprovação por maioria absoluta nas duas Casas.

Onde o texto está

Segundo o sistema de acompanhamento da Câmara, o PLP 265/25 foi apresentado em 10 de dezembro de 2025 e chegou à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) em 1º de junho de 2026, onde aguarda a designação de relator. A proposta tramita em regime de urgência, com base no artigo 155 do Regimento Interno, e está sujeita à apreciação do Plenário.

O regime de urgência permite que o texto vá a votação no Plenário sem precisar esgotar o exame nas comissões de mérito. Isso encurta o caminho, mas não dispensa a aprovação também no Senado, já que projetos de lei complementar precisam passar pelas duas Casas antes da sanção.

O precedente das exceções ao teto

O PLP 265/25 não é o único a propor exceções ao arcabouço. Outra proposta em tramitação, o PLP 163/25, do deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), retira do limite as despesas temporárias com educação e saúde custeadas pelos 5% adicionais do Fundo Social autorizados pela Lei 15.164/25, além dos gastos financiados por empréstimos internacionais. Pelas contas do autor daquele texto, a mudança liberaria cerca de R$ 1,5 bilhão por ano.

O acúmulo de propostas com a mesma lógica é o ponto de atenção para quem acompanha as contas públicas. Cada exceção isolada tem impacto limitado, mas o efeito somado altera o alcance da regra fiscal que o próprio Congresso aprovou em 2023.

Próximos passos

Antes de ir ao Plenário, o projeto precisa de relator na CCJC. Não há data definida para a designação nem para a votação. Se aprovado na Câmara, o texto segue para o Senado.

Leia também: projeto obriga o SUS a aceitar exame feito na rede privada.

Perguntas frequentes

O que é o Pnie?

É o Programa Nacional de Infraestrutura Escolar, previsto entre os instrumentos do Plano Nacional de Educação 2024-2034 para custear obras e melhorias em prédios da rede pública.

O projeto já foi aprovado?

Não. O PLP 265/25 está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara desde 1º de junho de 2026, aguardando a designação de relator. Tramita em regime de urgência e ainda precisa passar pelo Plenário e pelo Senado.

O que muda no arcabouço fiscal?

As despesas do Pnie deixariam de ser computadas na base de cálculo e nos limites individualizados das despesas primárias do Executivo federal, o que retira esse gasto da apuração do resultado primário.

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