Operação Vitrine Oculta prende cinco por furtos em farmácias do Lago Sul

agosto 21, 2026
Duas câmeras de segurança instaladas na fachada azul de um prédio comercial

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu cinco mulheres, de 26 a 32 anos, na quinta-feira (20), durante a Operação Vitrine Oculta, que investiga uma sequência de furtos em farmácias e perfumarias do Lago Sul, do Jardim Botânico e do Park Sul. A ação foi conduzida pela 10ª Delegacia de Polícia, no Lago Sul.

Segundo a corporação, o grupo agia desde junho e tinha como alvo cosméticos e suplementos alimentares, produtos de alto valor e fácil revenda. Os furtos causaram prejuízo de milhares de reais aos comerciantes das três regiões, todas com concentração de comércio de rua e de galerias.

Oito mandados no DF e no Entorno

Além das prisões, os policiais cumpriram oito mandados de busca e apreensão. Os endereços ficam em Novo Gama e Águas Lindas, no Entorno goiano, e em Ceilândia e no Sol Nascente, no DF. O deslocamento entre as cidades do Entorno e as regiões nobres do Plano Piloto é um padrão recorrente nesse tipo de furto a comércio.

Ainda de acordo com a PCDF, as investigadas tinham antecedentes e estavam em liberdade provisória quando a operação foi deflagrada. Uma delas já cumpria pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal por crime semelhante. Das seis mulheres apontadas na investigação, apenas uma seguia foragida depois da ação de quinta-feira.

As investigadas respondem por furto, previsto no artigo 155 do Código Penal. Na forma simples, a pena vai de um a quatro anos de reclusão e multa; quando há concurso de duas ou mais pessoas, o crime passa a ser qualificado, com pena de dois a oito anos. Todas são consideradas suspeitas até decisão judicial definitiva. A reportagem não localizou manifestação das defesas.

O que o comerciante pode fazer

Furto em farmácia e perfumaria costuma ser silencioso: o autor entra como cliente, seleciona itens pequenos e de alto valor e sai sem abordagem direta a funcionários. Por isso a apuração depende de imagem e de registro formal. Algumas medidas ajudam:

  • registrar ocorrência na delegacia da circunscrição, mesmo quando o valor parece baixo, porque a soma dos casos é o que revela o padrão;
  • preservar as imagens das câmeras internas e externas, sem sobrescrever o disco antes de entregar o material à polícia;
  • anotar data, horário e descrição dos produtos levados, com nota fiscal ou controle de estoque;
  • comunicar lojas vizinhas, já que grupos que atuam em série repetem o percurso na mesma região.

O registro pode ser feito presencialmente ou pela Delegacia Eletrônica da PCDF, no endereço dpvirtual.pcdf.df.gov.br. Denúncias anônimas seguem pelo Disque-Denúncia 197.

Comércio de área nobre no radar

O Lago Sul, o Jardim Botânico e o Park Sul concentram farmácias, perfumarias e lojas de suplementos com ticket médio alto, o que explica a escolha dos alvos. A investigação da 10ª DP reuniu imagens de circuito interno, reconhecimento das vítimas e o cruzamento dos registros feitos pelos estabelecimentos ao longo de dois meses.

Não é o primeiro caso do tipo no DF neste ano. Em agosto, três mulheres foram presas em flagrante por furtos em farmácias, e no começo do mês a polícia já havia prendido um grupo com atuação semelhante. A repetição indica que o crime funciona por reincidência de um conjunto pequeno de autores, e não por casos isolados.

Por que farmácia e perfumaria entram na mira

O alvo não é aleatório. Cosmético e suplemento têm três características que facilitam o crime: preço alto por volume pequeno, embalagem fácil de esconder e revenda rápida em canais informais, inclusive pela internet. Um único item de skincare ou um pote de suplemento importado pode custar centenas de reais e cabe em uma bolsa.

A exposição do produto também pesa. Farmácias e perfumarias trabalham com prateleira aberta e autoatendimento, modelo que aumenta a conversão de vendas e, ao mesmo tempo, reduz a barreira física para o furto. Alguns estabelecimentos passaram a manter os itens de maior valor atrás do balcão ou em expositores com trava.

Do lado da investigação, a repetição é o que permite chegar ao grupo. Casos isolados, registrados como pequenos prejuízos, ganham outro peso quando a delegacia cruza horários, imagens e trajetos e identifica as mesmas pessoas em estabelecimentos diferentes ao longo de semanas.

A PCDF informou que a apuração continua para localizar a suspeita foragida e identificar quem recebia os produtos furtados. A revenda é a etapa que dá sustentação econômica ao esquema.

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