Um turista de Maceió foi rendido a faca e roubado no sábado, 22 de agosto, minutos depois de sacar mais de R$ 1.000 em uma agência bancária no Setor Comercial Sul, em Brasília. Três pessoas foram presas e parte do dinheiro foi recuperada, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal.
De acordo com o registro policial, a vítima deixou a agência e foi abordada na rua por um adolescente, que pediu dinheiro para comprar um café. Da abordagem, o turista acabou conduzido até uma galeria do setor conhecida como Buraco do Rato, ponto de concentração de usuários de droga a poucos metros de agências bancárias e de pontos de ônibus.
Na galeria, o homem foi apresentado a outras pessoas. Dois suspeitos o cercaram com facas enquanto um terceiro subtraía o celular, a carteira e o dinheiro do saque. Os autores ainda exigiram que a vítima tirasse a roupa antes de deixá-lo ir embora.
Quem foi preso e o que foi recuperado
A Polícia Civil prendeu três pessoas. Com Daniel Gomes Vasconcelos foram recuperados R$ 653. Com Marcelo Souza Nascimento, de 37 anos, apontado pela polícia como um dos que renderam a vítima, foram recuperados R$ 332,50. Hilda Ferreira dos Santos, de 57 anos, também foi presa. O caso é apurado pela 5ª Delegacia de Polícia, no Setor de Grandes Áreas Norte.
Os três respondem como suspeitos e permanecem à disposição da Justiça. Nenhum deles foi condenado, e cabe ao processo definir a responsabilidade de cada um.
O roubo está previsto no artigo 157 do Código Penal, com pena de quatro a dez anos de reclusão, além de multa. A prática por mais de uma pessoa e o emprego de arma são circunstâncias que agravam a punição na dosimetria feita pelo juiz. Como parte do valor foi localizada com os presos, a devolução à vítima depende de decisão judicial no curso do inquérito.
O adolescente que fez a primeira abordagem não é alcançado pelo Código Penal. Casos com menores de 18 anos seguem o Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê apuração de ato infracional e medidas socioeducativas, não pena criminal.
O Setor Comercial Sul e a saída de banco
O Setor Comercial Sul concentra agências, lotéricas e galerias comerciais em um raio de poucas quadras, e recebe fluxo intenso de pessoas em horário comercial. A combinação entre saque em espécie e deslocamento a pé pelo setor é o padrão que aparece com frequência nas ocorrências de roubo registradas na região.
A orientação corrente das forças de segurança para quem precisa sacar valores em espécie é objetiva:
- Evitar sacar quantias altas em espécie quando houver alternativa por transferência ou Pix
- Não contar nem organizar o dinheiro na calçada ou dentro do carro estacionado na porta da agência
- Recusar abordagem de desconhecido logo após o saque, ainda que o pedido pareça inofensivo
- Não acompanhar terceiros a galerias, becos ou áreas sem movimento
- Em caso de suspeita de estar sendo seguido, entrar novamente na agência e acionar a segurança
Roubos com emprego de arma branca ou de fogo devem ser comunicados imediatamente pelo 190. O registro de ocorrência também pode ser feito na delegacia da circunscrição ou pela Delegacia Eletrônica da PCDF, no portal da corporação. Denúncias anônimas sobre pontos de tráfico e de receptação vão para o 197.
Para o turista, o prejuízo vai além do valor levado. Documentos e cartões subtraídos exigem bloqueio imediato junto ao banco e à operadora do celular, e a segunda via de documento pessoal para quem está fora do estado de origem depende de boletim de ocorrência registrado no local do crime.
O bloqueio do aparelho celular merece atenção separada. Quem tem o telefone levado deve comunicar a operadora para bloquear a linha e o número de série do aparelho, o IMEI, e acionar o banco para suspender o acesso ao aplicativo e limitar transações por Pix. Contas com o aplicativo aberto no aparelho roubado são o alvo seguinte em boa parte das ocorrências desse tipo, e a janela de reação é de minutos.
Quem vem de outro estado e perde os documentos deve guardar o número do boletim de ocorrência e checar com a companhia aérea, antes de ir ao aeroporto, quais comprovantes são aceitos para o embarque de volta. A regra de identificação para voo doméstico é definida pela empresa e pela autoridade de aviação civil, e o procedimento varia caso a caso.
Ocorrências envolvendo criminosos que se aproveitam da confiança da vítima têm aparecido em diferentes regiões do DF. Em agosto, a Polícia Civil deflagrou operação contra um homem que se apresentava como policial nas redes sociais. Veja o caso do falso policial alvo da PCDF no Riacho Fundo.








