Servidores do BC afastados por vínculo com Vorcaro já estavam sob investigação interna

março 4, 2026

Dois ex-servidores do Banco Central afastados judicialmente na manhã desta quarta-feira (4) como parte da nova fase da Operação Compliance Zero não foram pegos de surpresa pela Polícia Federal. Segundo fontes ouvidas pela CNN, o afastamento administrativo de Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana já havia ocorrido em janeiro deste ano, fruto de uma sindicância interna conduzida pelo próprio BC em colaboração com a PF.

Quem são os dois servidores

Paulo Sérgio Neves de Souza foi diretor de fiscalização do Banco Central entre 2019 e 2023, período em que a instituição autorizou a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro — operação que originou o Banco Master.

Já Belline Santana comandou o Departamento de Supervisão Bancária do BC e assinou documentos enviados ao Ministério Público Federal sobre as investigações envolvendo o Banco Master. Ambos são servidores de carreira da autarquia.

Como funcionava a “consultoria informal”

Segundo a Polícia Federal, os dois participavam de um grupo de WhatsApp com o banqueiro, criado para facilitar a comunicação direta e a discussão de estratégias de interesse do Banco Master. Paulo Sérgio fornecia orientações estratégicas sobre a atuação do BC em processos administrativos que envolviam o banco, incluindo sugestões de abordagens e argumentos para reuniões com dirigentes da autarquia.

Já Vorcaro costumava acionar Belline Santana por ligação telefônica para tratar de assuntos sensíveis, aparentemente para evitar o registro escrito das conversas. O servidor também participou de reuniões privadas com o banqueiro fora das dependências do Banco Central.

Propina e viagem à Disney

A PF afirma que os dois receberam dinheiro e vantagens indevidas. Um dos episódios citados envolve uma viagem à Disney cujo serviço de guia turístico teria sido providenciado pelo próprio Vorcaro.

Medidas cautelares impostas pelo STF

O afastamento administrativo, que já estava em vigor desde janeiro por decisão do presidente do BC, Gabriel Galípolo, ganhou agora uma dimensão judicial. O ministro André Mendonça determinou o uso de tornozeleira eletrônica para os dois e proibiu que deixem os municípios onde residem, que mantenham contato com testemunhas e demais investigados, e que se aproximem das dependências do Banco Central. Ambos também foram obrigados a entregar os passaportes à PF em até 48 horas.

BC elogia atuação da PF nos bastidores

Nos bastidores da autarquia, o clima é de cooperação total com as investigações. Segundo fontes da CNN, há elogios internos à postura do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, na condução do caso.