A Polícia Civil do Distrito Federal apura denúncias de duas moradoras do DF, de 23 e 28 anos, contra o médico colombiano Guillermo Andres Gonzalez Gomez, por complicações após cirurgias plásticas feitas na clínica Remodelarte, em Bucaramanga, na Colômbia. O caso foi revelado pelo Metrópoles nesta segunda-feira (10).
Uma das denunciantes é Vitória Antunes Marques, 23 anos, moradora de Samambaia. Ela contratou um pacote de procedimentos com o médico e desembolsou R$ 65 mil no total: R$ 56 mil pelas cirurgias e outros R$ 9 mil pela estrutura de turismo médico que acompanha esse tipo de contrato, com deslocamento, hospedagem e pós-operatório no exterior.
O que as pacientes relatam
Pelo relato apresentado à polícia, o quadro se agravou depois da alta. As queixas descritas incluem:
- infecções sucessivas no período pós-operatório;
- reabertura de pontos nas mamas e no abdômen;
- drenagem considerada inadequada pelas pacientes;
- contaminação por Serratia marcescens, bactéria associada a infecções hospitalares;
- crise respiratória grave, dias depois de febre e mal-estar.
Vitória afirma que, ao apresentar sinais de infecção ainda na Colômbia, não recebeu prescrição nem internação, e ouviu do médico que estava com boa aparência. O quadro respiratório apareceu depois.
Foi um pesadelo, toda aquela dor e sofrimento.
Turismo médico é o pano de fundo do caso
O caso expõe a engrenagem por trás dos pacotes de cirurgia plástica no exterior vendidos a brasileiros. O modelo combina preço fechado, agenda cirúrgica concentrada em poucos dias e retorno rápido ao país de origem, o que encurta justamente a etapa em que a complicação costuma aparecer, que é o acompanhamento pós-operatório.
Quando o problema surge depois do desembarque, a paciente fica sem o cirurgião que a operou e sem o prontuário completo, e passa a depender da rede local para tratar uma complicação de um procedimento feito fora do país. Do ponto de vista da apuração, a dificuldade é a mesma: o ato médico ocorreu em outra jurisdição, com registros clínicos emitidos por uma clínica estrangeira.
A reportagem que revelou o caso informou ter procurado a clínica Remodelarte, sem retorno até a publicação. O médico também não se manifestou.
A segunda denunciante, de 28 anos, também mora no Distrito Federal e passou por procedimentos com o mesmo profissional. As duas apresentaram os relatos à Polícia Civil do DF, que agora precisa reunir contratos, comprovantes de pagamento, prontuários e laudos dos atendimentos feitos no Brasil depois das complicações. Esse conjunto de documentos é o que permite comparar o que foi contratado com o que foi executado, e é a base de qualquer conclusão sobre responsabilidade.
A bactéria citada no caso, a Serratia marcescens, circula em ambientes hospitalares e costuma ser associada a infecções ligadas a cateteres, feridas cirúrgicas e materiais contaminados. A identificação dela em uma paciente recém-operada joga a discussão para o campo do controle de infecção da estrutura que realizou o procedimento, item que raramente é verificado por quem contrata pacote no exterior.
Como verificar antes de contratar
Não há, no relato apresentado até aqui, definição sobre a tipificação da conduta apurada pela PCDF, que ainda vai ouvir as denunciantes e reunir a documentação médica. Enquanto a investigação corre, algumas verificações reduzem risco em qualquer contratação de cirurgia estética, dentro ou fora do país:
- conferir o registro do profissional no conselho de medicina do país onde ele atua;
- exigir contrato com a descrição de cada procedimento e do plano de acompanhamento pós-operatório;
- checar se a clínica tem estrutura hospitalar para intercorrência, e não apenas centro cirúrgico;
- desconfiar de pacote que concentra vários procedimentos de grande porte em uma única sessão cirúrgica;
- guardar prontuário, exames e receituário, documentos indispensáveis para tratar complicação no Brasil e para instruir eventual apuração.
A procura por cirurgia plástica cresceu no país e também na rede pública. Levantamento publicado pelo SouBrasília mostra que a cirurgia plástica de mama pelo SUS avançou 54% em dez anos, movimento que ocorre em paralelo à expansão do mercado privado e dos pacotes vendidos no exterior.
Órgãos de defesa do consumidor orientam ainda a guardar toda a comunicação com a clínica, inclusive mensagens de aplicativo, porque é nela que costumam aparecer as promessas de resultado e de acompanhamento que não constam do contrato assinado. As duas denúncias seguem na Polícia Civil do Distrito Federal. Pacientes que passaram por situação semelhante podem registrar ocorrência em delegacia ou pela Delegacia Eletrônica e apresentar a documentação do procedimento ao conselho profissional.
Perguntas frequentes
Quem é investigado?
O médico colombiano Guillermo Andres Gonzalez Gomez, apontado por duas moradoras do DF em denúncias apresentadas à Polícia Civil do Distrito Federal.
Onde as cirurgias foram feitas?
Na clínica Remodelarte, em Bucaramanga, na Colômbia, em pacotes que incluíam estrutura de turismo médico.
Quanto uma das pacientes pagou?
Vitória Antunes Marques, 23 anos, moradora de Samambaia, informou ter pago R$ 65 mil, sendo R$ 56 mil em procedimentos e R$ 9 mil pelo turismo médico.








