Preso em Vicente Pires vendia cargos falsos de R$ 18 mil na CLDF

agosto 21, 2026
Fachada do edifício da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em Brasília

Um homem foi preso em flagrante em Vicente Pires suspeito de vender cargos comissionados falsos na Câmara Legislativa do Distrito Federal por salários de cerca de R$ 18 mil. A prisão foi feita pela 38ª Delegacia de Polícia na terça-feira (18), e o nome do suspeito não foi divulgado.

Segundo a Polícia Civil, o investigado se apresentava como alguém com influência interna no Legislativo distrital, dizia já ter empregado outras pessoas e mostrava documentos falsos para dar aparência de legalidade à negociação.

Como o golpe funcionava

A investigação aponta um roteiro repetido. O suspeito oferecia vagas no Poder Legislativo com remuneração próxima de R$ 18 mil, cobrava um valor de entrada e depois voltava a pedir mais dinheiro sob justificativas novas.

A prisão saiu a partir da denúncia de uma das vítimas, que já havia transferido R$ 7 mil. Em seguida, o homem exigiu outros R$ 3 mil, alegando que a quantia garantiria um cargo melhor.

Desconfiada, a vítima recusou o novo pagamento. Mesmo assim, a cobrança continuou. No dia da prisão, o suspeito pediu mais R$ 249 sob a justificativa de que precisava confeccionar uma suposta chave token.

  • Promessa: cargo comissionado na CLDF com salário de aproximadamente R$ 18 mil
  • Primeiro pagamento: R$ 7 mil transferidos por uma das vítimas
  • Segunda cobrança: R$ 3 mil, sob promessa de “cargo melhor”
  • Terceira cobrança: R$ 249 para uma suposta chave token
  • Recebimento: contas de terceiros, os chamados laranjas

Prisão em barbearia da Asa Sul

Os policiais localizaram o suspeito em uma barbearia na Asa Sul. O estabelecimento pertence à própria vítima, que também estava no local no momento da abordagem.

Durante a ação, as equipes apreenderam dois celulares e um veículo. Depois do flagrante, a Justiça converteu a custódia em prisão preventiva.

Os aparelhos apreendidos passarão por análise. A Polícia Civil quer identificar outras possíveis vítimas e apurar se houve participação de cúmplices no esquema.

Ficha criminal com 23 ocorrências

Segundo o delegado responsável pelo caso, o homem tem ficha criminal extensa, com registros em outras 23 ocorrências de estelionato. Parte delas segue o mesmo modo de agir.

A investigação também identificou o uso de contas de terceiros para receber os valores, prática que dificulta o rastreamento do dinheiro e é comum em fraudes seriadas.

Cargo comissionado não se compra

Cargos em comissão no Legislativo distrital são de livre nomeação e exoneração. A designação é feita por ato publicado no Diário Oficial e não passa por intermediário particular, taxa de inscrição ou pagamento antecipado de qualquer espécie.

Qualquer cobrança para “garantir” uma nomeação é indício de fraude. A lista de servidores comissionados e a respectiva remuneração ficam disponíveis no Portal da Transparência da Câmara Legislativa, o que permite conferir se um nome existe de fato na estrutura da Casa.

Quem foi abordado com oferta semelhante pode registrar ocorrência em qualquer delegacia ou pela Delegacia Eletrônica da PCDF. Guardar comprovantes de transferência, prints de conversas e o número da conta que recebeu o dinheiro ajuda na identificação dos envolvidos.

Como conferir se a vaga existe

A Câmara Legislativa mantém em seu Portal da Transparência as tabelas de remuneração e a lista de remuneração mensal de deputados e servidores. São páginas de consulta aberta, sem cadastro, que permitem checar se determinado cargo e determinada faixa salarial existem na estrutura da Casa.

Três sinais aparecem em praticamente todas as fraudes desse tipo. O primeiro é a exigência de pagamento antecipado. O segundo é a cobrança em conta de pessoa física diferente do suposto intermediário. O terceiro é o pedido de novas parcelas com justificativas técnicas que não existem, como a “chave token” citada neste caso.

Nomeação para cargo em comissão depende de ato do órgão publicado no Diário Oficial do Distrito Federal. Enquanto não há publicação, não há nomeação, independentemente de qualquer documento apresentado por terceiros.

O que dizem os órgãos

A reportagem procurou a Câmara Legislativa do Distrito Federal para saber se a Casa foi notificada sobre o caso e se abriu apuração interna. Não houve retorno até a publicação, e o espaço segue aberto.

A Polícia Civil informou que o inquérito segue em andamento e que novas vítimas podem se apresentar durante a investigação.

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