O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) caiu 1,16% em julho, informou nesta quinta-feira (30) a Fundação Getulio Vargas (FGV). É a segunda queda seguida do indicador, que havia recuado 0,50% em junho, e ela chega direto ao bolso de quem tem contrato de aluguel para renovar em agosto.
O IGP-M é o índice mais usado nos contratos de locação residencial e comercial no Brasil. O reajuste não usa a variação de um mês isolado, e sim o acumulado dos 12 meses anteriores. Esse acumulado agora está em 2,76%, contra 3,16% na leitura divulgada em junho. No ano, o índice sobe 2,08%.
Quanto muda no contrato reajustado em agosto
Na prática, um aluguel de R$ 2.000 renovado com o IGP-M de julho passa a custar R$ 2.055,20, alta de R$ 55,20. Pelo índice do mês anterior, o mesmo contrato iria a R$ 2.063,20. A diferença é pequena por mês, mas se acumula ao longo do ano de contrato.
Outras faixas ficam assim com o acumulado de 2,76%:
- Aluguel de R$ 1.200: passa a R$ 1.233,12 (mais R$ 33,12)
- Aluguel de R$ 1.800: passa a R$ 1.849,68 (mais R$ 49,68)
- Aluguel de R$ 2.500: passa a R$ 2.569,00 (mais R$ 69,00)
- Aluguel de R$ 4.000: passa a R$ 4.110,40 (mais R$ 110,40)
Vale conferir qual índice está escrito no contrato antes de aceitar qualquer conta. Parte dos contratos recentes migrou para o IPCA ou para o IGP-DI, que têm variação diferente. O reajuste também só pode ser aplicado a cada 12 meses, conforme a Lei do Inquilinato.
O que puxou o índice para baixo
A queda veio do atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do IGP-M, recuou 1,74% em julho. As matérias-primas brutas caíram 3,89% e os bens finais, 0,82%.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ficou praticamente estável, com variação de 0,01% negativo. O grupo alimentação saiu de alta de 1,02% em junho para queda de 0,74% em julho. Transportes passaram de menos 0,35% para menos 0,09%.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), terceiro componente do IGP-M, subiu 0,62%. A mão de obra avançou 0,93% e os materiais desaceleraram de 0,86% para 0,42%.
A queda do IPA foi puxada principalmente por combustíveis e derivados de petróleo, efeito do arrefecimento das tensões entre Estados Unidos e Irã, segundo o economista Matheus Dias, da FGV. No índice ao consumidor, a desaceleração veio da deflação dos alimentos, parcialmente compensada pela alta das passagens aéreas na temporada de férias de julho.
O que fazer se o reajuste vier acima do índice
O inquilino que receber cobrança acima do acumulado do índice do contrato pode pedir a memória de cálculo por escrito à imobiliária ou ao proprietário. Se não houver acordo, a negociação direta costuma ser o caminho mais rápido, já que o custo de uma nova locação e o período de imóvel vazio pesam para o dono.
Quem estiver em fim de contrato tem outra carta na mão: com a inflação do aluguel abaixo de 3% no acumulado de 12 meses, a pressão por reajustes agressivos diminui em mercados com oferta, como o de apartamentos de um e dois quartos no Plano Piloto e em Águas Claras.
Há ainda o caminho da troca de índice. Como o IPCA e o IGP-M costumam divergir em períodos de oscilação do dólar e das commodities, inquilino e proprietário podem acordar por escrito a mudança do indexador na renovação, com aditivo contratual assinado pelas duas partes. Nenhum dos lados é obrigado a aceitar.
Por que o índice do aluguel cai enquanto o supermercado não
O IGP-M reúne três componentes com pesos diferentes: o IPA responde por 60% do índice, o IPC por 30% e o INCC por 10%. É por isso que uma queda forte no atacado, como a de julho, derruba o índice cheio mesmo com a construção civil em alta.
Na prática, o consumidor sente pouco essa deflação no dia a dia. O IPC do IGP-M ficou praticamente parado no mês, e o índice oficial da inflação ao consumidor no país é o IPCA, medido pelo IBGE, que segue trajetória própria. O IGP-M é um termômetro do atacado que, por convenção do mercado imobiliário, virou régua de contrato.
Para 2026, a leitura acumulada de 2,08% até julho indica ano de reajuste contido em comparação com os saltos de dois dígitos vistos em 2021 e 2022, quando o índice chegou a acumular alta acima de 30% em 12 meses e provocou onda de renegociação de contratos.
O IGP-M é calculado entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês de referência. A próxima divulgação, referente a agosto, sai no fim do mês. Veja também o resultado do IGP-M de junho e como ele afetou os contratos de julho.
Perguntas frequentes
Qual o IGP-M de julho de 2026?
O IGP-M caiu 1,16% em julho de 2026, segundo a FGV. No ano, o índice acumula alta de 2,08% e, em 12 meses, de 2,76%.
Qual índice usar para reajustar o aluguel em agosto de 2026?
Nos contratos indexados ao IGP-M, o reajuste de agosto usa o acumulado de 12 meses divulgado em julho, de 2,76%.
Quanto sobe um aluguel de R$ 2.000 com o IGP-M?
Com o acumulado de 2,76%, o aluguel de R$ 2.000 passa a R$ 2.055,20, aumento de R$ 55,20 por mês.








