Celina busca investidores dos Emirados Árabes para aporte no BRB

setembro 17, 2026
Dois executivos de terno apertam as mãos durante reunião de negócios

A governadora Celina Leão (PP) afirmou nesta quinta-feira (17) que vai se reunir com investidores dos Emirados Árabes Unidos interessados em aportar recursos no Banco de Brasília (BRB). A declaração foi dada em café da manhã com apoiadores no Setor de Clubes Sul, em Brasília.

Segundo a governadora, o Governo do Distrito Federal (GDF) mantém conversas com investidores e organismos internacionais em busca de alternativas de capitalização para o banco público, e o grupo dos Emirados é um dos interlocutores. Ela não informou valores, prazos ou nomes dos fundos envolvidos.

“Nós não estamos só aguardando o Governo Federal. A gente tem tido várias reuniões com investidores internacionais”, disse Celina Leão.

A governadora afirmou ainda que evita detalhar as negociações em público. “A gente não está falando ainda [de expectativas] para o pessoal não trabalhar contra, porque parece que tem muita força contrária”, declarou, em fala reproduzida pelo Jornal de Brasília e pelo Metrópoles.

O que o GDF pede ao governo federal

No mesmo evento, Celina Leão repetiu que o pedido do Distrito Federal ao Palácio do Planalto não é de dinheiro, e sim de garantia. “O que nós havíamos pedido ao Governo Federal não é ajuda financeira, era um aval, que ele deu a vários estados”, afirmou. O aval é a condição exigida pelo mercado para destravar a operação de crédito montada para reforçar o capital do BRB.

A operação em discussão prevê até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com fiança de grandes bancos. O desenho depende de definições que estão no Supremo Tribunal Federal, em ação relatada pelo ministro Luiz Fux, e de posição da União. Em audiência realizada em agosto, as partes não fecharam acordo sobre a garantia.

O socorro ao banco é discutido desde que vieram a público as perdas ligadas à compra de carteiras de crédito do Banco Master. Na semana passada, o BRB confirmou o afastamento de cinco funcionários ligados a essas operações, medida tomada após apuração interna.

Por que o assunto importa para o brasiliense

O BRB é o banco público do Distrito Federal e o GDF é o acionista controlador. É por ele que passam a folha de pagamento do governo local, o crédito consignado de servidores e boa parte dos programas sociais pagos por conta digital, entre eles o DF Social. A situação patrimonial do banco, por isso, tem efeito direto sobre serviços que o morador usa.

  • O que foi dito: a governadora anunciou reunião com investidores dos Emirados Árabes Unidos interessados em aportar no BRB.
  • O que não foi dito: valor do aporte, formato da operação, prazo e identificação dos investidores.
  • O que está pendente: o aval federal à operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões com o FGC.
  • Onde a discussão está: no STF, sob relatoria do ministro Luiz Fux.

Procurados por veículos que noticiaram a fala, nem o BRB nem o governo federal divulgaram manifestação sobre a negociação com os investidores estrangeiros até a publicação desta reportagem. O GDF também não detalhou se haverá anúncio formal após o encontro.

Os próximos passos dependem de duas frentes que correm em paralelo: a resposta da União sobre a garantia e o resultado das conversas com investidores privados. Enquanto nenhuma das duas se resolve, o reforço de capital do banco segue sem data.

Leia também: BRB afasta cinco funcionários ligados à compra de carteiras do Master.

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