Estoque de crédito no Brasil chega a R$ 7,3 trilhões, e crédito direcionado puxa a alta

julho 6, 2026
Estoque de crédito no Brasil chega a R$ 7,3 trilhões, e crédito direcionado puxa a alta

O estoque total de crédito do sistema financeiro subiu 0,6% em maio e chegou a R$ 7,3 trilhões, de acordo com as estatísticas monetárias divulgadas pelo Banco Central. O número mostra que, apesar dos juros altos, a oferta de empréstimos segue em expansão no país.

As concessões totais avançaram 0,2% no mês. O detalhe está na composição: as novas liberações de crédito direcionado, já ajustadas por sazonalidade e inflação, cresceram 6%, enquanto as concessões de crédito livre tiveram leve recuo de 0,1%. O descompasso aparece dos dois lados, para famílias e para empresas.

Direcionado cresce muito mais que o livre

Levantamento do BTG Pactual a partir dos dados do BC aponta que o segmento direcionado avançou cerca de quatro vezes mais que o crédito livre, com alta próxima de 8% em linhas específicas. Esse tipo de crédito, ligado a programas como habitação, rural e financiamentos com recursos públicos, tende a responder menos à Selic do que o crédito de mercado. O resultado é uma transmissão desigual da política monetária: parte do sistema sente o aperto, parte continua girando com custo controlado.

Nos juros ao consumidor, os números seguem elevados. Em maio, o BC registrou:

  • Rotativo do cartão de crédito a 425,9% ao ano
  • Cheque especial a 124,3% ao ano
  • Crédito pessoal não consignado a 142,7% ao ano
  • Consignado para trabalhadores do setor privado a 54,1% ao ano

A distância entre o consignado do setor privado, na casa dos 54% ao ano, e o rotativo do cartão, acima de 425%, ajuda a explicar por que o governo tenta empurrar o consumidor endividado para linhas com garantia e taxas menores.

O quadro reforça o debate sobre a eficiência da política de juros. Com boa parte do crédito rodando em linhas direcionadas e subsidiadas, cada elevação ou manutenção da Selic demora mais para esfriar o consumo do que se toda a carteira estivesse exposta ao mercado. Para o tomador de crédito livre, no entanto, o custo continua pesado, o que segura a demanda por novos empréstimos.

O próximo dado relevante para o setor virá com a reunião do Copom marcada para 28 e 29 de julho, quando o mercado avalia se o ciclo de cortes continua. Enquanto isso, a leitura do crédito ajuda a medir o fôlego real das famílias e das empresas. Acompanhe também os [indicadores de atividade econômica do mês](/economia/atividade-economica-brasil).

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