O BRB afastou cinco funcionários apontados como peças centrais na compra das carteiras de crédito do Banco Master que hoje são investigadas por fraude. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (14) e envolve um ex-diretor de finanças, uma ex-diretora de controle e riscos e três superintendentes do banco público do Distrito Federal.
Segundo o BRB, os afastamentos são cautelares e foram autorizados pelo Conselho de Administração, que liberou a Corregedoria da instituição a seguir com as apurações internas. A medida foi adotada cerca de três semanas antes de vir a público.
Em nota, o banco afirmou que os afastamentos “não representam antecipação de juízo em relação ao mérito das investigações”. O BRB se coloca como vítima no caso e sustenta que foi alvo de atos criminosos praticados por terceiros. Nenhum dos cinco foi condenado, e as apurações correm em âmbito administrativo, dentro da própria instituição.
O que está em apuração
O núcleo do caso é a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB. A suspeita é de que parte desses ativos não tinha lastro real, ou seja, os empréstimos que davam sustentação ao papel comprado não existiam como descritos. Quem assina, avalia risco e libera esse tipo de operação em um banco é justamente a área de finanças e a área de controle e riscos, as duas diretorias de onde saíram os dois principais nomes afastados.
A decisão desta segunda é o desdobramento administrativo mais direto de um movimento que o banco já havia iniciado. Em 24 de agosto, a assembleia de acionistas do BRB aprovou a abertura de ações de responsabilidade contra ex-gestores no caso Master, passo que permite ao banco cobrar na Justiça eventual prejuízo causado por quem ocupava cargo de direção.
Por que isso interessa ao contribuinte do DF
O BRB não é um banco privado qualquer. O Distrito Federal é o acionista controlador, o que significa que perda patrimonial da instituição é perda de valor de um ativo público. Foi esse vínculo que colocou o caso no centro da agenda do governo local nas últimas semanas.
Em agosto, uma audiência no Supremo Tribunal Federal sobre o empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao BRB terminou sem acordo. Dias depois, a vice-governadora Celina Leão se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar do mesmo socorro financeiro. As duas frentes, a do dinheiro e a da responsabilização interna, correm em paralelo.
- Quem foi afastado: um ex-diretor de finanças, uma ex-diretora de controle e riscos e três superintendentes.
- Quem decidiu: o Conselho de Administração do BRB, que autorizou a Corregedoria a prosseguir.
- Natureza da medida: cautelar e administrativa, sem juízo sobre o mérito das investigações.
- Posição do banco: o BRB afirma ter sido vítima de atos criminosos no negócio.
O que vem pela frente
O afastamento cautelar é um instrumento comum em apuração interna de instituição financeira: retira o funcionário do circuito de decisão enquanto a corregedoria examina documentos, autorizações e trilhas de aprovação. O resultado pode ir do arquivamento à demissão por justa causa, e serve de base para a ação de responsabilidade já autorizada pelos acionistas.
Enquanto isso, o BRB segue tratando em outra frente o efeito financeiro da compra das carteiras. A instituição não detalhou prazo para a conclusão do trabalho da Corregedoria nem se outros funcionários podem ser alcançados pela mesma medida.
O caso Master já produziu desdobramentos no Congresso, no Judiciário e no Banco Central, e o BRB é o ponto em que essa cadeia toca diretamente a administração pública do Distrito Federal. Leia também: Acionistas do BRB aprovam ações contra ex-gestores no caso Master.








