Quem quer deixar registrada a decisão de doar órgãos já pode fazer isso sem sair de casa e sem pagar nada. O Colégio Notarial do Brasil colocou no ar a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, a AEDO, que formaliza a manifestação em cartório por videoconferência e alimenta o Registro Nacional de Doadores.
A informação foi divulgada pela Agência Brasil neste domingo (20). O procedimento é feito inteiramente pela internet, na plataforma do e-Notariado, e não exige comparecimento presencial em nenhuma etapa.
Como fazer o registro, passo a passo
O caminho é curto e não depende de intermediário. Segundo o Colégio Notarial, a pessoa precisa cumprir cinco etapas:
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- Acessar a plataforma da AEDO pelo portal do e-Notariado.
- Preencher os dados pessoais solicitados no formulário.
- Escolher o cartório de notas que vai lavrar o ato.
- Participar de uma videoconferência com o tabelião, que confirma a identidade e a intenção de doar.
- Assinar o documento eletronicamente.
Depois da assinatura, o registro é integrado ao Registro Nacional de Doadores. O serviço é gratuito.
O registro não substitui a decisão da família
Este é o ponto que mais gera confusão. A legislação brasileira mantém a retirada de órgãos condicionada à autorização dos parentes, e a AEDO não muda isso. O documento serve como prova da vontade de quem morreu, e é sobre essa prova que a conversa com a família passa a acontecer.
A decisão final continua sendo da família.
O peso desse detalhe aparece nos números. A taxa média de recusa familiar no país gira em torno de 45%, de acordo com o Colégio Notarial. Quase metade das doações possíveis para quando os parentes dizem não, muitas vezes porque ninguém sabia o que a pessoa pensava sobre o assunto.
A fila que está do outro lado
O Ministério da Saúde contabiliza mais de 49 mil pessoas à espera de um transplante no Brasil. O rim responde pela maior parte dessa espera, com cerca de 45 mil pacientes.
Na córnea, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia registra 37.719 pessoas na fila, alta de 15% em relação a dezembro de 2025. É uma fila que cresceu mesmo com a doação de córnea sendo tecnicamente mais simples do que a de órgãos sólidos, porque dispensa compatibilidade sanguínea e tem janela maior para a captação.
No Distrito Federal, o caminho para quem quer doar passa pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde, que coordena as notificações de morte encefálica e a distribuição dos órgãos captados. O detalhamento da fila de córnea e dos canais de doação no DF foi publicado neste mês.
Serviço
- O que é: Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO)
- Onde: plataforma do e-Notariado, pela internet
- Quanto custa: gratuito
- Como funciona: preenchimento de dados, escolha do cartório, videoconferência com o tabelião e assinatura eletrônica
- Para onde vai: Registro Nacional de Doadores
- Quem responde: Colégio Notarial do Brasil, Conselho Federal
Eduardo Calais preside o Colégio Notarial do Brasil, entidade que implanta o serviço. Para quem registrar a intenção, o passo seguinte é o mais barato de todos: contar para a família o que foi decidido.








